Medo de répteis (herpetofobia)

In English: read about this fear on Phobia Guru.

Para algumas pessoas, ver uma lagartixa correndo pela parede basta para sair do quarto e só voltar depois que alguém conferir tudo. Outras evitam o zoológico, mudam de canal quando aparece um documentário com jacarés ou passam as férias na praia olhando para o teto antes de apagar a luz.

Entendendo esse medo

A herpetofobia é um medo intenso e persistente de répteis, como lagartixas, calangos, iguanas, tartarugas, jabutis e jacarés, e às vezes também de anfíbios, como sapos, rãs e pererecas. É uma fobia específica do tipo animal. Muita gente sente aversão a esses bichos e simplesmente se afasta. Na fobia, o medo é desproporcional ao perigo real e pode ser disparado só por uma foto ou por alguém falando do animal.

Esse medo tem muito em comum com o medo de cobra, chamado ofidiofobia, mas inclui mais animais, e há quem tenha medo de um tipo só, como a lagartixa que aparece dentro de casa. Para algumas pessoas, o pior é o movimento rápido e imprevisível. Para outras, é a pele, a língua ou o olhar parado do animal. A pessoa costuma saber que uma lagartixa não vai fazer mal, mas o alarme chega antes do raciocínio.

Gatilhos comuns

  • Um movimento rápido na parede ou no chão
  • Encontrar uma lagartixa dentro de casa
  • A pele com escamas ou áspera
  • Uma língua que entra e sai da boca
  • O olhar parado do animal
  • Barulho no mato ou nas folhas secas
  • Um sapo ou uma perereca que pula de repente
  • Fotos, filmes e documentários sobre répteis
  • Répteis de brinquedo ou de borracha

Onde ele aparece

  • Casas e quintais, principalmente em dias quentes
  • Jardins, praças e terrenos com mato alto
  • Beiras de rios, lagoas e áreas alagadas
  • Zoológicos e pet shops
  • Casas de amigos que criam iguana, jabuti ou outro réptil
  • Casas de praia, pousadas e viagens para o interior
  • Passeios da escola e idas ao sítio
  • Televisão e redes sociais

Sintomas

No corpo

  • Coração disparado ao ver um réptil
  • Suor e tremores
  • Respiração curta ou sensação de falta de ar
  • Enjoo ou frio na barriga
  • Tontura ou sensação de desmaio
  • Arrepios ou sensação de que algo anda pela pele

Na mente

  • Medo de que o animal corra na sua direção ou suba em você
  • Aversão intensa à ideia de tocar nele
  • Não conseguir relaxar sabendo que há um por perto
  • Achar que ele pode aparecer na cama, na roupa ou no sapato
  • Imagens do animal que voltam sem parar
  • Saber que o medo é exagerado e mesmo assim não conseguir controlá-lo

O que a pessoa costuma fazer

  • Conferir quartos, sapatos e cantos antes de usar
  • Pedir para outra pessoa olhar um lugar primeiro
  • Sair de repente de um lugar ao ver um réptil
  • Evitar jardins, praças ou a casa de certas pessoas
  • Mudar de canal ou fechar um vídeo assim que aparece um

O que causa esse medo

Um susto com um réptil, como uma lagartixa que cai perto ou um sapo que pula de repente, pode deixar uma marca duradoura, sobretudo na infância. O medo também é aprendido ao ver o pai, a mãe ou um irmão se assustar, e filmes e histórias populares costumam mostrar esses animais como ameaçadores. Ter familiares com fobias ou ansiedade, ou um jeito de ser mais ansioso, pode aumentar o risco. Alguns pesquisadores sugerem que os seres humanos detectam certas formas, como a de uma cobra, com uma rapidez especial. Evitar os répteis, ou conferir cada canto várias vezes, alivia na hora, mas mantém viva a ideia de que o perigo é real.

Como pode afetar a sua vida

Em boa parte do Brasil, a lagartixa faz parte da paisagem de qualquer casa, e esse medo pode fazer a pessoa não se sentir tranquila nem no próprio quarto. Pode ficar difícil dormir, ir ao quintal ou ficar sozinho em um cômodo. Há quem deixe de fazer trilhas ou de visitar amigos que têm bichos de estimação, e quem recuse viagens para o sítio ou para a praia com os filhos. A vergonha leva muita gente a carregar o medo em silêncio, e tanto evitar pode isolar e pesar no humor.

O que pode ajudar no dia a dia

  • Lembrar que a grande maioria das lagartixas e dos lagartos não é venenosa e costuma fugir das pessoas
  • Treinar uma respiração lenta, soltando o ar mais devagar do que puxa, para usar quando vir um
  • Chegar perto do tema no seu ritmo, começando por desenhos, depois fotos e depois vídeos curtos sem som
  • Buscar informação em fontes confiáveis sobre os répteis da sua região
  • Manter distância de répteis silvestres e não tentar tocar, pegar ou tirar o animal sozinho

Quando procurar ajuda

Vale buscar ajuda se o medo não deixa você descansar em casa, impede passeios ou viagens ou provoca crises de pânico. Converse com um médico, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima ou um psicólogo ou psiquiatra. A terapia cognitivo-comportamental e a exposição gradual com acompanhamento são abordagens comuns para fobias de animais. Se é uma criança que tem um medo que não passa, vale levar a um pediatra. Se um réptil morder você, procure atendimento médico, e se o ferimento for grave ou você passar mal, ligue para o SAMU (192). Se o medo está isolando você e o ânimo está baixo, o CVV atende pelo 188, a qualquer hora.

Como a hipnoterapia pode ajudar

A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de répteis, ela costuma ser usada para entender o que dispara o alarme e para ensaiar na imaginação encontros tranquilos, como ver uma lagartixa na parede sem sair correndo. Também é comum trabalhar a reação automática diante de um movimento rápido, sempre sem animais de verdade. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.

Fale com uma especialista

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.

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Perguntas frequentes

O que é herpetofobia?

É um medo intenso e persistente de répteis, como lagartixas, iguanas, tartarugas ou jacarés, e às vezes também de anfíbios, como sapos e pererecas. Vai além da aversão comum: aparece mesmo quando o animal não oferece perigo e pode levar a pessoa a evitar lugares e atividades.

Qual a diferença entre herpetofobia e ofidiofobia?

A ofidiofobia é o medo específico de cobras. A herpetofobia abrange os répteis em geral, então pode incluir as cobras, mas muitas pessoas têm medo sobretudo de lagartixas ou de outros répteis, e não tanto de cobras.

Por que tenho tanto medo de lagartixa se ela não faz mal?

As fobias funcionam abaixo do raciocínio: o alarme dispara antes de a mente ter tempo de pensar, e um movimento rápido e inesperado é exatamente o que o aciona. Saber que a grande maioria das lagartixas não é venenosa e tende a fugir ajuda, mas sozinho costuma não bastar para acalmar o medo.

É preciso tocar em um réptil para superar o medo?

Não. Não é preciso tocar nem segurar um réptil para o medo diminuir, e nunca é uma boa ideia tentar isso por conta própria, sobretudo com animais silvestres. Quando um profissional usa a exposição gradual, ele avança passo a passo, no seu ritmo, começando por imagens.

Como perder o medo de répteis?

Costuma ajudar ir aos poucos: aprender sobre esses animais, treinar a respiração lenta e se aproximar do tema por meio de imagens antes de qualquer encontro real. Se o medo limita a sua vida, a terapia cognitivo-comportamental com exposição gradual, guiada por um profissional, é a abordagem mais usada para fobias de animais.

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