Medo de ter um bebê com malformação (teratofobia)

In English: read about this fear on Phobia Guru.

Muitas pessoas que esperam um bebê, e também quem está ao lado delas, se perguntam em algum momento se o bebê vai ficar bem. Para algumas, essa pergunta não vai embora: volta todos os dias, dispara antes de cada ultrassom e tira a calma justo em uma fase que elas esperavam aproveitar. Há até quem adie por anos a ideia de ter filhos por causa desse medo.

Entendendo esse medo

A teratofobia, no sentido usado nesta página, é uma preocupação intensa e persistente de que o bebê nasça com uma malformação ou outra anomalia congênita. A palavra também é usada às vezes com outros sentidos. Há pouca pesquisa sobre esse medo especificamente, por isso ele costuma ser entendido como uma fobia específica muito ligada à ansiedade na gravidez, ou antes dela, quando se pensa em ter um filho.

Pensar na saúde do bebê é natural e faz parte de cuidar dele. Fala-se em fobia quando a preocupação ocupa boa parte do dia, não se acalma com o acompanhamento normal nem com a palavra da equipe de saúde, ou leva a pessoa a evitar a gravidez ou as consultas. As anomalias congênitas vão de leves a graves, muitas têm tratamento ou apoio, e muitas pessoas com essas condições se desenvolvem bem e têm qualidade de vida com a assistência adequada. A vida de uma pessoa com deficiência tem o mesmo valor que qualquer outra.

Gatilhos comuns

  • Um resultado positivo de gravidez
  • Os ultrassons e os exames do pré-natal
  • A espera pelo resultado de um exame
  • Ter tomado um remédio antes de saber da gravidez
  • Casos de anomalia congênita na família

Onde ele aparece

  • Consultas de pré-natal na UBS ou no consultório
  • A sala de espera antes de um ultrassom
  • Em casa, à noite, ao repassar o dia
  • Sites de busca, fóruns e redes sociais
  • Grupos de mensagens de gestantes
  • O planejamento de uma gravidez

Sintomas

No corpo

  • Coração acelerado antes de cada consulta
  • Tensão muscular e dor de cabeça
  • Aperto no estômago
  • Dificuldade para dormir
  • Cansaço pela preocupação constante

Na mente

  • Imaginar de novo e de novo que algo vai dar errado
  • Ler qualquer comentário médico como má notícia
  • Culpa por coisas feitas antes de saber da gravidez
  • Duvidar de resultados normais
  • Dificuldade de sentir alegria com a chegada do bebê

O que a pessoa costuma fazer

  • Pesquisar na internet durante horas
  • Pedir consultas extras para se acalmar
  • Perguntar a mesma coisa várias vezes à família ou à equipe de saúde
  • Sentir vontade de faltar aos ultrassons por medo do resultado
  • Adiar uma gravidez desejada

O que causa esse medo

Raramente há uma causa única. Pode pesar ter passado por uma perda ou por uma gravidez difícil, ter na família alguém com uma condição congênita ou ter ouvido histórias que marcaram. Como em outras fobias específicas, contam o histórico de ansiedade e um temperamento mais sensível à incerteza. Parte do medo vem do fato de que nem tudo está sob controle: em muitos casos não é possível identificar a causa de uma anomalia congênita, e nem todas podem ser evitadas. Isso também significa que, na maioria das situações, não há culpa da gestante nem da família. Pesquisar sem parar acalma por um tempo, mas mantém a preocupação acesa.

Como pode afetar a sua vida

A preocupação constante pode tirar a alegria da gravidez e dificultar o vínculo com o bebê que está a caminho. A tensão pode chegar ao casal e à família, que nem sempre sabem como ajudar. Em alguns casos, o medo leva a adiar uma gravidez desejada ou a querer evitar as consultas e os exames, justamente o que mais protege a saúde da gestante e do bebê.

O que pode ajudar no dia a dia

  • Manter as consultas de pré-natal e levar as dúvidas anotadas, para tirar com a equipe de saúde e não na internet
  • Contar ao médico ou à enfermeira do pré-natal que a preocupação está grande, para que expliquem cada exame e cada resultado
  • Conversar com a equipe de saúde antes de tomar qualquer remédio ou suplemento e perguntar quais cuidados recomendam, como o ácido fólico
  • Conversar com alguém de confiança ou com um grupo de apoio para gestantes e futuros pais
  • Treinar uma respiração lenta antes das consultas e enquanto espera resultados

Quando procurar ajuda

Se você está grávida ou planeja uma gravidez, o médico, a enfermeira e a equipe do pré-natal, inclusive na Unidade Básica de Saúde (UBS) pelo SUS, são o primeiro lugar para tirar dúvidas sobre a saúde do bebê; esta página não pode avaliar nenhum caso. Se há casos de anomalia congênita na família ou se você tomou algum remédio, conte à equipe, e não interrompa um tratamento indicado sem conversar antes com o médico. Vale buscar ajuda para o medo em si se ele ocupa boa parte do dia, tira o sono ou faz você querer evitar as consultas. Converse com a equipe de saúde ou com um psicólogo ou psiquiatra, de preferência cedo. Se a tristeza ou o desânimo estão presentes na maior parte do tempo, o CVV atende pelo 188, a qualquer hora.

Como a hipnoterapia pode ajudar

A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de ter um bebê com malformação, ela costuma ser usada para baixar o nível geral de alerta, tolerar melhor a incerteza e chegar com mais calma às consultas e à espera dos resultados. Também é comum trabalhar lembranças que alimentam o medo, como uma gravidez anterior difícil. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico nem o pré-natal, e os resultados variam de pessoa para pessoa.

Fale com uma especialista

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.

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Perguntas frequentes

É normal ter medo de o bebê nascer com algum problema?

Sim, se perguntar se o bebê vai ficar bem é muito comum, principalmente na primeira gravidez. Vira um problema quando a preocupação ocupa boa parte do dia, não se acalma com o acompanhamento normal ou faz você evitar a gravidez ou as consultas. Nesse caso, vale conversar com a equipe do pré-natal.

Dá para prevenir as anomalias congênitas?

Nem todas. Em muitos casos não é possível identificar uma causa. Algumas medidas reduzem os riscos, como começar o pré-natal o mais cedo possível, não usar álcool, cigarro nem outras drogas, manter sob controle as doenças que já existiam, deixar a vacinação em dia e só tomar remédios ou suplementos com orientação, incluindo o ácido fólico quando indicado.

Os exames do pré-natal mostram todas as malformações?

Não. Muitas condições podem ser vistas no pré-natal, por exemplo no ultrassom, e outras só são percebidas no nascimento ou nos primeiros meses de vida. A equipe do pré-natal pode explicar quais exames existem, o que cada um pode mostrar e quais fazem sentido no seu caso.

O que fazer se o medo não me deixa aproveitar a gravidez?

Conte ao seu médico ou à equipe do pré-natal: a ansiedade na gravidez é frequente e existe ajuda. Um psicólogo ou psiquiatra pode acompanhar você, e quanto antes começar, antes vem o alívio. Conversar com alguém de confiança também ajuda a não carregar esse peso sem apoio.

Leia mais

Ministério da Saúde: Anomalias congênitas · KidsHealth en español: Cuidar de su salud mental durante el embarazo · Mayo Clinic: Fobias específicas, síntomas y causas