In English: read about this fear on Phobia Guru.
Tem gente que confere a tranca da porta três ou quatro vezes antes de dormir e ainda levanta para checar de novo. Outras pessoas andam na rua com a bolsa ou a mochila apertada contra o corpo, reparam em cada pessoa que se aproxima e preferem não sair depois que escurece.
Entendendo esse medo
A harpaxofobia é um medo intenso de ser assaltado ou roubado, na rua ou em casa, que leva a conferir trancas várias vezes e a evitar sair. Há pouca pesquisa sobre esse medo especificamente, por isso ele costuma ser entendido como uma fobia específica: um medo desproporcional ao perigo real de cada momento, que aparece na situação ou só de pensar nela e que leva a evitá-la.
Tomar cuidados razoáveis, como trancar a porta ou prestar atenção nas suas coisas no meio de muita gente, é sensato. Na fobia, o alerta não desliga: a pessoa vigia o tempo todo, confere o que já conferiu e deixa de fazer coisas que gostaria. Também é diferente do medo que muita gente sente por um tempo depois de passar por um assalto, uma reação compreensível que costuma ir diminuindo.
Gatilhos comuns
- Barulhos em casa durante a noite
- Passos ou vozes perto da porta
- Alguém andando logo atrás na rua
- Desconhecidos que chegam perto para perguntar algo
- Empurra-empurra em lugares cheios
- Usar o celular ou mexer na carteira em público
- Notícias ou mensagens no grupo do condomínio sobre assaltos
- Deixar a casa vazia durante uma viagem
Onde ele aparece
- Em casa, principalmente à noite
- A rua na volta para casa depois que escurece
- Pontos de ônibus, ônibus e metrô lotados
- Caixas eletrônicos e agências bancárias
- Feiras, shoppings e shows
- Estacionamentos e semáforos
- Hotéis e viagens para lugares desconhecidos
- O bairro ou a rua onde aconteceu um assalto
Sintomas
No corpo
- Coração disparado ao ouvir um barulho inesperado
- Sustos frequentes
- Tensão muscular constante
- Suor e mãos frias
- Respiração rápida ou sensação de falta de ar
- Sono leve, acordando com qualquer barulho
Na mente
- Pensar que um assalto pode acontecer a qualquer momento
- Desconfiança de qualquer desconhecido
- Dúvida constante se a porta ficou bem trancada
- Sensação de não estar seguro em lugar nenhum
O que a pessoa costuma fazer
- Conferir trancas e janelas várias vezes
- Evitar sair, principalmente à noite
- Andar com as coisas apertadas contra o corpo o tempo todo
- Deixar de usar ônibus e metrô ou de ir a lugares cheios
- Pedir a outras pessoas que façam as compras ou resolvam pendências
- Não viajar para não deixar a casa sozinha
O que causa esse medo
Como em outras fobias específicas, raramente há uma causa só. Ter sido assaltado, ou saber que isso aconteceu com alguém próximo, é um ponto de partida comum. O medo também pode ser aprendido ao crescer com adultos que viam perigo em tudo, e o histórico de ansiedade na família pode influenciar. Algumas pessoas sentem o mundo como ameaçador mesmo em situações do dia a dia, e o excesso de notícias sobre crimes pode reforçar essa ideia. Conferir, vigiar e evitar traz alívio na hora, mas mantém o medo.
Como pode afetar a sua vida
Esse medo pode ir reduzindo a vida à casa e a poucos trajetos conhecidos. Tem quem deixe de encontrar os amigos à noite, recuse trabalhos que exigem circular pela cidade ou evite viajar para não deixar a casa vazia. As conferências tomam tempo, e dormir atento a cada barulho deixa cansaço. A família também pode se desgastar se precisar seguir as mesmas rotinas. Se você percebe que está se isolando ou muito para baixo, procure apoio; o CVV atende pelo 188, a qualquer hora.
O que pode ajudar no dia a dia
- Fazer uma única conferência de portas e janelas antes de dormir, sem repetir
- Tomar cuidados sensatos com as suas coisas sem transformá-los em vigilância constante
- Limitar o tempo com notícias e vídeos sobre crimes, inclusive nos grupos de mensagens
- Praticar uma respiração lenta, soltando o ar mais devagar do que puxa, também em momentos tranquilos
- Retomar aos poucos saídas curtas e conhecidas, com companhia no começo se isso ajudar
- Falar sobre o que sente com alguém de confiança, principalmente se você já foi assaltado
Quando procurar ajuda
Vale buscar ajuda se o medo de ser assaltado impede você de sair, trabalhar, estudar ou dormir, se provoca crises de pânico ou se as conferências tomam boa parte do seu dia. Se você foi assaltado e, depois de algumas semanas, as lembranças continuam voltando sem querer, com pesadelos ou a sensação de estar sempre em alerta, também é hora de pedir apoio. Converse com um médico, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima ou busque um psicólogo ou psiquiatra. A terapia cognitivo-comportamental, que inclui a exposição gradual, costuma dar bons resultados nas fobias específicas. Se você estiver em perigo agora, ligue para a Polícia Militar (190) e, se alguém estiver ferido, para o SAMU (192).
Como a hipnoterapia pode ajudar
A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de ser assaltado, ela costuma ser usada para explorar o que mais assusta, como ficar em casa à noite ou andar na rua, e para ensaiar na imaginação essas situações vividas com mais calma. Quando o medo nasceu de um assalto vivido, o trabalho é feito com cuidado e no ritmo de cada pessoa. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico nem o psicológico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.
Fale com uma especialista

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta
Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.
Marcar conversa gratuita pelo Zoom
Conversa de 30 minutos, sem compromisso.
Perguntas frequentes
O que é harpaxofobia?
É um medo intenso e persistente de ser assaltado ou roubado, que vai além da precaução normal. É considerada uma fobia específica quando o medo é desproporcional ao risco real, dura muito tempo e limita a vida diária, por exemplo quando a pessoa evita sair ou confere a casa várias vezes.
É normal ficar com medo depois de um assalto?
Sim. Depois de um assalto, é compreensível sentir medo, se assustar com facilidade ou dormir mal por um tempo, e na maioria das pessoas essas reações vão diminuindo. Se depois de algumas semanas elas continuam fortes ou impedem você de levar a vida, vale procurar um psicólogo ou psiquiatra.
Qual a diferença entre ser precavido e ter harpaxofobia?
A precaução é pontual: você tranca a porta, cuida das suas coisas e segue o dia. Na fobia, o alerta é constante, as conferências se repetem mesmo depois de feitas e o medo leva você a deixar de sair, viajar ou ver outras pessoas.
Dá para superar o medo de ser assaltado?
Sim. As fobias específicas costumam responder bem à ajuda psicológica, principalmente à terapia cognitivo-comportamental, que trabalha os pensamentos de perigo e propõe voltar às situações evitadas passo a passo. Se o medo começou depois de um assalto, a terapia também pode ajudar a processar essa experiência.
Leia mais
Manual MSD Versão Saúde para a Família: Fobias específicas · ¡HOLA!: Si tienes un miedo intenso y persistente a que te roben, puedes padecer esta fobia · MedlinePlus en español: Trastorno de estrés postraumático
