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Para muita gente, a sexta-feira 13 é motivo de brincadeira, de maratona de filme de terror ou de bater na madeira só por garantia. Para outras pessoas, ver essa data chegando no calendário traz dias de inquietação, planos cancelados e a sensação de que qualquer coisa que der errado será culpa do dia.
No Brasil, a sexta-feira 13 é a data de azar mais conhecida, e as crenças em torno dela passam de geração em geração, junto com o gato preto, o espelho quebrado e a escada que não se deve passar por baixo.
Entendendo esse medo
A parascavedecatriafobia é um medo intenso e persistente da sexta-feira 13. Ela é muito ligada à triscaidecafobia, o medo do número 13 em geral. Muita gente bate na madeira ou anda com mais cuidado nesse dia quase como uma brincadeira, e esquece tudo no dia seguinte. Na fobia, a preocupação começa dias ou semanas antes, a pessoa reorganiza a agenda para não fazer nada importante na data e passa o dia tensa, esperando que algo ruim aconteça.
Quem vive esse medo costuma saber que uma data não pode causar um acidente, e mesmo assim não consegue se acalmar. Como a sexta-feira 13 cai de uma a três vezes por ano, a angústia vai e volta, mas pode deixar uma inquietação de fundo no resto do tempo. Respeitar as crenças religiosas ou culturais de cada pessoa é compatível com cuidar do medo quando ele começa a limitar a vida.
Gatilhos comuns
- Ver a data marcada no calendário
- Um voo, uma consulta ou uma prova marcados para esse dia
- Brincadeiras e mensagens sobre azar nos grupos de WhatsApp
- Filmes e propagandas de terror
- O número 13 em um quarto, um assento ou um endereço
- Um pequeno contratempo logo de manhã
- Outras superstições, como gato preto ou espelho quebrado
- Ter que assinar ou decidir algo importante
Onde ele aparece
- Em casa, ao olhar a agenda da semana
- No trabalho, com reuniões ou entregas marcadas
- Em aeroportos e rodoviárias
- Ao reservar hotel ou pousada e ver o número do quarto
- Em consultas médicas ou compromissos com data fixa
- Em casamentos, mudanças e outros eventos importantes
- Na escola ou na faculdade, em dia de prova
Sintomas
No corpo
- Tensão que cresce conforme a data se aproxima
- Dormir mal na noite anterior
- Nó no estômago
- Coração acelerado diante de qualquer imprevisto
- Dor de cabeça ou no pescoço
- Sensação de estar em alerta o dia inteiro
Na mente
- Esperar que algo ruim aconteça a qualquer momento
- Ler cada contratempo como prova de azar
- Se culpar se algo der errado por não ter evitado o dia
- Saber que o medo não tem lógica e sentir mesmo assim
- Pensar na data com semanas de antecedência
O que a pessoa costuma fazer
- Cancelar ou adiar os planos do dia
- Ficar em casa o máximo possível
- Adiar decisões, assinaturas ou compras
- Usar amuletos ou seguir pequenos rituais
- Conferir o calendário várias vezes
- Pedir aos outros que confirmem que tudo vai dar certo
O que causa esse medo
As superstições são aprendidas, quase sempre na infância, com a família, a escola e a cultura em que a pessoa cresce. A má fama do 13 tem raízes antigas e variadas, de relatos religiosos a mitos nórdicos, e a da sexta-feira 13 como data específica parece ter se espalhado no fim do século XIX e no começo do século XX, ajudada depois pelo cinema. Quem estuda superstições explica que acreditar em um dia de azar dá uma sensação de ordem diante da incerteza: se o perigo está em uma data, basta evitá-la. A memória também contribui, porque guarda a sexta-feira 13 em que algo deu errado e esquece as que passaram sem nada de especial. Um histórico pessoal ou familiar de ansiedade, ou uma fase de muito estresse, pode transformar uma superstição comum em um medo difícil de controlar. E cada vez que a data é evitada e nada acontece, o alívio reforça a ideia de que evitar foi o que protegeu.
Como pode afetar a sua vida
Mesmo parecendo algo pequeno, esse medo pode ter custos reais. Há quem falte ao trabalho, mude a data de uma viagem, de uma mudança ou de um casamento, ou recuse uma oportunidade porque ela cai no dia errado. Outras pessoas cumprem os planos, mas passam o dia tensas e terminam exaustas. Como amigos e família costumam levar o assunto na brincadeira, fica difícil falar sobre isso sem se sentir julgado. Quando os rituais e as conferências se estendem a outras datas, números ou situações, o medo passa a ocupar muito mais espaço do que um ou dois dias por ano.
O que pode ajudar no dia a dia
- Anotar o que aconteceu nas últimas sextas-feiras 13 e comparar com outras sextas
- Perguntar a si mesmo se o mesmo contratempo chamaria atenção em outra data
- Manter um compromisso pequeno que você costuma cancelar e, mais adiante, outro um pouco maior
- Reservar para o dia algo agradável, como um almoço com alguém querido
- Diminuir posts e notícias sobre a data na semana anterior
- Praticar uma respiração lenta na noite anterior, soltando o ar mais devagar do que puxa
Quando procurar ajuda
Vale buscar ajuda se você cancela com frequência trabalho, viagens ou compromissos por causa da data, se a preocupação começa semanas antes ou se os rituais e as conferências estão se espalhando para outras partes da sua vida. Se a ansiedade está atrapalhando o seu dia a dia, converse com um médico, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um psicólogo ou psiquiatra.
Como a hipnoterapia pode ajudar
A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de sexta-feira 13, ela costuma ser usada para identificar quando e como a superstição foi aprendida e para ensaiar na imaginação um dia com essa data que passa normalmente. Também é usada para acalmar a reação automática de alarme que dispara ao ver a data ou diante de um pequeno imprevisto, sem pedir a ninguém que abra mão das suas crenças. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.
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Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta
Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.
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Perguntas frequentes
Por que a sexta-feira 13 é considerada dia de azar?
Não existe uma origem única. A má fama do número 13 é ligada a vários relatos antigos, como o do 13º convidado na Última Ceia ou um mito nórdico sobre um convidado indesejado, e na tradição cristã a sexta-feira é associada à crucificação. A ideia da sexta-feira 13 como data de azar parece ter se popularizado no fim do século XIX, e o cinema levou essa crença para o mundo todo.
Em outros países a data de azar é diferente?
Sim. Na maioria dos países de língua espanhola, a data tradicional de azar é a terça-feira 13, associada a Marte, o deus romano da guerra, e a um ditado popular que aconselha não casar nem viajar nesse dia. Por lá, a sexta-feira 13 ficou conhecida mais tarde, sobretudo por filmes e séries dos Estados Unidos.
A sexta-feira 13 é mais perigosa?
Não há provas científicas de que seja. Um estudo de um centro de estatísticas de seguros da Holanda, citado pela National Geographic, chegou a encontrar menos acidentes, incêndios e roubos registrados nas sextas-feiras 13 do que em outras sextas. O que muda é a forma como os contratempos desse dia ficam na memória.
Qual a diferença entre parascavedecatriafobia e triscaidecafobia?
A triscaidecafobia é o medo do número 13 em geral, que leva, por exemplo, a evitar o 13º andar ou o assento 13. A parascavedecatriafobia gira em torno da data da sexta-feira 13. Muitas pessoas têm um pouco das duas.
Acreditar em azar é fobia?
Não necessariamente. Bater na madeira ou andar com mais cuidado nesse dia é um costume muito comum e não costuma causar problemas. Fala-se em fobia quando o medo é intenso, dura no tempo e leva a mudar planos, perder oportunidades ou passar o dia com muita angústia.
Leia mais
National Geographic en español: De dónde viene el miedo al viernes 13 · Unidiversidad, Universidad Nacional de Cuyo: El martes 13 y las demás supersticiones, chivos expiatorios de la incertidumbre · Manual MSD Versão Saúde para a Família: Fobias específicas · Live Science: Origins of Friday the 13th
