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Quando um marimbondo chega perto da mesa em um almoço de domingo, muita gente espanta com a mão e continua comendo. Outras pessoas levantam na hora, largam o prato pela metade e não conseguem mais sentar do lado de fora. Tem quem passe o verão inteiro com as janelas fechadas, mesmo no calor, só para não entrar uma mariposa.
Entendendo esse medo
A entomofobia, também chamada de insetofobia, é um medo intenso e persistente de insetos. Ela faz parte das fobias específicas do tipo animal. Levar um susto quando uma mosca zumbe perto do rosto é muito comum. Na fobia, a reação é muito maior do que o perigo real: basta ver um inseto, ou só pensar nele, para a angústia chegar, e a pessoa passa a organizar o dia para não cruzar com nenhum.
O medo pode se concentrar em um tipo só, como marimbondos, abelhas, mariposas ou pernilongos, ou abranger quase todos. Para algumas pessoas, o pior é a picada. Para outras, é o voo imprevisível, o zumbido no ouvido, a ideia de um inseto pousar na pele ou o nojo das patas e das asas. O medo de barata, tão comum no Brasil, costuma ser tratado como um medo à parte, a catsaridafobia. A entomofobia costuma começar na infância, mas também pode aparecer na vida adulta.
Gatilhos comuns
- Um marimbondo rondando a comida ou a bebida
- O zumbido de um pernilongo perto do ouvido na hora de dormir
- Mariposas voando em direção à luz à noite
- Formigas ou besouros dentro de casa
- Nuvens de mosquitos no fim da tarde
- Uma cócega inesperada na pele
- Fotos, vídeos ou documentários com insetos
- Notícias sobre mosquitos e dengue
- A chegada do verão e da temporada de chuvas
Onde ele aparece
- Quintais, jardins, parques e praças
- Churrascos e almoços ao ar livre
- Sítios, chácaras e trilhas no mato
- Acampamentos e casas de praia
- O quarto com a janela aberta
- A cozinha e a área perto do lixo
- Quiosques e bares ao ar livre
Sintomas
No corpo
- Coração disparado diante de um inseto
- Coceira ou sensação de algo andando pela pele
- Arrepios e suor
- Respiração curta ou sensação de falta de ar
- Tremores ou tontura
- Enjoo ou mal-estar no estômago
- Sobressaltos e movimentos bruscos para se afastar
Na mente
- Medo de o inseto picar, pousar no corpo ou entrar no cabelo
- Não conseguir relaxar enquanto houver um inseto no cômodo
- Nojo intenso
- Atenção constante a qualquer movimento ou zumbido
- Imaginar o pior antes de um passeio ao ar livre
- Vergonha de reagir assim na frente dos outros
O que a pessoa costuma fazer
- Manter portas e janelas fechadas mesmo no calor
- Sair correndo do cômodo ao ver um inseto
- Sacudir roupas e sapatos e conferir a cama antes de usar
- Evitar comer ao ar livre
- Recusar programas na praia, no sítio ou no parque
- Pedir para outra pessoa tirar o inseto de perto
O que causa esse medo
Uma picada dolorida ou um susto na infância é um ponto de partida frequente. O medo também é aprendido: uma criança que vê um adulto gritar ou abanar os braços toda vez que aparece uma abelha tende a entender que aquele inseto é um perigo sério. Um histórico de fobias ou de ansiedade na família também pode pesar. Em algumas pessoas, uma reação alérgica forte a uma picada deixa um medo muito compreensível, que depois se estende a qualquer inseto. O movimento difícil de prever dá uma sensação de falta de controle, e o nojo reforça a vontade de fugir. Evitar o ar livre ou conferir tudo várias vezes traz alívio na hora, mas mantém o medo vivo.
Como pode afetar a sua vida
Para quem tem entomofobia, o verão pode virar algo a ser aguentado. Tem gente que deixa de ir à praia, ao parque, a festas ao ar livre e a passeios em família, ou passa as noites de calor com a casa toda fechada e dorme mal. As férias são escolhidas pensando em onde haverá menos insetos, e um fim de semana no sítio vira fonte de tensão. Muitas pessoas sentem vergonha de uma reação que os outros acham exagerada e preferem não tocar no assunto, o que pode levar ao isolamento.
O que pode ajudar no dia a dia
- Colocar telas mosquiteiras nas janelas para ventilar a casa com mais tranquilidade
- Cobrir a comida e as bebidas ao comer ao ar livre
- Diante de um marimbondo ou de uma abelha, ficar parado ou se afastar devagar, em vez de abanar os braços
- Lembrar que a maioria dos insetos que entram em casa é inofensiva e está atrás de luz ou comida
- Treinar uma respiração lenta, soltando o ar mais devagar do que puxa
Quando procurar ajuda
Vale buscar ajuda se o medo faz você evitar passeios ou viagens, atrapalha o seu sono ou provoca crises de pânico. Para se orientar, converse com um médico, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima ou um psicólogo ou psiquiatra. Se você sente com frequência coceira ou a sensação de algo andando pela pele sem ver nenhum inseto, vale uma avaliação médica. Depois de uma picada, se o rosto, os lábios ou a garganta incharem, se houver dificuldade para respirar ou sensação de desmaio, ligue para o SAMU (192). Se o ânimo estiver muito baixo há semanas, o CVV atende pelo 188, a qualquer hora.
Como a hipnoterapia pode ajudar
A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de insetos, ela costuma ser usada para entender de onde vem a reação, diminuir o susto e o nojo ligados ao zumbido ou ao movimento e ensaiar na imaginação uma tarde ao ar livre com mais calma. Tudo é feito no ritmo de cada pessoa, sem chegar perto de insetos de verdade. Para quem tem alergia a picadas, as orientações do médico vêm primeiro. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.
Fale com uma especialista

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta
Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.
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Perguntas frequentes
O que é entomofobia?
É um medo intenso e persistente de insetos, muito maior do que o susto ou o incômodo que quase todo mundo sente diante de um marimbondo ou de uma mosca. É considerado fobia quando dura meses, é desproporcional ao perigo real e começa a limitar a vida, por exemplo quando a pessoa evita passeios ou dorme mal.
Entomofobia e aracnofobia são a mesma coisa?
Não. A aracnofobia é o medo de aranhas, que não são insetos. Mesmo assim, muita gente que tem medo de insetos também se sente mal perto de aranhas, e o contrário também acontece, porque as duas fobias têm em comum o nojo e a sensação de movimento imprevisível.
Por que tenho tanto medo quando um inseto chega perto?
Muitos insetos se movem rápido e mudam de direção sem aviso, o que dá uma sensação de falta de controle. Se você levou uma picada ou um susto quando criança, ou cresceu vendo alguém da família se apavorar, o cérebro aprende a ler qualquer zumbido como sinal de perigo.
Como perder o medo de insetos?
O que costuma ajudar é diminuir aos poucos a reação de alarme. A exposição gradual com acompanhamento de um profissional, que pode começar com desenhos ou fotos e sempre respeita os limites da pessoa, é o tratamento mais usado para fobias específicas, muitas vezes junto com a terapia cognitivo-comportamental. A respiração lenta ajuda na hora do susto.
Quando uma picada de inseto é uma emergência?
Se depois de uma picada o rosto, os lábios ou a garganta incharem, ficar difícil respirar ou surgir tontura ou sensação de desmaio, ligue para o SAMU (192). Se você sabe que tem alergia a picadas, siga as orientações do seu médico sobre como se preparar.
Leia mais
Manual MSD Versão Saúde para a Família: Fobias específicas · Mayo Clinic en español: Fobias específicas, síntomas y causas · Cleveland Clinic: Entomophobia (fear of insects)
