Medo de multidão (enoclofobia)

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Tem gente que faz as compras em horários estranhos ou pela internet para não cruzar com ninguém, e que há anos não vai a um show ou a um jogo no estádio. Outras pessoas até vão, mas passam o tempo todo procurando a saída com os olhos e vão embora assim que o lugar começa a encher.

Entendendo esse medo

A enoclofobia, também chamada de oclofobia ou demofobia, é um medo intenso e persistente de multidões. Sentir algum desconforto em um vagão de metrô lotado ou em uma loja cheia é normal. Na fobia, a ansiedade sobe muito rápido, às vezes só de pensar em um lugar cheio de gente, e surge uma necessidade urgente de sair. A pessoa pode se sentir esmagada, presa ou sobrecarregada, mesmo que o lugar não seja perigoso.

Costuma ser considerada uma fobia específica do tipo situacional. Parece com a agorafobia, mas a agorafobia é mais ampla: é um transtorno de ansiedade reconhecido em que a pessoa teme lugares dos quais seria difícil sair ou receber ajuda se o pânico chegar, e a multidão é só uma dessas situações. Também é diferente da ansiedade social, cujo centro é o medo de ser julgado. Às vezes elas aparecem juntas, e só um profissional pode avaliar o que se encaixa melhor em cada caso.

Gatilhos comuns

  • Ficar muito perto de desconhecidos
  • Não enxergar onde fica a saída
  • Empurrões e esbarrões
  • Barulho e música no volume máximo
  • Filas que quase não andam
  • O horário de pico no transporte
  • Uma onda repentina de gente
  • Eventos dos quais é difícil ir embora
  • Calor e ar abafado
  • Se perder das pessoas com quem se está

Onde ele aparece

  • Metrô, trem e ônibus lotados no horário de pico
  • Lojas, supermercados e shoppings cheios
  • Shows, festivais e estádios de futebol
  • Blocos de Carnaval, Réveillon na praia e festas juninas
  • Parques de diversão e pontos turísticos
  • Aeroportos e rodoviárias
  • Ruas de comércio popular em época de festas
  • Casamentos, baladas e bares cheios

Sintomas

No corpo

  • Coração disparado ao perceber que o lugar está enchendo
  • Falta de ar ou sensação de sufoco
  • Calor repentino ou sensação de desmaio
  • Tremores ou tontura
  • Aperto no peito
  • Enjoo ou mal-estar no estômago
  • Sensação de irrealidade, como se tudo estivesse distante

Na mente

  • Medo de ser esmagado em um tumulto
  • Sensação de estar preso e sem saída
  • Medo de ter uma crise de pânico em público
  • Preocupação em perder o controle ou desmaiar
  • Medo de se perder de quem está junto
  • Vigiar o ambiente sem parar em busca de perigo

O que a pessoa costuma fazer

  • Comprar pela internet ou só em horários tranquilos
  • Recusar convites para eventos
  • Ficar sempre perto da saída
  • Ir embora antes de o evento terminar
  • Fugir do horário de pico ou andar longas distâncias a pé
  • Sair só com alguém de confiança

O que causa esse medo

A causa nem sempre é clara. Muitas pessoas ligam o medo a uma experiência que assustou, como se perder no meio da multidão quando criança, ficar presa em um tumulto ou ter uma crise de pânico em um lugar cheio. Ver o pai ou a mãe angustiados no meio de muita gente também pode ensinar o medo. Histórico familiar de ansiedade e pouca tolerância à incerteza podem deixar algumas pessoas mais propensas. Notícias sobre acidentes, contágios ou violência em lugares públicos também podem aumentar a preocupação. Evitar multidões traz alívio imediato, e é justamente esse alívio que mantém o medo vivo.

Como pode afetar a sua vida

Esse medo pode complicar coisas do dia a dia, como ir ao trabalho, fazer compras ou usar o transporte público. Muitas pessoas perdem shows, jogos, casamentos, o Carnaval ou viagens de férias, e sentem que ficam de fora dos programas da família e dos amigos. Com o tempo, a vida pode ir se reduzindo a lugares tranquilos e horários pouco comuns, o que aumenta a solidão. Se a evitação cresce, o medo pode se espalhar para outras situações e ficar cada vez mais parecido com a agorafobia.

O que pode ajudar no dia a dia

  • Treinar uma respiração lenta, soltando o ar mais devagar do que puxa, e fixar o olhar em um objeto neutro quando a ansiedade subir
  • Começar por lugares com algum movimento em horários tranquilos e avançar aos poucos, no seu ritmo
  • Antes de um evento, localizar as saídas e algum canto calmo para fazer uma pausa
  • Diminuir o cafezinho, os energéticos e o álcool, que podem aumentar a ansiedade
  • Se o pânico subir, parar em um lugar seguro e deixar a onda passar, em vez de sair correndo

Quando procurar ajuda

Vale buscar ajuda se o medo faz você evitar o transporte, as lojas ou os eventos, se começa a prender você em casa ou se está se espalhando para lugares novos. Como ele pode ter relação com a agorafobia, o transtorno de pânico ou a ansiedade social, que são transtornos de ansiedade reconhecidos, o mais indicado é conversar com um médico, procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima ou um psicólogo ou psiquiatra. A terapia cognitivo-comportamental com exposição gradual é uma das abordagens mais usadas, e pedir ajuda cedo evita que o medo cresça. Se você estiver se sentindo muito sozinho ou com o ânimo baixo, o CVV atende pelo 188, a qualquer hora.

Como a hipnoterapia pode ajudar

A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de multidão, ela costuma ser usada para esclarecer do que o medo realmente trata, seja a sensação de estar preso, de ser esmagado ou de perder o controle, e para ensaiar na imaginação situações com muita gente até elas serem vividas com mais calma. Também é usada para diminuir a reação automática de alarme que dispara quando a pessoa percebe que o lugar está enchendo. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.

Fale com uma especialista

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.

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Perguntas frequentes

O que é enoclofobia?

É um medo intenso e persistente de multidões, também chamado de oclofobia ou demofobia. Vai além do desconforto normal em um lugar cheio: a ansiedade sobe rápido, vem a vontade de fugir e a pessoa acaba evitando shows, lojas ou o transporte no horário de pico.

Medo de multidão é a mesma coisa que agorafobia?

Não, embora sejam parecidos. A agorafobia é um transtorno de ansiedade mais amplo, em que a pessoa teme lugares dos quais seria difícil sair ou pedir ajuda se o pânico chegar, como o transporte público, espaços abertos ou filas. O medo de multidão pode fazer parte dela, por isso vale que um profissional avalie cada caso.

Por que entro em pânico no meio de muita gente?

As multidões juntam proximidade, barulho, calor e poucas saídas à vista, e a mente pode interpretar tudo isso como perigo. Se você já passou por uma experiência ruim em um lugar cheio, o alarme pode disparar antes mesmo de qualquer coisa acontecer.

Tudo bem ir embora quando bate o pânico no meio da multidão?

Sim, ir para um lugar mais tranquilo está tudo bem. Com o tempo, a ideia é perceber que o pânico sobe, chega a um pico e depois baixa, para que sair correndo não seja a única forma de se acalmar.

Como perder o medo de multidão?

Costuma ajudar a exposição gradual, começando por lugares com pouca gente e avançando aos poucos, junto com técnicas de respiração e relaxamento. A terapia cognitivo-comportamental é uma das abordagens mais usadas, e o ideal é fazer esse trabalho com um profissional, principalmente se houver crises de pânico.

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