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Tem gente que atravessa a loja de roupas apressada para não passar perto dos manequins, ou que se recusa a entrar em um museu de cera mesmo quando o grupo todo quer ir. Outras pessoas sentem um arrepio diante de um boneco de ventríloquo ou de um robô com rosto humano, mesmo sabendo muito bem que ele não tem vida.
Entendendo esse medo
A automatonofobia é um medo intenso e persistente de figuras que imitam uma pessoa: manequins, bonecos de ventríloquo, estátuas de cera, esculturas muito realistas, animatrônicos e robôs humanoides. Muita gente sente algum desconforto diante dessas figuras. Na fobia, o medo é desproporcional, aparece até com uma foto ou só de imaginar a figura, e leva a evitar lojas, museus ou passeios para não dar de cara com ela.
O medo costuma girar em torno da sensação de que algo que parece humano não é humano de verdade. Há quem tema que a figura se mexa de repente, quem sinta que está sendo observado e quem não suporte rostos sem expressão ou manequins sem cabeça. Esse medo é muito ligado ao medo de boneca, a pediofobia, e muitas pessoas têm os dois. Com robôs que têm rosto e rostos realistas criados por inteligência artificial, as ocasiões de encontrar essas figuras parecem estar aumentando.
Gatilhos comuns
- Manequins sem rosto ou sem cabeça
- Bonecos de ventríloquo e marionetes
- Estátuas de cera muito realistas
- Animatrônicos que se mexem ou falam
- Robôs com rosto humano
- Rostos digitais feitos com inteligência artificial
- Olhos de vidro que parecem seguir você
- Ver uma figura com pouca luz ou de canto de olho
- Filmes de terror com bonecos ou manequins
Onde ele aparece
- Lojas de roupa e shoppings
- Vitrines de rua e de shopping
- Museus de cera em cidades turísticas
- Parques temáticos e trens-fantasma
- Decorações de Dia das Bruxas e o Papai Noel animatrônico de shopping
- Bonecos gigantes de carnaval, como os de Olinda
- Cursos de primeiros socorros com manequins de treino
- Feiras de tecnologia, museus de ciência e vídeos nas redes sociais
Sintomas
No corpo
- Susto repentino ao ver a figura
- Coração acelerado
- Arrepios
- Suor ou tremores
- Aperto no peito ou respiração ofegante
- Enjoo ou tontura
- Vontade urgente de sair do lugar
Na mente
- Achar que a figura vai se mexer
- Sensação de estar sendo observado
- Impressão de que algo não é natural
- Saber que é um objeto e mesmo assim não conseguir se acalmar
- Imagens da figura que voltam depois
- Vergonha de ter esse medo
O que a pessoa costuma fazer
- Evitar lojas ou comprar roupa só pela internet
- Passar rápido pelas vitrines sem olhar
- Pedir a alguém que confira um lugar antes de entrar
- Evitar filmes e propagandas com bonecos
- Não ir a museus nem a parques temáticos
- Cobrir ou tirar figuras de casa ou do trabalho
O que causa esse medo
Muitas explicações apontam para o chamado vale da estranheza, uma hipótese proposta pelo professor japonês de robótica Masahiro Mori. Segundo essa ideia, quanto mais algo se parece com uma pessoa sem chegar a ser uma, mais rejeição pode provocar. Uma figura pálida, parada e de olhar vazio pode lembrar, sem que a pessoa perceba, algo sem vida, e a dúvida sobre se ela está viva ou não aumenta a inquietação. A partir dessa reação comum, a fobia pode começar com uma experiência assustadora, como uma cena de terror, uma brincadeira de mau gosto ou dar de cara com um manequim em um quarto escuro na infância. Ela também pode ser aprendida ao ver o medo em alguém da família ou ao ouvir histórias. Um temperamento ansioso e casos de ansiedade na família podem influenciar. Evitar as figuras traz alívio imediato, e esse alívio mantém o medo vivo.
Como pode afetar a sua vida
Comprar roupa pode virar um momento de tensão ou algo evitado por completo. Há quem perca passeios em família a museus, parques ou feiras, ou quem desista de um curso de primeiros socorros porque ele usa manequins. Quem trabalha em lojas de roupa ou em lugares com robôs pode sentir o medo todos os dias. Como os outros costumam achar esse medo estranho ou engraçado, muitas pessoas sentem vergonha e escondem o que sentem. Com o tempo, isso pode ir cortando planos e deixar a pessoa sozinha com o problema.
O que pode ajudar no dia a dia
- Contar a alguém de confiança, que pode avisar se houver figuras em um lugar
- Praticar uma respiração lenta assim que vier o primeiro susto
- Lembrar do que a figura é feita: plástico, cera, fios ou um programa de computador
- Começar por desenhos animados antes de fotos realistas, no seu ritmo
- Ir primeiro a lojas conhecidas antes de tentar lugares novos
- Evitar filmes de terror com bonecos enquanto você trabalha o medo
Quando procurar ajuda
Vale buscar ajuda se o medo impede você de fazer compras, sair com a família ou cuidar de coisas do dia a dia, ou se aparecem pesadelos ou crises de pânico. Também se a ansiedade começa a se espalhar para outras situações. Se o medo está atrapalhando a sua rotina, converse com um médico, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um psicólogo ou psiquiatra. As fobias específicas costumam responder bem à exposição gradual guiada por um profissional e à terapia cognitivo-comportamental.
Como a hipnoterapia pode ajudar
A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de manequins e robôs, ela costuma ser usada para explorar de onde vem a reação, às vezes uma lembrança da infância, e para ensaiar na imaginação situações como entrar em uma loja ou passar diante de uma vitrine até que pareçam possíveis. Também é usada para acalmar o susto automático que aparece antes de a parte racional da mente conseguir agir. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.
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Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta
Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.
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Perguntas frequentes
O que é automatonofobia?
É o medo intenso e persistente de figuras que imitam uma pessoa, como manequins, bonecos de ventríloquo, estátuas de cera, animatrônicos ou robôs humanoides. É considerada uma fobia específica quando o medo é desproporcional e leva a evitar lugares ou atividades.
O que é o vale da estranheza?
É uma hipótese proposta pelo professor japonês de robótica Masahiro Mori. Ela diz que figuras muito parecidas com uma pessoa, mas não totalmente, provocam uma sensação de rejeição ou desconforto. Essa reação é comum e, em algumas pessoas, fica tão forte que vira fobia.
Por que manequins dão medo se sei que não estão vivos?
A reação de alarme é automática e chega antes do pensamento racional. Por isso dá para saber que um manequim é só plástico e mesmo assim sentir o coração disparar. Esse descompasso é típico das fobias e não significa que haja algo de errado com você.
Automatonofobia é a mesma coisa que medo de boneca?
São medos muito próximos. O medo de boneca se chama pediofobia e gira em torno de bonecas e brinquedos, enquanto a automatonofobia inclui qualquer figura com aparência humana. Muitas pessoas têm os dois.
Medo de robô tem tratamento?
Sim. Como outras fobias específicas, costuma responder bem à terapia cognitivo-comportamental e à exposição gradual, em que a pessoa se aproxima aos poucos do que teme com apoio profissional. Em alguns casos também se usa realidade virtual.
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