Medo de galinha (alectorofobia)

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Tem gente que, na visita aos parentes no interior, passa o dia dentro de casa porque há galinhas soltas no quintal. Outras pessoas fazem um caminho bem mais longo para não passar perto de um galinheiro, ou ficam paralisadas quando uma galinha bate as asas de repente perto dos pés, mesmo sabendo que o animal dificilmente pode machucar alguém.

Entendendo esse medo

A alectorofobia é um medo intenso e persistente de galinhas, galos e pintinhos. O nome vem da palavra grega para galo. É uma fobia específica do tipo animal, desproporcional ao perigo real, e muitas vezes fica restrita às galinhas: a pessoa pode ficar tranquila perto de outros bichos e de outras aves. Ver, ouvir ou até pensar em uma galinha pode bastar para a ansiedade aparecer.

Para algumas pessoas, o centro do medo é levar uma bicada ou ver a galinha correr ou voar na sua direção. Para outras, são os movimentos bruscos da cabeça, o bater de asas repentino ou não saber para onde o animal vai se mexer. O medo costuma começar na infância e é mais provável em quem cresceu na zona rural. Tem quem guarde esse medo em segredo, com receio de virar piada.

Gatilhos comuns

  • Um bater de asas repentino perto de você
  • Uma galinha correndo na sua direção
  • Levar uma bicada ou ser perseguido
  • O canto do galo, inclusive de madrugada
  • Os movimentos bruscos da cabeça
  • Penas soltas no chão
  • Entrar em um galinheiro
  • Fotos ou vídeos de galinhas
  • Alguém falar em criar galinhas no quintal

Onde ele aparece

  • Sítios, fazendas e chácaras
  • Quintais e ruas de cidades do interior com galinhas soltas
  • Casas de parentes ou vizinhos que criam galinhas
  • Hotéis-fazenda e fazendinhas para crianças
  • Feiras livres e feiras agropecuárias com animais
  • Férias e feriados no interior
  • Filmes, desenhos animados e redes sociais

Sintomas

No corpo

  • Coração disparado ou palpitações
  • Calafrios ou suor
  • Tremores
  • Respiração curta ou sensação de falta de ar
  • Enjoo ou mal-estar no estômago
  • Tontura
  • Ficar paralisado ou sair correndo

Na mente

  • Medo de levar uma bicada ou de a galinha voar em você
  • Sensação de que o jeito de ela se mexer é imprevisível
  • Angústia dias antes de uma visita ao interior
  • Vergonha ou culpa por ter esse medo
  • Saber que o medo é exagerado sem conseguir controlá-lo
  • Sentir-se encurralado se há galinhas perto da saída

O que a pessoa costuma fazer

  • Recusar convites para sítios ou casas com galinhas
  • Conferir se há aves antes de entrar em um quintal
  • Fazer longos desvios para não passar perto de um galinheiro
  • Gritar ou fugir ao ver uma galinha
  • Evitar fotos, vídeos e desenhos de galinhas
  • Em alguns casos, evitar até pratos com frango
  • Nas crianças, choro, birra ou agarrar-se aos pais

O que causa esse medo

Muitas vezes não há uma causa clara. Quando há, costuma ser um susto específico, frequentemente antes dos 10 anos: uma galinha que voou na direção do rosto, uma bicada ou uma perseguição no quintal. O cérebro guarda essa lembrança com força, e mais tarde basta ver uma galinha para o mesmo alarme disparar. O medo também pode ser aprendido ao ver o pai ou a mãe se assustar perto das aves, e ter familiares com essa fobia ou com outros problemas de ansiedade aumenta a probabilidade. Com o tempo, o medo pode se estender a fotos e desenhos. Cada vez que a pessoa evita as galinhas, sente alívio, e esse alívio mantém o medo vivo.

Como pode afetar a sua vida

Para quem mora em cidade grande, esse medo pode aparecer pouco. Já no interior, em cidades pequenas onde as galinhas andam soltas ou em famílias que criam aves no quintal, ele pode limitar muito as visitas, os passeios e as férias. Tem quem deixe de visitar os avós no sítio ou passe o almoço de domingo vigiando o quintal. As crianças podem se recusar a brincar do lado de fora, e os adultos costumam sentir vergonha quando os outros dão risada. Com o tempo, a tensão pode se somar a outros problemas de ansiedade ou de humor. Se você estiver muito para baixo, o CVV atende pelo 188, a qualquer hora.

O que pode ajudar no dia a dia

  • Treinar todos os dias uma respiração lenta, soltando o ar mais devagar do que puxa
  • Começar olhando desenhos de galinhas e, quando se sentir pronto, passar para fotos e vídeos curtos
  • Perguntar a si mesmo o que exatamente teme que aconteça e o que costuma acontecer de verdade
  • Se cruzar com galinhas, andar com calma, sem correr nem fazer movimentos bruscos, e deixar espaço para elas
  • Pedir a quem vai receber você que deixe as aves no galinheiro durante a visita
  • Se você tem filhos, manter a calma perto dos animais, porque as crianças aprendem muito com a reação dos adultos

Quando procurar ajuda

Vale buscar ajuda se o medo impede você de visitar a família, viajar para o interior ou fazer o seu trabalho, ou se provoca crises de pânico. Nas crianças, converse com o pediatra se o medo aumenta em vez de diminuir ou atrapalha o dia a dia. Se a ansiedade está pesando na rotina, converse com um médico, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima ou busque um psicólogo ou psiquiatra. As fobias de animais costumam responder bem à terapia de exposição gradual com acompanhamento profissional, que começa com imagens e avança passo a passo.

Como a hipnoterapia pode ajudar

A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de galinha, ela costuma ser usada para revisitar com calma o susto que pode ter dado origem ao medo, tirando parte da força dele, e para ensaiar na imaginação uma visita a um quintal com galinhas até isso parecer possível. Também é usada para acalmar a reação automática de alarme que dispara com o bater de asas ou o canto do galo. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.

Fale com uma especialista

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.

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Perguntas frequentes

Como se chama o medo de galinha?

Chama-se alectorofobia, nome que vem da palavra grega para galo. É uma fobia específica do tipo animal e inclui o medo de galinhas, galos e pintinhos.

Medo de galinha é o mesmo que medo de pássaros?

Não. O medo de aves em geral se chama ornitofobia. Muitas pessoas com alectorofobia só têm medo de galinhas e ficam tranquilas perto de outras aves.

Por que alguém tem medo de um animal tão inofensivo?

As fobias não dependem do quanto um animal é perigoso, e sim de como o cérebro aprendeu a reagir a ele. Um susto na infância ou ver um familiar assustado pode bastar para a mente enxergar perigo em toda galinha. Não é um medo bobo nem motivo de vergonha.

O medo de galinha passa sozinho nas crianças?

Muitos medos de animais na infância diminuem com a idade, principalmente quando os adultos mantêm a calma e não obrigam a criança a se aproximar. Se o medo é muito forte, dura meses ou impede atividades normais, converse com o pediatra.

Dá para superar a alectorofobia?

Sim. Ela costuma responder bem à terapia de exposição gradual, que começa com imagens ou vídeos e avança aos poucos com acompanhamento profissional, e à terapia cognitivo-comportamental. Muitas pessoas conseguem ficar perto de galinhas com muito mais calma.

Leia mais

Cleveland Clinic: Alektorophobia (fear of chickens or hens) · Industrial Psychiatry Journal: A rare case of alektorophobia treated successfully with graded exposure therapy · Mayo Clinic: Fobias específicas, síntomas y causas