Medo de montanha-russa

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Tem gente que passa o dia inteiro no parque de diversões tomando conta das mochilas enquanto a família pega a fila da montanha-russa. Outras pessoas se deixam convencer, sentam no carrinho e, assim que a trava de segurança fecha, sentem que o coração vai explodir e só pensam em descer.

Entendendo esse medo

O medo de montanha-russa é um medo intenso de andar nesse brinquedo e, às vezes, até de chegar perto dele. Muita gente simplesmente não gosta, e isso é uma escolha válida. Ele se parece mais com uma fobia quando a angústia começa dias antes, quando a fila provoca pânico ou quando o medo se estende a outros brinquedos ou à velocidade. Em inglês, às vezes esse medo é chamado de veloxrotaphobia, mas esse não é um diagnóstico médico reconhecido.

O centro do medo varia. Para algumas pessoas, o principal é a queda ou a velocidade. Para outras, é ficar presa pela trava sem poder sair, não saber para onde o percurso vai virar ou o receio de passar mal ou desmaiar na frente de todo mundo. É comum que esse medo apareça junto com o medo de altura ou com a claustrofobia.

Gatilhos comuns

  • Os gritos que se ouvem da fila
  • Ver a estrutura de longe
  • O fechamento da trava de segurança
  • A subida lenta antes da primeira descida
  • Olhar para baixo lá do alto
  • As descidas, as curvas e os loopings
  • Não saber para onde o percurso vai
  • A pressão da turma para ir junto
  • Notícias sobre acidentes em brinquedos

Onde ele aparece

  • Parques de diversões e parques temáticos
  • Parques itinerantes e festas com brinquedos
  • Parques aquáticos com toboáguas altos
  • Simuladores e realidade virtual
  • Excursões da escola e passeios da empresa
  • Aniversários e férias em família
  • Vídeos de montanha-russa nas redes sociais

Sintomas

No corpo

  • Coração disparado enquanto a fila anda
  • Respiração rápida ou sensação de falta de ar
  • Suor e mãos frias
  • Pernas trêmulas
  • Tontura ou enjoo
  • Aperto no peito
  • Frio na barriga desde a noite anterior

Na mente

  • Medo de a trava abrir no meio do percurso
  • Sensação de estar preso sem poder descer
  • Medo de vomitar ou desmaiar no brinquedo
  • Imaginar que a estrutura vai falhar
  • Vergonha de que os outros riam
  • Angústia antecipada dias antes do passeio

O que a pessoa costuma fazer

  • Ficar embaixo tomando conta das coisas do grupo
  • Sair da fila bem na hora de entrar
  • Fechar os olhos durante todo o percurso
  • Procurar notícias de acidentes várias vezes
  • Escolher só brinquedos tranquilos
  • Inventar desculpas para não ir a parques

O que causa esse medo

Uma volta que foi muito ruim, com um mal-estar forte ou um momento de pânico, é um ponto de partida frequente, assim como uma notícia impactante sobre um acidente. Também pesa ter visto o pai ou a mãe se assustar nos brinquedos, e quem já tem medo de altura costuma sentir que a montanha-russa junta o pior de tudo. A velocidade, as quedas e a falta de controle ativam o alarme do corpo, que em algumas pessoas é mais sensível por temperamento ou por histórico de ansiedade na família. Além disso, o que os olhos veem nem sempre combina com o que o ouvido interno sente, e a tontura que isso provoca pode ser confundida com perigo. Cada vez que a pessoa evita o brinquedo, sente alívio, e esse alívio parece confirmar que o perigo era real.

Como pode afetar a sua vida

Esse medo raramente domina o dia a dia, mas pode pesar justamente nos momentos que deveriam ser de diversão. Há quem evite férias em parques temáticos, aniversários ou passeios da empresa, ou passe o dia com medo de que alguém insista. Alguns pais se sentem culpados por não acompanhar os filhos ou têm receio de passar o medo para eles. As brincadeiras da turma podem trazer vergonha, e em algumas pessoas o medo se estende a mirantes altos ou a qualquer situação em que precisem ficar presas sem poder sair.

O que pode ajudar no dia a dia

  • Lembrar que não andar é uma decisão válida
  • Treinar uma respiração lenta, soltando o ar mais devagar do que puxa, inclusive enquanto espera na fila
  • Assistir antes a vídeos do brinquedo para saber o que esperar
  • Se quiser tentar, começar por brinquedos mais leves e avançar no seu ritmo
  • Prestar atenção nas cores e nos sons ao redor para manter a mente no presente
  • Respeitar sempre os avisos de saúde, idade e altura de cada brinquedo, principalmente se você tem problemas de coração, de coluna ou de pescoço, ou está grávida

Quando procurar ajuda

Vale procurar ajuda se a angústia começa dias antes de um passeio, se você tem crises de pânico na fila ou se o medo está se estendendo para a altura ou para lugares de onde não dá para sair. Se a ansiedade está afetando o seu dia a dia, converse com um médico, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou busque um psicólogo ou psiquiatra. Se você tem dúvida se a sua saúde permite ir em um brinquedo radical, pergunte ao seu médico antes do passeio. Se depois de uma volta você sentir dor forte no peito, ou bater a cabeça e notar confusão ou vômitos, procure atendimento médico; em caso grave, ligue para o SAMU (192).

Como a hipnoterapia pode ajudar

A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de montanha-russa, ela costuma ser usada para identificar o que dispara o alarme, seja a altura, a velocidade ou ficar preso sem poder descer, e para ensaiar na imaginação um dia no parque com mais calma. Também é usada para trabalhar a lembrança de uma volta ruim, se houve uma. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.

Fale com uma especialista

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.

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Perguntas frequentes

É normal ter medo de montanha-russa?

Sim, é muito comum ficar nervoso ou simplesmente não querer ir, e isso não é um problema. Fica mais parecido com uma fobia quando o medo provoca pânico, faz você sofrer dias antes ou leva você a evitar programas que, de outro jeito, você aproveitaria.

Por que algumas pessoas amam montanha-russa e outras entram em pânico?

As pessoas são diferentes no quanto gostam de sensações fortes e em como reagem à velocidade, às quedas e à incerteza. A experiência também conta: uma volta ruim, ter crescido com um parente assustado ou ter medo de altura fazem o corpo ler o brinquedo como perigo, e não como uma emoção divertida.

É melhor fechar os olhos na montanha-russa?

Depende da pessoa. Para algumas ajuda, mas para outras aumenta a tontura, porque o corpo sente o movimento sem que a visão confirme. Quem enjoa com facilidade costuma ficar mais tranquilo olhando para a frente, para um ponto do percurso.

Como perder o medo de montanha-russa?

Se você quiser, costuma ajudar ir passo a passo: assistir a vídeos do brinquedo, observá-lo de baixo e começar por percursos mais leves. A respiração lenta ajuda na hora, e se o medo é intenso, a terapia cognitivo-comportamental com exposição gradual ou a hipnoterapia trabalham o medo em si. Nunca andar também é uma opção válida.

Quem não deve andar de montanha-russa?

Cada brinquedo informa as próprias restrições de saúde, idade e altura, e elas devem ser respeitadas sempre. Pessoas com problemas de coração, lesões de pescoço ou de coluna, uma cirurgia recente ou gravidez devem ler esses avisos e consultar o médico antes de ir.

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