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Tem gente que curte a praia na areia, mas, assim que entra no mar, começa a procurar barbatanas entre as ondas e sai correndo se algo encosta na perna. Outras pessoas sentem o mesmo arrepio na parte funda da piscina do clube ou do condomínio, onde é impossível haver um tubarão, e mesmo assim não conseguem tirar a imagem da cabeça.
Entendendo esse medo
A galeofobia, também chamada de selacofobia, é uma fobia específica do tipo animal: um medo intenso, persistente e desproporcional de tubarões. Ter cautela em praias onde há registro de tubarões e seguir as placas e as orientações das autoridades é sensato. Na fobia, porém, o alarme dispara mesmo quando o risco real é mínimo, por exemplo em um lago, em uma piscina ou só de ver uma foto ou ouvir a palavra tubarão.
Muitas pessoas com esse medo nunca viram um tubarão de perto. O medo costuma ser aprendido por meio de filmes, documentários e notícias, e por isso pode aparecer em quem mora longe do litoral. Muitas vezes ele se mistura com o medo do que não se vê debaixo d’água, mas não é a mesma coisa que a talassofobia: aqui o centro da angústia é o animal e a ideia de que ele pode surgir a qualquer momento.
Gatilhos comuns
- Uma barbatana ou uma sombra escura na água
- Água turva ou tão funda que não deixa ver o fundo
- Algo encostando nas pernas enquanto nada
- Deixar de sentir o chão com os pés
- Cenas de tubarão em filmes e documentários
- Notícias sobre incidentes com tubarões
- Imagens de dentes e mandíbulas
- Placas de aviso sobre tubarões na praia
- Ver os filhos nadando longe da beira
Onde ele aparece
- Praias e mar aberto
- Barcos, lanchas, pranchas de surfe e de stand up paddle
- Passeios de mergulho e de snorkel
- A parte funda da piscina
- Lagos, lagoas e represas
- Aquários
- Filmes, documentários e redes sociais
- Férias no litoral com a família ou os amigos
Sintomas
No corpo
- Coração acelerado ao entrar na água
- Respiração rápida ou sensação de falta de ar
- Suor e tremores
- Enjoo ou nó no estômago
- Tontura ou pernas fracas
- Ficar paralisado ou sair da água de repente
- Pesadelos com o mar
Na mente
- Ver uma barbatana em qualquer sombra ou reflexo
- Certeza de que há um tubarão por perto
- Imaginar o que está escondido debaixo d’água
- Sensação de estar indefeso dentro do mar
- Medo de ter uma crise de pânico longe da areia
- Angústia dias antes de ir à praia
O que a pessoa costuma fazer
- Ficar na areia ou só molhar os pés
- Vigiar a água sem parar enquanto nada
- Evitar a parte funda até na piscina
- Recusar passeios de barco, snorkel ou mergulho
- Mudar de canal diante de qualquer cena de tubarão
- Escolher sempre férias longe do mar
O que causa esse medo
O cinema tem muito a ver com esse medo. Desde a estreia de Tubarão, em 1975, muitos filmes mostraram esses animais como caçadores de pessoas, e as notícias costumam acompanhar qualquer incidente com imagens dramáticas. Assim, o medo é aprendido de segunda mão, sem que a pessoa tenha vivido nada parecido. Alguns especialistas apontam que os seres humanos tendem a temer grandes predadores, e o mar soma algo difícil de tolerar: ele não deixa ver o que está embaixo, e a mente preenche esse vazio com as piores imagens. Um susto na água ou crescer com um familiar que tinha medo do mar também podem pesar, assim como uma tendência à ansiedade. Evitar a água traz alívio na hora, mas impede de comprovar que a experiência real costuma ser tranquila, e o medo se mantém.
Como pode afetar a sua vida
A galeofobia pode reduzir as opções de férias e transformar um dia de praia em algo que se sofre ou se evita. Há quem recuse programas com os amigos sem explicar o motivo real, e mães e pais que passam a tarde tensos enquanto os filhos brincam no mar, preocupados também em passar o medo adiante. Ele também pode fechar a porta para o surfe, o mergulho ou a vela e, em alguns casos, atrapalhar o sono com pesadelos. Quando o medo aparece até na piscina, pode limitar algo tão simples quanto nadar para se exercitar.
O que pode ajudar no dia a dia
- Buscar informação sobre tubarões em fontes sérias e tranquilas, como aquários e centros de divulgação científica, e não em conteúdos sensacionalistas
- Limitar filmes e vídeos dramáticos sobre tubarões enquanto trabalha o seu medo
- Ver no seu ritmo fotos ou documentários tranquilos sobre tubarões, respirando devagar
- Visitar um aquário e observar os tubarões através do vidro, se afastando quando precisar
- Treinar uma respiração lenta, soltando o ar mais devagar do que puxa, nos dias antes de uma viagem para o litoral
- Entrar no mar só em praias com posto de guarda-vidas, acompanhado e respeitando as placas, as bandeiras e as orientações do Corpo de Bombeiros
Quando procurar ajuda
Vale buscar ajuda se o medo impede você de viajar ou de aproveitar o tempo com a família, se imagens de tubarão provocam crises de pânico ou pesadelos, ou se você já não consegue nadar nem na piscina. Se a ansiedade está atrapalhando o dia a dia, converse com um médico, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima ou busque um psicólogo ou psiquiatra. As fobias específicas costumam responder bem à terapia de exposição gradual, muitas vezes dentro da terapia cognitivo-comportamental, feita passo a passo e com acompanhamento.
Como a hipnoterapia pode ajudar
A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de tubarão, ela costuma ser usada para identificar quais imagens ou situações disparam o alarme e para ensaiar na imaginação um dia de praia tranquilo até ele parecer possível. Também é usada para acalmar a reação automática diante de uma sombra na água ou de uma cena de filme. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.
Fale com uma especialista

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta
Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.
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Perguntas frequentes
O que é galeofobia?
É uma fobia específica do tipo animal: um medo intenso e persistente de tubarões, muito mais forte do que o risco real justifica. Também é chamada de selacofobia.
Por que tenho medo de tubarão se nunca vi um?
Porque esse medo costuma ser aprendido de segunda mão, por meio de filmes, documentários e notícias que mostram os tubarões como uma ameaça constante. Nunca ter passado por uma situação ruim não torna o medo menos real, e ele pode ser trabalhado.
Galeofobia é a mesma coisa que talassofobia?
Não. A talassofobia é o medo do mar e de águas profundas em geral, enquanto a galeofobia se concentra nos tubarões. Muitas vezes os dois aparecem juntos, porque a água funda não deixa ver o que está embaixo.
É normal ter medo de tubarão na piscina ou em um lago?
Acontece com muitas pessoas com galeofobia. A mente sabe que ali não pode haver um tubarão, mas o alarme dispara do mesmo jeito com a água funda ou uma sombra. É sinal de que o medo se generalizou, e vale levar a sério se ele impede você de nadar.
Como perder o medo de tubarão?
Costuma ajudar buscar informação em fontes confiáveis, diminuir o conteúdo sensacionalista e se aproximar do tema aos poucos, por exemplo com fotos ou uma visita a um aquário. Quando o medo é forte, a terapia de exposição gradual, feita com acompanhamento profissional, é um dos tratamentos mais usados para as fobias específicas.
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