Medo de lugares cheios (agorafobia)

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Tem gente que larga o carrinho cheio no supermercado e sai às pressas porque a fila não anda e parece que vai desmaiar. Outras pessoas deixaram de pegar metrô ou ônibus, pedem que alguém vá junto a todo lugar ou, com o tempo, quase não saem de casa, mesmo que ninguém de fora perceba.

Entendendo esse medo

A agorafobia é um transtorno de ansiedade reconhecido. Embora seja associada a multidões, o medo de fundo é ficar em um lugar de onde seria difícil sair, ou onde não haveria ajuda, caso venha uma ansiedade muito forte ou uma crise de pânico. Por isso ela pode aparecer em um shopping cheio, em uma ponte, em uma fila longa ou ao sair de casa sozinho. Na agorafobia, o medo é desproporcional ao perigo real, dura meses e leva a pessoa a evitar esses lugares ou a enfrentá-los com muito sofrimento.

Com frequência, ela começa depois de uma ou mais crises de pânico em um lugar público. A pessoa teme que aconteça de novo, evita o lugar onde ocorreu, e a lista de lugares seguros vai encolhendo. Também pode surgir sem crises anteriores, com medo de desmaiar, de passar mal sem ninguém para ajudar ou de não chegar a tempo a um banheiro. Costuma começar no fim da adolescência ou no início da vida adulta, e só um profissional pode avaliar se é agorafobia.

Gatilhos comuns

  • Esperar em uma fila longa sem poder sair
  • Ficar no meio de uma fileira de cadeiras
  • Uma multidão que anda devagar
  • As portas do metrô ou do trem se fechando
  • Se afastar de casa ou de uma pessoa de confiança
  • Notar de repente o coração acelerado ou uma tontura
  • Não saber onde fica a saída ou o banheiro
  • Voltar a um lugar onde houve uma crise de pânico

Onde ele aparece

  • Supermercados, shoppings e filas de banco
  • Metrô, trem, ônibus e outros transportes públicos
  • Ruas de comércio, feiras e centros movimentados
  • Shows, estádios e eventos ao ar livre
  • Cinemas, teatros e salas de espera
  • Elevadores e lojas pequenas
  • Pontes, praças e outros espaços abertos
  • Fora de casa, principalmente sem companhia

Sintomas

No corpo

  • Coração acelerado ou batendo forte no peito
  • Respiração rápida ou sensação de sufoco
  • Suor e tremores
  • Tontura ou sensação de desmaio
  • Enjoo ou mal-estar no estômago
  • Dor ou aperto no peito

Na mente

  • Medo de ter uma crise de pânico sem poder sair
  • Medo de desmaiar ou perder o controle na frente dos outros
  • Receio de que ninguém ajude se algo acontecer
  • Medo de não chegar a tempo a um banheiro
  • Sensação de irrealidade ou de estar desligado do ambiente

O que a pessoa costuma fazer

  • Ir ao mercado só em horários vazios
  • Fazer compras e pedir comida por aplicativo para não sair
  • Sair só com uma pessoa de confiança
  • Sentar perto da saída
  • Localizar as saídas assim que chega a um lugar
  • Passar cada vez mais tempo em casa

O que causa esse medo

Não se conhece uma causa única. Muitas vezes tudo começa com uma crise de pânico em um lugar cheio ou de onde era difícil sair, e o cérebro passa a ligar aquele lugar ao perigo. Depois disso, a pessoa fica vigiando o próprio corpo e interpreta um batimento mais rápido ou uma tontura leve como o início de outra crise. A genética, um jeito mais ansioso de ser, fases de muito estresse e ter transtorno de pânico ou outras fobias também podem pesar. Evitar os lugares temidos traz alívio na hora, mas mantém o medo e faz com que ele se espalhe para mais lugares.

Como pode afetar a sua vida

A agorafobia pode dificultar ir ao trabalho ou à faculdade, fazer compras ou encontrar os amigos. Algumas pessoas passam a depender do parceiro ou de alguém da família para qualquer saída, o que pode desgastar a relação. Nos casos mais intensos, a pessoa quase não sai de casa por muito tempo. O isolamento costuma trazer solidão e desânimo, e há quem recorra à bebida para aguentar a ansiedade, algo que com o tempo a piora.

O que pode ajudar no dia a dia

  • Diminuir o café, os energéticos e o álcool
  • Treinar todos os dias uma respiração lenta, soltando o ar mais devagar do que puxa
  • Se o pânico vier, ficar onde está, se for seguro, e prestar atenção em algo concreto à sua volta até a onda baixar
  • Dar passos pequenos e planejados, como uma saída curta a uma loja tranquila, de preferência com orientação profissional
  • Manter horários de sono, refeições regulares e algum movimento no dia

Quando procurar ajuda

A agorafobia tem tratamento, por isso vale pedir ajuda profissional assim que você notar que está evitando lugares, precisa de companhia para sair ou tem crises de pânico. Converse com um médico, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um psicólogo ou psiquiatra, e pergunte sobre atendimento online se sair de casa está difícil. A terapia cognitivo-comportamental com exposição gradual é uma das abordagens com mais respaldo. Dor no peito ou outro sintoma novo deve ser avaliado por um médico, e, se você não souber se é urgente, ligue para o SAMU (192). Se o isolamento estiver pesando no seu ânimo, o CVV atende pelo 188, a qualquer hora.

Como a hipnoterapia pode ajudar

A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. Na agorafobia, ela costuma ser usada para acalmar o alarme que dispara diante das sensações do corpo, como um batimento acelerado, e para ensaiar na imaginação saídas cada vez mais longas. Muitas pessoas recebem uma gravação para ouvir entre um passo e outro. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico nem psicológico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.

Fale com uma especialista

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.

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Perguntas frequentes

O que é agorafobia?

É um transtorno de ansiedade em que a pessoa teme e evita lugares ou situações de onde seria difícil sair, ou onde não teria ajuda, se sentisse muita ansiedade ou uma crise de pânico. Multidões, filas, transporte público e sair de casa sem companhia são situações comuns.

Agorafobia é medo de lugares abertos?

Não exatamente. Embora o nome costume ser explicado assim, os espaços abertos são só uma das situações possíveis. O centro é o medo de não conseguir escapar ou de não receber ajuda, e por isso ela também aparece em lugares fechados, como um cinema, um elevador ou uma loja pequena.

Qual a relação entre agorafobia e síndrome do pânico?

Muitas pessoas desenvolvem agorafobia depois de uma ou mais crises de pânico, por medo de que se repitam em um lugar sem saída. Uma parte de quem tem agorafobia também tem transtorno de pânico, conhecido como síndrome do pânico, mas a agorafobia pode surgir sem crises anteriores.

Agorafobia tem cura?

A maioria das pessoas melhora com tratamento, principalmente com terapia cognitivo-comportamental e exposição gradual orientada por um profissional, e às vezes com remédios indicados por um médico. Quanto antes a ajuda chega, mais fácil costuma ser, porque com o tempo a evitação tende a ampliar o medo.

Como ajudar alguém com agorafobia?

Ouvir sem julgar e não pressionar a pessoa a enfrentar tudo de uma vez costuma ajudar mais do que insistir. Você pode acompanhá-la em passos pequenos que ela mesma escolher e incentivá-la a buscar ajuda profissional, cuidando para que a sua companhia não vire a única forma de ela conseguir sair.

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Mayo Clinic: Agorafobia, síntomas y causas · MedlinePlus en español: Agorafobia · Manual MSD Versão Saúde para a Família: Agorafobia