Medo de tecnologia (tecnofobia)

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Tem gente que adia por meses a atualização do celular com medo de perder tudo. Outras pessoas travam diante do caixa eletrônico, do totem de autoatendimento ou de um cadastro na internet, e preferem enfrentar uma fila longa ou pedir para um filho ou neto resolver por elas.

Entendendo esse medo

A tecnofobia é um medo intenso e persistente de tecnologia: computadores, celulares, caixas eletrônicos, aplicativos, aparelhos inteligentes ou inteligência artificial. Quase todo mundo já se irritou com um aplicativo que trava ou com uma senha esquecida. Na tecnofobia, a reação é muito maior do que o problema real, vem com ansiedade no corpo e leva a pessoa a evitar tarefas que hoje fazem parte da rotina, como pagar uma conta pelo aplicativo do banco ou marcar uma consulta pela internet.

Ela não aparece como diagnóstico próprio nos manuais de saúde mental, mas, quando o medo é intenso, pode funcionar como uma fobia específica. Também se fala em tecnoansiedade e, no trabalho, em tecnoestresse, a tensão de se adaptar o tempo todo a sistemas novos. O foco muda de pessoa para pessoa: errar e estragar alguma coisa, perder dinheiro ou dados, cair em um golpe, sentir-se vigiado ou passar vergonha por não saber usar um aparelho. Pode surgir em qualquer idade, embora seja mais comum em pessoas mais velhas.

Gatilhos comuns

  • Um aviso de atualização no celular ou no computador
  • Caixas eletrônicos e totens de autoatendimento
  • Cadastros na internet que expiram por tempo
  • Senhas, códigos por SMS e verificação em duas etapas
  • Mensagens de erro inesperadas
  • Chamadas de vídeo
  • Um sistema novo no trabalho
  • Notícias sobre golpes, ataques de hackers ou inteligência artificial
  • O aviso de que um serviço agora só é feito pela internet

Onde ele aparece

  • Aplicativos de banco e pagamentos por Pix
  • Serviços do governo que pedem a conta gov.br
  • Agendamentos e resultados de exames pela internet
  • Supermercados com caixas de autoatendimento
  • Catracas e máquinas de recarga no metrô e no ônibus
  • O escritório e os treinamentos em sistemas novos
  • Compras pela internet
  • Grupos da família no WhatsApp

Sintomas

No corpo

  • Coração acelerado diante da tela
  • Mãos suadas ou trêmulas
  • Respiração curta ou aperto no peito
  • Frio na barriga ou enjoo
  • Tontura
  • Dor de cabeça depois de usar o computador

Na mente

  • Medo de estragar algo ou apagar tudo com um clique
  • Medo de perder dinheiro ou cair em um golpe
  • Mente em branco ao ler as instruções
  • Sensação de estar velho demais ou de ter ficado para trás
  • Sensação de ser vigiado pelos aparelhos

O que a pessoa costuma fazer

  • Adiar atualizações por meses
  • Pedir para outras pessoas resolverem tudo pela internet
  • Enfrentar fila para ser atendido por uma pessoa
  • Conferir cada passo várias vezes antes de confirmar
  • Fugir de cursos, treinamentos ou chamadas de vídeo
  • Criticar ou rejeitar qualquer mudança tecnológica

O que causa esse medo

Raramente existe uma causa só. Uma experiência ruim, como um golpe, um arquivo perdido ou um momento de pressão diante de uma máquina, pode deixar a tecnologia associada a perigo ou vergonha. A falta de prática e de orientação pesa muito, porque diante de um aparelho complicado que a pessoa não sabe usar o natural é se afastar. Mudanças constantes e obrigatórias, como uma nova forma de pagar contas ou um sistema imposto no trabalho sem treinamento, aumentam a tensão. Notícias e filmes sobre tecnologia que dá errado, a preocupação com o futuro e um histórico de ansiedade também podem somar. Evitar o problema, ou deixar que outra pessoa resolva sempre, traz alívio na hora, mas impede que a confiança cresça.

Como pode afetar a sua vida

A tecnofobia pode ir deixando a pessoa de fora de serviços que hoje funcionam principalmente pela internet, como o banco, os serviços públicos e o agendamento de consultas, e às vezes isso custa tempo e dinheiro. No trabalho, pode travar promoções ou fazer com que cada troca de sistema seja vivida com angústia. Depender sempre de filhos, netos ou colegas para tarefas simples tira a independência e pode trazer tensão ou culpa. Também pode aumentar o isolamento, principalmente quando a família mora longe e se fala por mensagens. Com os anos, o medo pode abalar a confiança em si mesmo.

O que pode ajudar no dia a dia

  • Praticar uma tarefa por vez, como abrir uma mensagem, alguns minutos por dia
  • Pedir para alguém paciente sentar ao seu lado enquanto você faz a tarefa, em vez de fazer por você
  • Ler com calma as mensagens de erro antes de reagir, porque muitas vezes elas dizem o que fazer
  • Procurar cursos de inclusão digital para adultos em bibliotecas, centros comunitários ou na prefeitura
  • Praticar uma respiração lenta, soltando o ar mais devagar do que puxa, quando sentir a tensão subir

Quando procurar ajuda

Vale procurar ajuda se o medo impede você de fazer tarefas necessárias, como pagar contas ou marcar consultas, se provoca crises de pânico ou se está ligado a um golpe que ainda deixa você angustiado. Se a ansiedade está atrapalhando o seu trabalho ou o seu dia a dia, converse com um médico, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou busque um psicólogo ou psiquiatra. Se você também se sente sozinho ou com o humor para baixo, conte para alguém de confiança. O CVV atende pelo 188, a qualquer hora.

Como a hipnoterapia pode ajudar

A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de tecnologia, ela costuma ser usada para entender o que está por trás do medo, seja errar, perder dinheiro ou se sentir exposto, e para ensaiar na imaginação tarefas concretas, como fazer um Pix, até elas parecerem possíveis. Também é comum trabalhar a reação automática de alarme diante de uma tela ou de um aviso inesperado e reforçar a confiança para aprender. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.

Fale com uma especialista

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.

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Perguntas frequentes

Tecnofobia é uma fobia de verdade?

Ela não aparece como diagnóstico próprio nos manuais de saúde mental, mas, quando o medo é intenso, dura muito tempo e leva a pessoa a evitar tarefas necessárias, se parece muito com uma fobia específica, e alguns profissionais a tratam assim. Mais do que o nome, importa o quanto ela limita a sua vida.

Qual a diferença entre tecnofobia e tecnoestresse?

O tecnoestresse é a tensão causada pelo uso da tecnologia, muito ligada ao trabalho, às mudanças constantes e ao excesso de informação. A tecnofobia é descrita como uma forma de tecnoansiedade centrada no medo, que leva a pessoa a evitar a tecnologia e até a não querer pensar ou falar sobre ela.

Pessoas idosas conseguem perder o medo de tecnologia?

Sim. A tecnofobia é mais comum em pessoas mais velhas, mas a idade não impede ninguém de aprender. Ter dificuldade com um aparelho novo não tem nada a ver com falta de inteligência, e muitas vezes a pessoa só precisa de mais tempo. Ir no seu ritmo, com uma tarefa por vez e alguém paciente ao lado, costuma funcionar melhor do que tentar aprender tudo de uma vez.

Por que atualizar o celular dá tanta ansiedade?

Uma atualização muda coisas que você já sabia usar e costuma aparecer sem aviso, o que desperta o medo de perder fotos, contatos ou o controle do aparelho. Fazer antes um backup, com ajuda se precisar, pode tirar boa parte dessa pressão.

Como perder o medo de tecnologia?

Costuma ajudar a exposição gradual, ou seja, praticar aos poucos com aquilo que dá medo, junto com a terapia cognitivo-comportamental para mudar pensamentos catastróficos. Cursos para adultos e o apoio de pessoas próximas e pacientes também ajudam a ganhar confiança passo a passo.

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