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Tem gente que guarda todas as facas em uma gaveta fechada e prefere não cozinhar a ter que segurar uma. Outras pessoas sentem um arrepio ao ver uma tesoura aberta em cima da mesa ou a ponta de um lápis virada na direção delas, mesmo sabendo que ninguém está correndo perigo.
Entendendo esse medo
A aicmofobia é um medo intenso e persistente de objetos pontiagudos ou cortantes, como facas, tesouras, alfinetes, agulhas, cacos de vidro ou até quinas de móveis. Manusear uma faca com cuidado é sensato. Na fobia, o medo é muito maior do que o risco real: pode aparecer só de ver ou imaginar o objeto e leva a pessoa a evitar tarefas do dia a dia, como cozinhar, costurar ou fazer pequenos consertos em casa.
Esse medo costuma ser agrupado com os medos de sangue, ferimentos e injeções, e muitas pessoas com aicmofobia também têm medo de agulha. O foco não é igual para todo mundo. Algumas pessoas temem se cortar ou que alguém se corte por descuido. Outras sofrem com pensamentos repentinos e indesejados sobre usar o objeto para machucar alguém, que assustam justamente porque vão contra quem a pessoa é. Esses pensamentos são frequentes na ansiedade e no transtorno obsessivo-compulsivo, e tê-los não significa que a pessoa vá agir de acordo com eles.
Gatilhos comuns
- Ver uma faca em cima da mesa
- Tesouras abertas
- Uma ponta virada na sua direção
- Agulhas em exames de sangue ou vacinas
- Alfinetes e pregos
- Cacos de vidro
- Lápis apontados e outros objetos com ponta
- Quinas de móveis
- Cenas com facas em filmes e novelas
- Outra pessoa usando uma faca por perto
Onde ele aparece
- A cozinha de casa
- Restaurantes e refeições com talheres
- Consultórios, laboratórios e salas de vacina
- O dentista
- Costura e artesanato
- Consertos em casa com ferramentas
- A escola, com tesouras e compassos
- Filmes, séries e novelas
Sintomas
No corpo
- Coração disparado ao ver o objeto
- Mãos trêmulas
- Respiração rápida
- Suor
- Tontura ou sensação de desmaio
- Enjoo
- Vontade urgente de se afastar
Na mente
- Medo de se cortar ou de que alguém se corte
- Imaginar acidentes várias vezes
- Pensamentos repentinos e indesejados sobre machucar alguém
- Angústia e culpa por ter esses pensamentos
- Sensação de que algo ruim vai acontecer
- Medo de perder o controle
O que a pessoa costuma fazer
- Esconder ou trancar os objetos cortantes
- Evitar cozinhar ou pedir que outra pessoa corte a comida
- Adiar exames, vacinas ou o dentista
- Usar só talheres sem ponta
- Sair do cômodo quando alguém usa uma faca
- Pedir aos outros que confirmem que nada aconteceu
O que causa esse medo
Não se conhece uma causa única. Muitas vezes o medo começa depois de uma experiência assustadora, como um corte feio, um acidente em casa ou ver alguém se machucar. Ele também pode ser aprendido com adultos muito medrosos. Um histórico de ansiedade na família e um temperamento mais sensível podem influenciar, e esse medo costuma começar na infância. Em algumas pessoas, ele se liga a padrões obsessivo-compulsivos: um pensamento indesejado causa angústia, e esconder os objetos, conferir ou pedir que alguém tranquilize traz um alívio que dura pouco. Esse alívio ensina à mente que o perigo era real e mantém o medo vivo.
Como pode afetar a sua vida
A aicmofobia pode transformar tarefas simples, como preparar a comida, embrulhar um presente ou pregar um botão, em fonte de angústia. Há quem dependa de outras pessoas para cortar os alimentos, o que pode gerar tensão em casa e vergonha. O efeito mais sério costuma aparecer na saúde, quando o medo de agulha ou dos instrumentos leva a adiar exames, vacinas ou o tratamento no dentista. Quando há pensamentos indesejados, muitas pessoas sofrem em silêncio por medo de serem julgadas, e isso pode trazer isolamento e desânimo.
O que pode ajudar no dia a dia
- Antes de um exame, uma vacina ou o dentista, avisar sobre o medo para que a equipe vá com calma e, se sentir fraqueza, pedir para deitar
- Treinar uma respiração lenta antes de cozinhar, soltando o ar mais devagar do que puxa
- Usar utensílios com capa ou protetor e guardar os objetos cortantes no lugar quando não estiverem em uso
- Deixar passar os pensamentos que assustam, sem brigar com eles nem tentar conferi-los
- Avançar em passos pequenos, por exemplo olhando fotos de objetos pontiagudos antes de usá-los
Quando procurar ajuda
Vale buscar ajuda se o medo impede você de cozinhar ou de fazer tarefas da casa, se leva você a evitar exames, vacinas ou o dentista, ou se está se espalhando para cada vez mais objetos. Não deixe de lado exames nem tratamentos: conte sobre o medo à equipe de saúde para que o atendimento seja adaptado. O atendimento odontológico do SUS, pelo Brasil Sorridente, começa na UBS. Se você tem pensamentos indesejados sobre objetos cortantes que se repetem e angustiam, converse com um médico ou procure um psicólogo ou psiquiatra; eles são frequentes na ansiedade e têm tratamento. A Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima também pode orientar. Se em algum momento você sentir que você ou outra pessoa não está em segurança, procure ajuda imediatamente e ligue para o SAMU (192). O CVV também atende pelo 188, a qualquer hora.
Como a hipnoterapia pode ajudar
A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de objetos pontiagudos, ela costuma ser usada para entender de onde vem o medo e para acalmar a reação automática de alarme que dispara ao ver uma faca ou uma agulha. Também é comum ensaiar na imaginação tarefas concretas, como cortar legumes ou fazer um exame de sangue, enquanto a pessoa se mantém tranquila. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico nem psicológico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.
Fale com uma especialista

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta
Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.
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Perguntas frequentes
O que é aicmofobia?
É um medo intenso e persistente de objetos pontiagudos ou cortantes, como facas, tesouras, agulhas ou cacos de vidro. Ter cuidado com uma faca é sensato; fala-se em fobia quando o medo é muito maior do que o risco real e leva a evitar tarefas do dia a dia ou cuidados de saúde.
Por que tenho medo de faca?
Pode vir de um corte ou de um acidente que assustou, de algo aprendido em casa ou de uma tendência à ansiedade. Às vezes o medo não é da faca em si, mas de pensamentos repentinos sobre machucar alguém que aparecem sem querer. Entender qual é o seu caso ajuda a escolher o apoio certo.
Ter pensamentos de machucar alguém com uma faca significa que vou fazer isso?
Não. Pensamentos indesejados que assustam e vão contra os seus valores são frequentes na ansiedade e no transtorno obsessivo-compulsivo, e tê-los não significa que você vá agir de acordo com eles. Se eles se repetem e angustiam, converse com um médico ou um profissional de saúde mental, porque têm tratamento. Se em algum momento você sentir que pode perder o controle, procure ajuda imediatamente e ligue para o SAMU (192).
Qual a relação entre aicmofobia e medo de agulha?
São medos próximos e muitas vezes andam juntos, porque os dois fazem parte do grupo de medos de sangue, ferimentos e injeções. Nesses medos, algumas pessoas ficam tontas ou desmaiam. Se isso acontece com você, avise a enfermagem ou o médico antes de começar e peça para deitar se sentir fraqueza.
Dá para superar o medo de objetos pontiagudos?
Sim. As fobias específicas costumam responder bem à terapia de exposição, uma forma de terapia cognitivo-comportamental que aproxima a pessoa do objeto aos poucos, junto com técnicas de relaxamento. Muitas pessoas notam avanços em pouco tempo, embora cada uma tenha o seu ritmo.
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