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Tem gente que fica pálida assim que vê um corte pequeno no dedo, e gente que sente a vista escurecer só de ouvir falar de uma cirurgia. Muitas pessoas passam anos adiando exames de sangue ou mudando de canal quando aparece um ferimento na tela, sem contar a ninguém o que sentem.
Entendendo esse medo
A hemofobia, também chamada de hematofobia ou fobia de sangue, é um medo intenso e persistente de ver sangue, seu ou de outra pessoa, ao vivo ou em uma tela. Muita gente sente aflição ao ver um machucado e desvia o olhar por um instante. Na fobia, a reação é muito maior do que o risco real, a angústia pode começar dias antes de um exame e a pessoa organiza parte da vida para não ver sangue.
O que diferencia esse medo de outras fobias é a reação do corpo. Primeiro o coração acelera, mas depois a pulsação e a pressão arterial podem cair de repente. Essa queda, chamada de reação vasovagal, explica por que muitas pessoas ficam tontas ou chegam a desmaiar, e por que, com o tempo, passam a temer o desmaio tanto quanto o sangue. Também é comum sentir nojo além de medo, e ter ao mesmo tempo medo de agulha ou de ferimentos.
Gatilhos comuns
- Um corte ou arranhão, mesmo pequeno
- Um sangramento no nariz
- Ver alguém machucado depois de uma queda
- Fazer coleta de sangue para exame
- Cenas de cirurgia ou ferimentos em séries e filmes
- Ouvir falar de cirurgias ou acidentes
- Um curativo manchado de sangue
- Vídeos de parto ou de procedimentos médicos
- Aulas de primeiros socorros
- Um filho que se machuca e sangra
Onde ele aparece
- Consultórios e Unidades Básicas de Saúde
- Laboratórios de análises clínicas
- Hospitais, prontos-socorros e UPAs
- Consultas de pré-natal
- Aulas de biologia ou de primeiros socorros
- Na cozinha, ao cortar carne crua
- Jogos de futebol e esportes de contato
- Cinema, televisão e redes sociais
Sintomas
No corpo
- Coração acelerado que de repente fica lento
- Tontura ou sensação de que tudo está girando
- Palidez e suor frio
- Vista embaçada ou escurecendo
- Enjoo
- Pernas fracas
- Desmaio ou sensação de que vai desmaiar
Na mente
- Medo de desmaiar em público
- Nojo intenso ao ver ou imaginar sangue
- Sensação de irrealidade ou de estar longe da cena
- Vergonha por reagir assim sendo adulto
- Preocupação por não conseguir ajudar em uma emergência
- Pensar durante dias em um exame que está chegando
O que a pessoa costuma fazer
- Adiar exames de sangue e check-ups
- Desviar o olhar ou sair do cômodo
- Mudar de canal diante de qualquer cena médica
- Descartar cursos ou trabalhos ligados à saúde
- Evitar hospitais e laboratórios
- Pedir para outra pessoa cuidar dos machucados em casa
O que causa esse medo
Esse medo costuma começar na infância, e é frequente haver parentes com o mesmo medo ou com ansiedade, o que aponta para uma mistura de sensibilidade herdada e do que se aprende em casa. Um ferimento grave, uma internação ou uma coleta de sangue que deu errado também podem ser o ponto de partida. Uma hipótese é que a queda de pressão diante de um ferimento possa ter servido, no passado, para perder menos sangue. Quem já desmaiou uma vez pode passar a temer principalmente desmaiar de novo. Evitar o sangue alivia na hora, mas mantém o medo vivo.
Como pode afetar a sua vida
O efeito mais sério costuma ser na saúde. Quem evita exames, check-ups ou exames preventivos pode demorar a descobrir problemas que são tratados melhor quando aparecem cedo. O medo também pode fechar portas profissionais, como a enfermagem, a medicina ou a veterinária. Na gravidez, os exames frequentes do pré-natal e a ideia do parto podem trazer muita angústia. Há pais e mães que temem não conseguir socorrer um filho que se machuca, e pessoas que, depois de desmaiar em público, passam a evitar cada vez mais situações.
O que pode ajudar no dia a dia
- Avisar o enfermeiro ou o médico de que você costuma ficar tonto, para ser atendido deitado
- Deitar logo se sentir tontura ou suor frio e levantar devagar quando passar
- Comer algo e beber água antes de um exame, a não ser que tenham pedido jejum
- Perguntar a um psicólogo sobre a tensão aplicada, uma técnica de contrair os músculos para a pressão não cair tanto
- Desviar o olhar e treinar antes uma respiração lenta e tranquila
Quando procurar ajuda
Vale buscar ajuda se o medo faz você adiar exames, vacinas, check-ups ou tratamentos, ou se limita os seus estudos ou o seu trabalho. Não deixe de fazer os exames que foram pedidos; conte sobre o medo à equipe de saúde, porque ela pode adaptar o atendimento. Se você desmaiar pela primeira vez ou com frequência, procure um médico para investigar outras causas. Se alguém não recuperar a consciência em um ou dois minutos ou tiver dor no peito, ligue para o SAMU (192). Para o medo em si, converse com um médico, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima ou um psicólogo ou psiquiatra.
Como a hipnoterapia pode ajudar
A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de sangue, ela costuma ser usada para entender quando o medo começou e para ensaiar na imaginação um exame ou um pequeno acidente em casa até que pareçam possíveis de enfrentar. Como pode haver tontura, muitas vezes é combinada com técnicas práticas, como a tensão aplicada, para a pessoa saber o que fazer se a fraqueza aparecer. Também é usada para suavizar o nojo e o alarme automático diante do sangue. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.
Fale com uma especialista

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta
Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.
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Perguntas frequentes
O que é hemofobia?
É um medo intenso e persistente de sangue, seu ou de outra pessoa, que vai muito além do desconforto normal ao ver um machucado. É considerada uma fobia específica, e o que a diferencia é que a reação do corpo pode terminar em tontura ou desmaio.
Por que algumas pessoas desmaiam ao ver sangue?
Em muitas pessoas com esse medo, o coração acelera primeiro e depois a pulsação e a pressão arterial caem de repente. Essa reação, chamada vasovagal, reduz por um momento o sangue que chega ao cérebro e pode causar tontura ou desmaio. Se sentir que vai desmaiar, deite-se. Se acontecer pela primeira vez ou com frequência, procure um médico.
Hemofobia e hematofobia são a mesma coisa?
Sim. As duas palavras dão nome ao medo de sangue, também chamado de fobia de sangue. Os especialistas incluem esse medo em um grupo mais amplo de medos de sangue, injeção e ferimentos, por isso é comum uma pessoa ter vários deles ao mesmo tempo.
Como fazer exame de sangue com medo?
Avise a equipe antes de começar, peça para fazer a coleta deitado se costuma ficar tonto e desvie o olhar enquanto tiram o sangue. Ir com alguém de confiança e respirar devagar também ajuda. O importante é não deixar de fazer o exame, porque com o atendimento certo muitas pessoas com esse medo conseguem fazer a coleta com mais tranquilidade.
Dá para perder o medo de sangue?
Sim, esse medo costuma responder bem à ajuda certa. A exposição gradual, dentro da terapia cognitivo-comportamental, é a abordagem mais estudada e às vezes é combinada com a tensão aplicada em quem tende a desmaiar. O comum é avançar aos poucos, começando por imagens e passando depois para situações reais.
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