Medo de homens (androfobia)

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Tem gente que atravessa a rua quando vê um homem vindo na sua direção, mesmo de dia e sem nada acontecendo. Outras pessoas evitam ficar sozinhas com um colega de trabalho, adiam consultas quando quem vai atender é um homem ou sentem o corpo em alerta num almoço de família, e muitas vezes não contam a ninguém o que estão passando.

Entendendo esse medo

A androfobia, também chamada de arrenofobia, é um medo intenso e persistente de homens. A palavra vem do grego andros, que significa homem. Ela é considerada uma fobia específica, um tipo de transtorno de ansiedade. O medo pode aparecer ao estar perto de um homem, ao pensar nessa situação ou até ao ver imagens. Muitas pessoas sabem que a maioria dos homens à sua volta não representa perigo, mas não conseguem frear a reação do corpo.

Ter cautela com um desconhecido em certas situações é normal e sensato. Na fobia, o medo é desproporcional ao risco real, dura meses e limita o trabalho, a saúde ou a vida social, inclusive com parentes, amigos ou profissionais. Também não é a mesma coisa que misandria, que é aversão ou ódio aos homens: quem tem androfobia não sente hostilidade, sente medo. Pode afetar pessoas de qualquer gênero e idade e, às vezes, aparece junto com outros problemas de ansiedade, crises de pânico ou estresse pós-traumático.

Gatilhos comuns

  • Um homem andando na sua direção ou atrás de você
  • Ficar sozinho com um homem numa sala ou num elevador
  • Vozes masculinas graves ou altas
  • Grupos de homens fazendo barulho
  • Um homem que se aproxima de repente
  • Ser atendido por médico, dentista ou técnico homem
  • Um contato físico inesperado, como um abraço de cumprimento
  • O interesse romântico de um homem
  • Notícias sobre violência
  • Lembranças de experiências difíceis

Onde ele aparece

  • Ônibus, metrô e carros de aplicativo
  • Trabalhos em que a maioria é homem
  • Consultas médicas e no dentista
  • Bares, estádios e jogos de futebol
  • Táxis e elevadores
  • Encontros de família
  • Academias
  • Encontros e programas sociais

Sintomas

No corpo

  • Coração acelerado quando um homem se aproxima
  • Suor e boca seca
  • Respiração rápida
  • Tremores ou tensão muscular
  • Enjoo ou dor de estômago
  • Tontura
  • Ficar paralisado ou com a voz falhando

Na mente

  • Pavor ou sensação de perigo iminente
  • Expectativa de que algo ruim vai acontecer
  • Necessidade urgente de sair do lugar
  • Sentir-se inseguro mesmo sem nada acontecer
  • Lembranças difíceis que voltam sem querer
  • Culpar-se por sentir medo

O que a pessoa costuma fazer

  • Evitar ficar sozinha com homens
  • Planejar caminhos ou horários para não cruzar com homens
  • Pedir sempre profissionais mulheres
  • Evitar encontros, festas e reuniões
  • Ficar em silêncio quando um homem puxa conversa
  • Adiar consultas médicas ou resolver pendências

O que causa esse medo

Raramente existe uma causa só, e muitas vezes o medo começa na infância. Em algumas pessoas, ele aparece depois de experiências difíceis ou traumáticas ligadas a um homem, vividas na própria pele ou de perto. Em outras, o medo é aprendido: crescer ouvindo alertas constantes, convivendo com uma figura de autoridade muito intimidadora ou vendo o medo de um adulto próximo pode ensinar à mente que os homens são uma ameaça. Histórico de ansiedade na família e um temperamento mais sensível também podem influenciar. Evitar homens traz alívio na hora, mas impede que a mente perceba que a maioria dos encontros do dia a dia é segura, e assim o medo se mantém.

Como pode afetar a sua vida

A androfobia pode limitar as opções de estudo e de trabalho, principalmente em lugares com muitos homens, e levar a adiar consultas médicas ou odontológicas. Também pode pesar na relação com parentes, amigos e colegas, e na possibilidade de ter uma vida afetiva, se a pessoa desejar. Viver em alerta constante cansa e pode afetar o sono, o humor e a autoconfiança. Com o tempo, há quem se isole, se sinta sozinho ou se culpe por ter medo.

O que pode ajudar no dia a dia

  • Praticar técnicas para voltar ao presente, como dizer cinco coisas que você está vendo e sentir os pés no chão
  • Usar uma respiração lenta quando o corpo entrar em alerta, soltando o ar mais devagar do que puxa
  • Ao marcar uma consulta médica ou no dentista, perguntar se uma mulher pode atender, ou ir com alguém de confiança, para não deixar de cuidar da saúde
  • Manter os seus cuidados de segurança, porque se proteger não faz parte do problema
  • Avançar com passos pequenos e no seu ritmo, como uma conversa curta com um homem de confiança num lugar conhecido

Quando procurar ajuda

Vale buscar ajuda se o medo impede você de trabalhar, estudar, cuidar da saúde ou ter as relações que deseja, ou se provoca crises de pânico. Converse com um médico, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um psicólogo ou psiquiatra; se for mais confortável, você pode perguntar se é possível ser atendido por uma mulher. Se o medo está ligado a experiências difíceis ou traumáticas, um profissional pode acompanhar você com cuidado, e você decide o quanto quer contar e quando. Se você se sente para baixo há semanas, o CVV atende pelo 188, a qualquer hora, e se um dia estiver em perigo, ligue para a polícia no 190.

Como a hipnoterapia pode ajudar

A hipnoterapia trabalha com um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de homens, ela costuma ser usada para acalmar a reação automática de alarme que dispara diante de vozes, gestos ou situações específicas, e para ensaiar na imaginação encontros seguros do dia a dia enquanto o corpo se mantém tranquilo. Quando o medo está ligado a experiências difíceis ou traumáticas, o ideal é que esse trabalho caminhe junto com o de um profissional de saúde mental e respeite sempre o ritmo da pessoa. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico nem psicológico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.

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Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.

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Perguntas frequentes

O que é androfobia?

É um medo intenso e persistente de homens, que pode aparecer ao estar perto deles, ao pensar nessa situação ou ao ver imagens. É considerada uma fobia específica. Ela se diferencia da cautela normal por ser desproporcional, durar meses e limitar a rotina.

Androfobia é o mesmo que misandria?

Não. Misandria é aversão ou ódio aos homens, enquanto a androfobia é um medo que a pessoa não escolhe e que muitas vezes causa sofrimento. Quem tem androfobia não costuma sentir hostilidade, e sim uma reação de alarme que não consegue controlar.

É normal desconfiar de homens desconhecidos?

Ter cautela em certas situações é normal, e se proteger nunca é um erro. Fala-se em fobia quando o medo aparece também em situações seguras, com parentes, colegas ou profissionais, dura meses e leva você a evitar coisas importantes.

Homens também podem ter androfobia?

Sim. As fobias específicas são mais frequentes em mulheres, mas o medo de homens pode afetar pessoas de qualquer gênero e também crianças, que podem reagir com choro ou vontade de se esconder. Se você está preocupado com uma criança, converse com o pediatra.

Como superar o medo de homens?

Costuma ajudar a terapia psicológica, principalmente a cognitivo-comportamental, que trabalha os pensamentos que mantêm o medo e, quando a pessoa está pronta, uma exposição gradual e segura guiada por um profissional. Se há experiências difíceis por trás, a terapia também pode ajudar a trabalhá-las no seu ritmo.

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