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Tem gente que passa o dia do aniversário com um aperto no estômago e foge de qualquer foto. Outras pessoas conferem cada ruga ou fio branco novo no espelho, ou ficam angustiadas só de pensar em perder a saúde, a independência ou o lugar que ocupam na família e no trabalho.
Entendendo esse medo
A gerascofobia é um medo intenso e persistente de envelhecer. Quase todo mundo se preocupa às vezes com o tempo, a saúde ou a aparência, e isso é normal. Na gerascofobia, a preocupação é constante e desproporcional e pode tirar a graça de aniversários, encontros de família e fases da vida que poderiam ser vividas com tranquilidade.
Raramente o medo é só das rugas. Por trás dele costumam estar outros receios: perder energia ou beleza, adoecer, depender de outras pessoas, ficar sozinho ou sentir que o tempo está acabando. Ele tem relação com o medo da morte, mas não é a mesma coisa. Pode aparecer em qualquer idade, inclusive em adultos jovens, muitas vezes perto de um aniversário que muda de década ou depois de ver um familiar adoecer ou perder a autonomia. Algumas fontes também usam o nome gerontofobia, embora esse termo seja mais usado para a rejeição às pessoas idosas.
Gatilhos comuns
- Aniversários, principalmente os que mudam de década
- Rugas ou cabelos brancos novos no espelho
- Fotos e vídeos recentes
- A doença ou a perda de autonomia de um familiar
- Casas de repouso e hospitais
- A aposentadoria e a papelada do INSS
- Propagandas de produtos antienvelhecimento
- Notícias sobre demência ou perda de memória
- Comparar-se com pessoas mais jovens
- Comentários dos outros sobre a sua idade
Onde ele aparece
- Na frente do espelho
- Festas de aniversário
- Consultas médicas e exames de rotina
- Visitas aos avós ou a parentes mais velhos
- Redes sociais
- Reencontros da escola ou da faculdade
- Trabalhos com colegas bem mais novos
- Farmácias, lojas e anúncios de cosméticos
Sintomas
No corpo
- Aperto no peito
- Coração acelerado ao pensar no futuro
- Dificuldade para dormir
- Dor de cabeça de tensão
- Nó no estômago
- Tontura ou tremores nos momentos de angústia
- Cansaço pela preocupação constante
Na mente
- Sensação de que o tempo está acabando
- Medo de deixar de ser atraente ou valorizado
- Medo de adoecer, de depender dos outros ou de ficar sozinho
- Comparação sem fim com pessoas mais jovens
- Pensamentos sobre a velhice que voltam o tempo todo
- Desânimo perto do aniversário
O que a pessoa costuma fazer
- Evitar espelhos e fotos
- Esconder ou mudar a própria idade
- Gastar muito com produtos ou procedimentos para parecer mais jovem
- Faltar a comemorações ou evitar parentes mais velhos
- Procurar na internet sinais de declínio
- Adiar exames e consultas por medo do que podem mostrar
O que causa esse medo
Acompanhar de perto a doença ou a perda de autonomia do pai, da mãe ou de um avô é um ponto de partida frequente. As mensagens da cultura também pesam: a Organização Mundial da Saúde explica que os estereótipos sobre a idade são absorvidos desde a infância e que cada pessoa pode acabar aplicando esses estereótipos a si mesma, em qualquer idade. A propaganda e as redes sociais, que ligam o valor de uma pessoa à juventude, reforçam essa ideia, e a pressão sobre a aparência tende a ser maior sobre as mulheres. Pouco convívio com pessoas idosas também pode deixar a velhice mais assustadora. Os primeiros sinais da idade ou uma fase de mudanças, como a aposentadoria, podem despertar o medo. Evitar espelhos, fotos ou conversas sobre o futuro alivia na hora, mas mantém o medo vivo.
Como pode afetar a sua vida
A gerascofobia pode tirar a alegria dos aniversários e das festas de família e fazer com que cada mudança no corpo seja vivida como uma perda. Tem quem gaste muito dinheiro e energia tentando parecer mais jovem, quem se afaste de parentes mais velhos e quem adie o check-up por medo do que o médico pode encontrar, o que atrapalha a prevenção. A comparação constante com os outros pode afetar a autoestima e o humor. Muitas vezes, o medo do futuro acaba ocupando o lugar do presente.
O que pode ajudar no dia a dia
- Notar quando a mente vê a velhice só como perda e escrever ao lado uma versão mais equilibrada
- Conviver com pessoas mais velhas que vivem essa fase com disposição, para ver outras formas de envelhecer
- Diminuir o tempo diante de propagandas e conteúdos que tratam a idade como um problema
- Manter hábitos que fazem bem, como dormir o suficiente, se movimentar do seu jeito e ver os amigos
- Treinar uma respiração lenta, soltando o ar mais devagar do que puxa, quando a angústia aparecer
Quando procurar ajuda
Vale buscar ajuda se o medo de envelhecer está presente quase todos os dias, se impede você de aproveitar comemorações e a vida em família ou se leva você a fugir de consultas e exames. Dúvidas sobre a saúde devem ir para um médico, não para a internet, e os exames pedidos não devem ficar de lado. Se a ansiedade está atrapalhando a rotina, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima ou um psicólogo ou psiquiatra. Se o seu humor estiver para baixo, o CVV atende pelo 188, a qualquer hora.
Como a hipnoterapia pode ajudar
A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de envelhecer, ela costuma ser usada para descobrir o que está por trás do medo, seja a saúde, a independência, a aparência ou a passagem do tempo. Também é usada para acalmar a angústia que aparece diante do espelho, das fotos ou dos aniversários e para ajudar a pessoa a imaginar o próprio futuro de um jeito mais equilibrado. Muitas pessoas também recebem uma gravação para ouvir em casa. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.
Fale com uma especialista

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta
Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.
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Veja também: Medo de pessoas idosas (gerontofobia).
Perguntas frequentes
O que é gerascofobia?
É um medo intenso e persistente de envelhecer, que vai além da preocupação normal com a passagem do tempo. Ela aparece quando o assunto ocupa a cabeça quase todos os dias, causa angústia e faz a pessoa evitar situações como aniversários, fotos ou consultas médicas.
É normal ter medo de envelhecer?
Sentir alguma inquietação com a idade, a saúde ou a aparência é muito comum. Passa a ser um problema quando a preocupação é constante, domina os pensamentos ou impede você de aproveitar a vida.
Pessoas jovens podem ter medo de envelhecer?
Sim. Embora seja mais associado à meia-idade, esse medo também aparece em adultos jovens, muitas vezes perto de um aniversário marcante ou depois de ver um familiar adoecer ou perder a autonomia.
Medo de envelhecer é a mesma coisa que medo da morte?
Os dois estão ligados, mas não são iguais. Para muitas pessoas, o centro do medo é perder a saúde, a independência, a beleza ou a companhia, mais do que a morte em si. Entender qual é o seu foco ajuda a saber o que trabalhar.
Como lidar com o medo de envelhecer?
O acompanhamento psicológico, individual ou em grupo, costuma ajudar, por exemplo com a terapia cognitivo-comportamental, que trabalha os pensamentos negativos sobre a velhice e os comportamentos que mantêm o medo. Também ajuda conviver com pessoas mais velhas ativas, reduzir as mensagens que tratam a idade como um problema e cuidar do bem-estar em geral.
Leia mais
Instituto de Longevidade MAG: Medo de envelhecer, saiba como combater a gerontofobia · Organización Mundial de la Salud: Envejecimiento, edadismo · Mayo Clinic: Fobias específicas, síntomas y causas
