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Tem gente que nada tranquila no mar até ver, debaixo d’água, a corrente de uma boia, o casco de um barco ou as estacas de um píer sumindo no escuro. Outras pessoas sentem um arrepio só de ver nas redes sociais a foto de um navio naufragado ou de uma estátua no fundo do mar.
Entendendo esse medo
A submecanofobia é um medo intenso de objetos feitos pelo ser humano que estão total ou parcialmente debaixo d’água, como navios naufragados, submarinos, hélices, boias, estátuas submersas ou ralos de piscina. É um termo recente, muito difundido na internet, e não aparece como diagnóstico à parte: entra no grupo das fobias específicas. Sentir inquietação diante de uma imagem estranha do fundo do mar é comum. Na fobia, o medo é desproporcional, dura no tempo e leva a evitar a água, os barcos ou certas imagens.
Parece com a talassofobia, o medo de mar profundo, mas não é a mesma coisa. Há pessoas que nadam sem problema em águas fundas e só entram em pânico quando aparece um objeto artificial sob a superfície. Muitas se incomodam com a sensação de que aquele objeto não deveria estar ali, com o tamanho dele ou com a ideia de ficar enroscadas. Outras temem principalmente o que não se vê direito na água turva.
Gatilhos comuns
- Fotos e vídeos de navios naufragados
- O casco ou a hélice de um barco vistos de baixo
- Correntes de boias e âncoras
- Estacas de píer que somem na água
- Ralos e grades no fundo da piscina
- Estátuas e esculturas submersas
- Água turva onde não se vê o fundo
- Cidades e igrejas que ficaram debaixo d’água em represas
Onde ele aparece
- A parte funda da piscina
- Portos, cais e píeres
- Passeios de barco, de escuna ou de lancha
- Lagos, rios e represas
- Snorkel e mergulho
- Barcos com fundo de vidro
- Aquários grandes
- Redes sociais e documentários sobre o mar
Sintomas
No corpo
- Frio na barriga ao ver o objeto
- Coração disparado
- Pele arrepiada ou calafrios
- Suor e pernas trêmulas
- Enjoo ou tontura
- Vontade urgente de sair da água
Na mente
- Sensação de que aquilo não deveria estar ali
- Imaginar que o objeto se mexe ou puxa para baixo
- Medo de ficar enroscado ou preso
- Sentir perigo mesmo sabendo que não há
O que a pessoa costuma fazer
- Evitar fotos e vídeos do fundo do mar
- Nadar só onde dá para ver o fundo
- Não entrar em barcos nem andar em píeres
- Fechar os olhos ao nadar
- Examinar a água antes de entrar
- Deixar de nadar nas férias
O que causa esse medo
Não se sabe ao certo por que esse medo aparece. A água desvia a luz e faz os objetos submersos parecerem maiores e mais próximos do que são, e o que fica meio escondido no escuro deixa espaço para a mente imaginar o pior. Debaixo d’água as pessoas enxergam e se movem com dificuldade, e uma forma desconhecida pode acionar um alarme muito antigo diante do perigo. Além disso, navios afundados lembram naufrágios, tragédias e cenas de filmes. Em algumas pessoas, o medo nasce de um susto na infância, e ele também pode ser aprendido ao ver o medo de outras pessoas. Evitar as imagens e a água traz alívio, mas impede a pessoa de perceber que o objeto não faz mal.
Como pode afetar a sua vida
Esse medo pode tirar o prazer das férias na praia, de um dia na represa ou de uma tarde na piscina do clube ou do condomínio. Algumas pessoas deixam de nadar ou de mergulhar, recusam passeios de barco ou ficam tensas quando os filhos brincam em águas onde não se vê o fundo. Ele também pode aparecer de repente, quando a foto de um navio naufragado surge no celular enquanto a pessoa olha as redes sociais. Mesmo quando dá para desviar, vale cuidar dele se está limitando os programas com a família ou os amigos.
O que pode ajudar no dia a dia
- Silenciar ou ocultar perfis que postam imagens de naufrágios e do fundo do mar
- Respirar devagar, soltando o ar mais devagar do que puxa, quando algo assustar você
- Lembrar que o objeto está há anos no mesmo lugar e não vem na sua direção
- Nadar só em lugares seguros e vigiados, como piscinas ou praias com guarda-vidas, sem se afastar de onde você se sente tranquilo
- Identificar o que exatamente incomoda, como o tamanho, a forma ou a escuridão da água
- Ver aos poucos fotos de objetos submersos, começando pelas menos impactantes
Quando procurar ajuda
Vale buscar ajuda se o medo impede você de nadar, de aproveitar as férias ou de acompanhar a família na água, se provoca crises de pânico ou se está se espalhando para outras situações. Converse com um médico, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima ou um psicólogo ou psiquiatra. Se o pânico aparecer enquanto você nada, o mais seguro é ir para a borda ou para a areia e sair da água, e só voltar quando estiver bem.
Como a hipnoterapia pode ajudar
A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de objetos submersos, ela costuma ser usada para descobrir qual parte da imagem assusta mais e para ensaiar na imaginação cenas de água e de objetos sob a superfície até ficarem mais tranquilas. Também é usada para acalmar o susto automático que aparece ao ver uma foto ou uma forma na água. Muitas pessoas recebem ainda uma gravação para ouvir em casa. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.
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Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta
Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.
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Perguntas frequentes
O que é submecanofobia?
É o medo intenso de objetos criados pelo ser humano que estão debaixo d’água, como navios naufragados, hélices ou boias. Não é um diagnóstico à parte, mas pode ser considerado uma fobia específica quando o medo é desproporcional, dura meses e atrapalha a vida diária.
Qual a diferença entre submecanofobia e talassofobia?
A talassofobia é o medo do mar profundo ou de grandes massas de água em geral. A submecanofobia se concentra nos objetos artificiais submersos. Há pessoas que têm os dois medos, e outras que nadam em águas fundas sem medo até verem algo feito pelo ser humano sob a superfície.
Por que navios naufragados dão tanto medo?
A água distorce a luz e faz o navio parecer maior e mais próximo, as bordas se perdem no escuro e a mente completa o que não vê com imagens de perigo. A ligação com naufrágios e tragédias também pesa.
É normal sentir medo ao ver fotos do fundo do mar?
Sentir um arrepio diante de uma imagem estranha é muito comum, e muita gente procura essas fotos justamente pela sensação que elas causam. Vira um problema quando o medo faz você evitar a água, os barcos ou as férias, ou quando provoca crises de pânico.
Dá para superar o medo de objetos submersos?
Sim. As fobias específicas costumam responder bem à terapia cognitivo-comportamental e à exposição gradual, que pode começar com fotos ou com a imaginação, e em alguns casos com realidade virtual, antes de passar para situações reais e seguras. As técnicas de relaxamento ajudam a lidar com a ansiedade na hora.
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Medical News Today: Submechanophobia · PsyPost: Submechanophobia, the psychology behind the fear of sunken objects · Manual MSD Versão Saúde para a Família: Fobias específicas · Mayo Clinic: Fobias específicas, síntomas y causas
