Medo do parto (tocofobia)

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Tem mulheres que querem muito ter filhos, mas, toda vez que imaginam o parto, sentem uma angústia tão forte que preferem nem pensar no assunto e vão adiando a decisão. Outras já estão grávidas e, em vez de alegria, passam os meses sem dormir direito, contando os dias com pavor e sem coragem de dizer em voz alta o que sentem.

Entendendo esse medo

A tocofobia é um medo intenso e persistente do parto e, para algumas pessoas, também da própria gravidez. Ficar nervosa com a chegada do parto é muito comum, principalmente na primeira gestação. Na tocofobia, o medo causa um sofrimento profundo, ocupa boa parte dos pensamentos e pode influenciar decisões como ter filhos ou quando ter.

Fala-se em tocofobia primária quando o medo aparece em quem nunca engravidou, e em secundária quando ele surge depois de um parto ou de uma gestação vividos como muito difíceis. O foco muda de uma pessoa para outra: a dor, a saúde do bebê, a sensação de perder o controle, o hospital ou as agulhas. O medo atinge principalmente mulheres, mas parceiros e parceiras também podem sentir uma angústia parecida.

Gatilhos comuns

  • Um resultado positivo no exame de gravidez
  • Relatos de partos difíceis
  • Cenas de parto em novelas, séries e filmes
  • Os exames de ultrassom e as consultas do pré-natal
  • A data provável do parto se aproximando
  • Perguntas sobre quando você vai ter filhos
  • O ambiente de um hospital
  • Lembranças de um parto anterior
  • Notícias sobre complicações na gravidez

Onde ele aparece

  • Consultas de pré-natal na UBS ou no consultório
  • Hospitais e maternidades
  • Cursos de gestante e rodas de conversa sobre o parto
  • Conversas do casal sobre ter filhos
  • Almoços de família com perguntas sobre bebês
  • Chás de bebê e chás revelação
  • Redes sociais e grupos de mães
  • Amigas ou colegas de trabalho grávidas

Sintomas

No corpo

  • Coração acelerado ao pensar no parto
  • Insônia ou pesadelos
  • Respiração curta ou sensação de falta de ar
  • Tensão no pescoço, na mandíbula ou nos ombros
  • Suor, tremores ou mãos frias
  • Nó no estômago
  • Vontade de chorar sem um motivo claro

Na mente

  • Certeza de que algo vai dar errado
  • Medo intenso da dor
  • Medo de perder o controle durante o parto
  • Preocupação constante com a saúde do bebê
  • Culpa ou vergonha por sentir medo em vez de alegria
  • Imagens do parto que voltam o tempo todo

O que a pessoa costuma fazer

  • Adiar ou desistir de ter filhos, mesmo querendo
  • Evitar falar sobre gravidez ou parto
  • Atrasar ou faltar às consultas do pré-natal
  • Ler relatos de parto na internet sem parar
  • Esconder o medo para ninguém perceber
  • Pedir que não falem de partos perto dela

O que causa esse medo

Muitas vezes o medo começa antes de qualquer gravidez, com histórias de partos dramáticos contadas na família, cenas de novela e de filme ou a ideia de que dar à luz é sempre terrível. Na tocofobia secundária, o ponto de partida costuma ser um parto anterior vivido com muito medo ou sem se sentir ouvida, ou a perda de uma gestação. Outros medos podem se somar, como o medo da dor, de hospital ou de perder o controle do próprio corpo. Um histórico de ansiedade ou depressão, pouco apoio por perto e experiências difíceis ou traumáticas do passado também podem pesar. A falta de informação clara deixa espaço para imaginar o pior, e o excesso de relatos alarmantes na internet costuma piorar o quadro. Evitar o assunto traz alívio na hora, mas mantém o medo.

Como pode afetar a sua vida

A tocofobia pode pesar na decisão de ter filhos e criar tensão no casal quando os desejos não batem. Durante a gravidez, pode tirar a alegria, atrapalhar o sono e dificultar a concentração no trabalho. Muitas mulheres se sentem sozinhas, culpadas ou envergonhadas, e ficam caladas porque acham que deveriam estar felizes. Algumas têm dificuldade de se sentir ligadas ao bebê enquanto o medo ocupa tanto espaço. O medo intenso também pode vir junto com o desânimo na gravidez ou depois do nascimento, por isso não vale a pena carregar isso em silêncio.

O que pode ajudar no dia a dia

  • Contar sobre o medo o quanto antes ao médico, à enfermeira obstetra ou à equipe do pré-natal
  • Anotar as suas dúvidas antes de cada consulta, para não sair com perguntas sem resposta
  • Fazer um curso de gestante e perguntar se é possível conhecer a maternidade antes do dia
  • Escolher quais relatos ouvir e pedir com gentileza que não contem histórias de partos difíceis
  • Treinar uma respiração lenta, soltando o ar mais devagar do que puxa, em momentos tranquilos
  • Dividir o que sente com o parceiro, a parceira ou uma pessoa de confiança

Quando procurar ajuda

Vale buscar ajuda se o medo faz você adiar a vontade de ter filhos, tira o seu sono ou leva você a evitar as consultas. Se você está grávida, não deixe de ir ao pré-natal e converse com o seu médico, a enfermeira obstetra ou a equipe que acompanha você. Se não está grávida, mas o medo afeta os seus planos ou o seu ânimo, converse com um médico, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima ou busque um psicólogo ou psiquiatra. Peça apoio também se um parto anterior continua voltando à cabeça com angústia. Se você se sente muito triste ou sem esperança, procure ajuda logo; o CVV atende pelo 188, a qualquer hora. Diante de um sintoma físico urgente na gravidez, ligue para o SAMU (192).

Como a hipnoterapia pode ajudar

A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo do parto, ela costuma ser usada para entender qual parte desperta mais medo, ensaiar na imaginação as consultas e o dia do nascimento com mais calma e suavizar a reação automática de alarme diante de certas lembranças ou lugares. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico nem o pré-natal, e os resultados variam de pessoa para pessoa.

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Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.

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Perguntas frequentes

O que é tocofobia?

É um medo intenso e persistente do parto e, às vezes, também da gravidez. Vai além do nervosismo comum: causa um sofrimento profundo e pode influenciar a decisão de ter filhos ou a forma como a gestação é vivida.

É normal ter medo do parto?

Sim, sentir algum medo ou nervosismo diante do parto é muito comum, principalmente na primeira gravidez, e não é motivo de culpa. Vale pedir apoio quando o medo ocupa quase todos os seus pensamentos, tira o seu sono ou faz você evitar as consultas ou adiar planos importantes.

Qual a diferença entre tocofobia primária e secundária?

A primária aparece em quem nunca engravidou, muitas vezes por relatos, imagens ou ideias aprendidas desde cedo. A secundária surge depois de um parto ou de uma gestação vividos como muito difíceis ou traumáticos.

Dá para ter medo de engravidar sem estar grávida?

Sim. Muitas mulheres sentem esse medo bem antes de tentar engravidar, e às vezes é justamente ele que faz adiar ou desistir de ter filhos. Conversar com um médico ou um profissional de saúde mental pode ajudar a entender esse medo sem pressão e a decidir com mais calma.

Como perder o medo do parto?

Costuma ajudar contar logo à equipe que acompanha você, buscar informação em fontes confiáveis, fazer um curso de gestante e praticar técnicas de relaxamento e respiração. Quando o medo é muito intenso, o apoio psicológico, como a terapia cognitivo-comportamental, pode trabalhar o medo em si.

Leia mais

Cochrane: Intervenciones no farmacológicas para el miedo al parto durante el embarazo · Rede D’Or, Maternidade: Medo do parto, o que é normal sentir na gestação? · Cleveland Clinic: Tokophobia (fear of childbirth)