Medo do mar (talassofobia)

In English: read about this fear on Phobia Guru.

Tem gente que adora a praia enquanto está na areia, mas trava assim que a água chega na cintura e não dá mais para ver o fundo. Outras pessoas não conseguem nem olhar uma foto do fundo do oceano ou uma cena de navio em alto-mar sem sentir um frio na barriga.

Entendendo esse medo

A talassofobia é um medo intenso e persistente do mar, do oceano e de outras águas grandes e profundas, como algumas represas e lagos. É um tipo de fobia específica. Sentir alguma tensão quando o pé deixa de tocar o chão é comum. Na fobia, o medo é muito maior do que o perigo real e pode aparecer só de pensar em água funda ou de ver uma imagem.

Não é a mesma coisa que o medo de água em geral. Muitas pessoas com talassofobia entram sem problema em uma piscina rasa; o que as angustia é a imensidão, a escuridão e o que pode haver lá embaixo sem que se veja. Para algumas, o centro do medo são os animais marinhos. Para outras, é se sentir minúsculo diante de tanta água ou se afastar da beira.

Gatilhos comuns

  • Não conseguir ver o fundo
  • Água escura ou muito funda
  • Perder o pé
  • Algas ou algo encostando nas pernas
  • Ondas grandes ou mar agitado
  • Ver a costa ficando longe a partir de um barco
  • Fotos e vídeos do fundo do oceano
  • Filmes ou notícias sobre tubarões e naufrágios
  • Planejar férias na praia
  • Histórias de pessoas que quase se afogaram

Onde ele aparece

  • Na praia, principalmente quando a água passa da cintura
  • Barcos, lanchas, escunas e cruzeiros
  • Píeres, cais e travessias de balsa
  • Lagos fundos e represas
  • Passeios de snorkel e mergulho com cilindro
  • Aquários com tanques muito grandes
  • Férias no litoral com a família ou os amigos
  • Documentários, jogos e redes sociais com imagens do fundo do mar

Sintomas

No corpo

  • Coração acelerado ao chegar perto da beira
  • Respiração rápida ou sensação de falta de ar
  • Suor e tremores
  • Tontura ou pernas fracas
  • Aperto no peito
  • Frio ou nó na barriga
  • Ficar paralisado dentro da água

Na mente

  • Pavor do que não se vê debaixo da água
  • Medo de que algo puxe você para o fundo
  • Sensação de ser pequeno e indefeso diante do mar
  • Sensação de estar desligado do que acontece ao redor
  • Medo de ter uma crise de pânico longe da beira
  • Imaginar o pior durante dias antes de uma viagem ao litoral

O que a pessoa costuma fazer

  • Ficar na areia ou só molhar os pés
  • Recusar passeios de barco e de snorkel
  • Escolher sempre férias longe do mar
  • Mudar de canal ou fechar vídeos com cenas do oceano
  • Nadar só onde dá pé
  • Inventar desculpas para não ir à praia com os outros

O que causa esse medo

Uma experiência assustadora no mar, como quase se afogar, ser derrubado por uma onda ou passar por um acidente de barco, é um ponto de partida comum. O medo também pode ser aprendido ao ver outra pessoa em pânico na água, ao crescer com um familiar que tinha medo do mar ou com filmes e notícias sobre tubarões e naufrágios. Ainda assim, muitas pessoas não lembram o que deu início a ele. O mar é imenso, não deixa ver o que há embaixo e não pode ser controlado, e quem tem tendência à ansiedade pode ser mais propenso a temê-lo. Evitar o litoral por anos impede que o medo vá se ajustando e acaba por mantê-lo.

Como pode afetar a sua vida

Em um país com um litoral tão grande, o medo do mar pode reduzir as opções de férias e transformar um dia de praia com a família em algo sofrido ou evitado. Há quem recuse cruzeiros, passeios de escuna ou convites dos amigos sem explicar o motivo real, e há mães e pais que ficam angustiados vendo os filhos no mar ou que têm receio de passar o medo para eles. Ele também pode fechar a porta para atividades como o snorkel ou a vela, e a ansiedade antecipada pode estragar os dias antes de uma viagem ao litoral.

O que pode ajudar no dia a dia

  • Dar nome ao que mais assusta você, seja a profundidade, não ver o fundo, os animais ou se afastar da beira
  • Olhar fotos de água clara e rasa enquanto respira devagar e passar aos poucos para imagens mais fundas, no seu ritmo
  • Praticar uma respiração lenta, soltando o ar mais devagar do que puxa, nos dias antes de uma viagem ao litoral
  • Fazer aulas de natação em piscina, com um professor qualificado, se quiser ganhar confiança na água
  • Ir só a praias com guarda-vidas e acompanhado, ficar onde dá pé e nunca se desafiar sozinho ou no fundo

Quando procurar ajuda

Vale buscar ajuda se o medo impede você de viajar, de aproveitar o tempo com a família ou de trabalhar, se imagens do mar provocam pânico ou se ele começou depois de um susto na água que ainda parece muito presente. Se a ansiedade está atrapalhando o seu dia a dia, converse com um médico, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima ou um psicólogo ou psiquiatra. As fobias específicas costumam responder bem à terapia cognitivo-comportamental com exposição gradual.

Como a hipnoterapia pode ajudar

A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo do mar, ela costuma ser usada para identificar que parte da água funda dispara o alarme e para ensaiar na imaginação cenas como caminhar pela beira da praia ou entrar em um barco, até que pareçam possíveis. Também é usada para acalmar a reação automática diante da água escura ou das imagens do oceano, às vezes com uma gravação para ouvir em casa. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.

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Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.

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Perguntas frequentes

O que é talassofobia?

É um medo intenso e persistente do mar, do oceano e de outras águas grandes e profundas. Ter respeito pelo mar aberto é normal. Fala-se em fobia quando o medo é muito maior do que o perigo real e leva você a evitar a praia, os barcos ou até imagens do oceano.

Qual a diferença entre talassofobia e medo de água?

O medo de água em geral, às vezes chamado de aquafobia, pode aparecer com qualquer quantidade de água. A talassofobia se concentra na água grande e funda, por isso muitas pessoas que a têm entram tranquilas em uma piscina rasa, mas ficam angustiadas no mar.

Por que imagens do fundo do oceano dão tanto medo?

Na talassofobia, o cérebro associa a profundidade, a escuridão e o que não se vê a perigo, e esse alarme pode disparar mesmo com você em segurança diante de uma tela. Isso acontece com muita gente que tem esse medo, e a reação pode ir diminuindo com o tempo e a ajuda certa.

Dá para perder o medo do mar sem saber nadar?

Sim. O trabalho sobre o medo pode ser feito mesmo sem saber nadar. Se mais tarde você quiser ganhar confiança na água, aulas em piscina com um professor qualificado ajudam, e no mar o ideal é ir sempre a praias com guarda-vidas e acompanhado.

Como perder o medo do mar?

Não existe um truque único, mas as fobias específicas costumam responder bem à terapia cognitivo-comportamental e à exposição gradual, que pode começar com fotos ou realidade virtual e avançar no seu ritmo. Muitas pessoas conseguem voltar à praia com mais calma, mesmo que continuem tendo algum respeito pelo mar.

Leia mais

Manual MSD Versão Saúde para a Família: Fobias específicas · Tua Saúde: Talasofobia, qué es, síntomas, causas y tratamiento · Medical News Today: What to know about thalassophobia · WebMD: What is thalassophobia