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Tem gente que não tem medo de um lugar nem de um bicho, e sim da própria sensação de medo. Basta uma batida mais forte do coração ou uma tontura leve para voltar a mesma pergunta: e se acontecer de novo? Aos poucos, a vida começa a girar em torno de não sentir aquilo outra vez.
Entendendo esse medo
A fobofobia é o medo de sentir medo, ou seja, de passar de novo pelos sinais da ansiedade, como o coração acelerado, a falta de ar ou a tontura. Ela costuma começar depois de uma primeira crise de pânico muito assustadora. A partir daí, a pessoa fica atenta ao próprio corpo, e qualquer sensação parecida é vivida como o aviso de uma nova crise. Em geral não é considerada um diagnóstico à parte, mas a preocupação persistente com novas crises é uma das características centrais do transtorno de pânico, que muita gente no Brasil chama de síndrome do pânico, um transtorno de ansiedade reconhecido.
Durante uma crise de ansiedade é muito comum ter medo de desmaiar, perder o controle, ter um problema no coração ou enlouquecer. Esse medo intenso de perder a cabeça é um sintoma frequente da ansiedade e não significa que isso esteja acontecendo. Mesmo assim, a experiência é tão desagradável que a mente passa a vigiar e a evitar, e essa vigilância alimenta a ansiedade.
Gatilhos comuns
- Perceber o coração acelerado ou uma batida mais forte
- Tontura ao levantar rápido
- Falta de ar depois de subir escadas
- Lugares quentes, fechados ou cheios
- Lembrar de uma crise anterior
- Ouvir alguém contar sobre uma crise de pânico
- Café forte ou energéticos
- Sentir-se sem saída, como em uma fila longa ou no trânsito parado
Onde ele aparece
- Filas, supermercados e lojas
- Ônibus, metrô e trem
- Rodovias e viagens longas
- Reuniões de trabalho ou aulas
- Cinemas, teatros e shows
- Na cama, à noite
- Longe de casa ou de um lugar conhecido
- Salas de espera
Sintomas
No corpo
- Coração acelerado ou palpitações
- Aperto no peito
- Tontura ou sensação de desmaio
- Formigamento nas mãos ou no rosto
- Suor e tremores
- Enjoo ou mal-estar no estômago
Na mente
- Medo de desmaiar ou perder o controle
- Achar que há algo errado com o coração
- Medo de enlouquecer
- Sensação de irrealidade, como se tudo estivesse estranho
- Vigiar o corpo em busca de sinais
- Angústia que cresce dias antes de um compromisso
O que a pessoa costuma fazer
- Evitar os lugares onde já teve uma crise
- Procurar sempre a saída mais próxima
- Carregar sempre água ou outros objetos que dão segurança
- Medir o pulso ou checar a respiração
- Pedir aos outros que confirmem que está tudo bem
- Parar de fazer exercício para não se agitar
O que causa esse medo
Muitas vezes tudo começa com uma primeira crise de pânico vivida como uma ameaça real. Depois dessa experiência, a mente aprende a ver as sensações do corpo como perigosas. Um coração rápido depois de subir uma escada ou uma tontura leve passam a ser lidos como o começo de outra crise, isso libera mais adrenalina e as sensações aumentam, o que parece confirmar o medo. Também podem pesar o histórico de ansiedade na família, fases de muito estresse, grandes mudanças na vida ou um temperamento mais sensível às sensações físicas. Evitar lugares ou depender de comportamentos de segurança impede de perceber que a ansiedade sobe, chega ao ponto máximo e depois baixa.
Como pode afetar a sua vida
A vida pode ir encolhendo aos poucos. Tem quem deixe de dirigir, de ir à academia, de sair à noite ou de aceitar trabalhos que envolvem viagens. Em alguns casos, o medo de ter uma crise longe de casa leva à agorafobia, que é evitar lugares de onde seria difícil sair ou receber ajuda. O parceiro, a família ou os amigos podem acabar tranquilizando a pessoa o tempo todo, o que desgasta todo mundo. Também são comuns as idas repetidas ao pronto-socorro ou ao médico.
O que pode ajudar no dia a dia
- Respirar devagar pelo nariz, soltando o ar mais devagar do que puxa, assim que perceber o primeiro sinal
- Lembrar que uma crise de ansiedade costuma chegar ao pico em poucos minutos e depois baixa
- Diminuir o café, o álcool e os energéticos
- Voltar aos poucos aos lugares do dia a dia que você evita, de preferência com orientação profissional, e ficar até a sensação diminuir
- Anotar o que você temia que acontecesse e o que aconteceu de verdade
Quando procurar ajuda
Vale buscar ajuda se o medo de sentir medo está decidindo aonde você vai, se as crises se repetem ou se você começou a evitar lugares ou atividades. Se você sente dor no peito, palpitações ou falta de ar pela primeira vez, ou de um jeito diferente do habitual, passe primeiro por um médico, e diante de uma dor no peito repentina ou de muita dificuldade para respirar, ligue para o SAMU (192). Para a ansiedade, converse com um médico, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou fale com um psicólogo ou psiquiatra. A terapia cognitivo-comportamental é muito usada no pânico, e qualquer remédio deve ser indicado por um médico. Se o desânimo estiver pesado, o CVV atende pelo 188, a qualquer hora.
Como a hipnoterapia pode ajudar
A hipnoterapia trabalha com um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de sentir medo, ela costuma ser usada para aprender a perceber as sensações do corpo sem lê-las como perigo e para ensaiar na imaginação as situações evitadas até que pareçam possíveis. Também é usada para treinar uma resposta de calma que possa ser retomada no primeiro sinal de ansiedade, muitas vezes com uma gravação para ouvir em casa. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.
Fale com uma especialista

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta
Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.
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Perguntas frequentes
O que é fobofobia?
É o medo de sentir medo, principalmente de voltar a ter as sensações de uma crise de ansiedade ou de pânico. Em geral não é considerada um diagnóstico à parte, mas o medo persistente de novas crises é uma parte central do transtorno de pânico.
Uma crise de pânico pode fazer mal?
Uma crise de pânico é muito desagradável, mas não é considerada perigosa em si, e costuma chegar ao pico em poucos minutos. Como os sintomas podem parecer os de um problema no coração, se eles forem novos ou houver dúvida, um médico deve avaliar.
Sentir que vai enlouquecer significa que está acontecendo?
Não. O medo de perder o controle ou de enlouquecer é um dos sintomas mais comuns de uma crise de ansiedade, e não significa que isso esteja acontecendo. Se esse medo aparece com frequência, vale conversar com um médico ou com um psicólogo ou psiquiatra.
Por que tenho medo de sentir medo?
Depois de uma crise muito intensa, a mente fica em alerta para que ela não se repita. Essa vigilância faz você perceber mais as sensações do corpo e interpretá-las como perigo, o que aumenta a ansiedade e mantém o círculo.
Fobofobia é a mesma coisa que síndrome do pânico?
As duas se parecem muito, mas não são exatamente a mesma coisa. O medo de novas crises faz parte do transtorno de pânico, e a fobofobia também pode surgir a partir de outra fobia, quando o que mais assusta é a própria reação. Só um profissional pode avaliar o que acontece em cada caso.
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