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Há pessoas que não conseguem olhar para um prato de camarão sem sentir um arrepio, e que trocam de lugar na mesa se alguém pede ostras. Outras evitam peixarias, restaurantes de frutos do mar ou o almoço de família na praia, e preferem não explicar o verdadeiro motivo.
Entendendo esse medo
A ostraconofobia é uma rejeição intensa e persistente a frutos do mar, como camarão, caranguejo, siri, mexilhão, ostra, polvo ou lula. Há pouca pesquisa sobre esse medo especificamente, por isso ele é entendido como uma fobia específica: um medo desproporcional ao perigo real. Não gostar de frutos do mar é muito comum e não é fobia. Na fobia, ver, cheirar, tocar ou pensar em comer frutos do mar provoca ansiedade ou nojo muito fortes, e a pessoa organiza parte da vida para evitá-los.
Para muita gente, o centro é a aparência: as patas, as antenas, os olhos, as cascas ou o formato de alguns moluscos. Para outras pessoas, é a textura ou a ideia de que o animal esteja vivo. Vale separar esse medo da alergia a frutos do mar, que é uma reação real do sistema imunológico a certas proteínas desses animais e pode ser grave.
Gatilhos comuns
- Ver camarões inteiros, com cabeça e patas
- As patas, antenas ou olhos de caranguejos, siris e lagostas
- O cheiro de frutos do mar no preparo
- A textura de ostras e mexilhões
- Ver frutos do mar vivos em aquários ou no gelo
- Alguém pedir frutos do mar na mesma mesa
- Fotos ou vídeos de receitas com frutos do mar
- Insistirem para você experimentar
Onde ele aparece
- Restaurantes e quiosques de frutos do mar
- Mercados de peixe e peixarias
- O balcão de peixes do supermercado
- Férias no litoral
- Almoços de família e festas de fim de ano
Sintomas
No corpo
- Enjoo ou ânsia de vômito ao ver frutos do mar ou sentir o cheiro
- Coração disparado
- Suor e mãos frias
- Arrepios
- Nó na garganta ou no estômago
- Vontade urgente de sair do lugar
Na mente
- Nojo intenso só de imaginar
- Pensar que algo pode se mexer ou estar vivo
- Medo de encontrar pedaços de frutos do mar escondidos na comida
- Vergonha de reagir na frente dos outros
- Preocupação dias antes de uma refeição ou de uma viagem
O que a pessoa costuma fazer
- Recusar convites para restaurantes de frutos do mar
- Conferir o prato ou perguntar várias vezes o que tem nele
- Trocar de mesa ou sair quando servem frutos do mar
- Evitar o corredor de peixes no supermercado
- Inventar desculpas para não explicar o medo
O que causa esse medo
Não se conhecem bem as causas desse medo em particular. Nas fobias específicas costumam pesar uma experiência ruim, como passar muito mal depois de comer frutos do mar ou uma brincadeira de infância com um caranguejo vivo, e também o que se aprende ao ver a reação dos pais ou de outros familiares. Casos de ansiedade na família também podem influenciar. Nesse medo, o nojo tem um papel importante: a aparência pouco familiar de alguns animais marinhos e certas texturas despertam uma rejeição muito rápida. Evitar frutos do mar por completo traz alívio, mas também mantém viva a sensação de perigo.
Como pode afetar a sua vida
Para algumas pessoas, esse medo quase não pesa. Outras sofrem mais, por exemplo se moram no litoral, se na família a moqueca ou o bobó de camarão fazem parte de toda comemoração ou se trabalham em restaurantes. Pode ficar difícil sair para comer ou viajar, e aparecem a vergonha e as brincadeiras dos outros. Em alguns casos, a rejeição se estende ao peixe ou a outros alimentos. Se você percebe que come cada vez menos coisas ou que comer virou uma fonte de angústia, converse com um médico ou um profissional de saúde mental.
O que pode ajudar no dia a dia
- Lembrar que ninguém é obrigado a comer um alimento que não quer
- Contar com calma à família ou aos amigos o que acontece
- No restaurante, perguntar uma vez o que leva o prato e confiar na resposta
- Treinar uma respiração lenta, soltando o ar mais devagar do que puxa, quando o nojo aparecer
- Se suspeitar de alergia, não experimentar frutos do mar por conta própria e procurar um médico
Quando procurar ajuda
Vale buscar ajuda se o medo impede você de comer com a família ou os amigos, de ir a certos lugares ou de viajar. Converse com um médico, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um psicólogo ou psiquiatra. Se alguma vez você teve coceira, placas vermelhas na pele, inchaço ou mal-estar depois de comer ou tocar frutos do mar, conte a um médico, que pode avaliar se existe uma alergia. Diante de inchaço nos lábios, na língua ou na garganta, dificuldade para respirar ou tontura forte depois de comer frutos do mar, ligue na hora para o SAMU (192).
Como a hipnoterapia pode ajudar
A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de frutos do mar, ela costuma ser usada para entender de onde vem a rejeição e para acalmar a reação automática de nojo e alarme que dispara ao ver ou cheirar esses alimentos. Também é usada para ensaiar na imaginação situações que a pessoa evita, como sentar a uma mesa onde outros comem frutos do mar. O objetivo não é fazer a pessoa comer, e sim que o medo deixe de limitar a sua vida. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.
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Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta
Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.
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Perguntas frequentes
O que é ostraconofobia?
É um medo ou uma rejeição intensa e persistente a frutos do mar, como camarão, caranguejo, ostra ou mexilhão. Vai além de não gostar: ver, cheirar ou ter frutos do mar por perto provoca ansiedade ou nojo fortes e leva a evitar lugares e refeições.
Ter medo de frutos do mar é o mesmo que ter alergia?
Não. A alergia é uma reação do sistema imunológico a proteínas dos frutos do mar e pode ser grave mesmo em quem não sente nenhum medo. A fobia é uma reação de ansiedade e nojo. As duas podem existir juntas, por exemplo quando o medo surge depois de uma reação alérgica. Só um médico pode confirmar ou descartar uma alergia, então não experimente frutos do mar para tirar a dúvida.
Por que sinto tanto nojo de camarão e outros frutos do mar?
O nojo é uma reação natural diante de coisas que o corpo percebe como estranhas ou pouco seguras para comer, e a aparência e a textura de alguns frutos do mar despertam essa reação com facilidade. Quando o nojo é muito intenso, aparece só de pensar neles e faz você evitar situações, pode ser uma fobia.
Dá para superar o medo de frutos do mar?
Sim. As fobias específicas costumam responder bem à ajuda psicológica, como a terapia cognitivo-comportamental com exposição gradual. Superar o medo não significa ter que comer: para muita gente, a meta é conseguir ficar em uma mesa ou em um mercado com frutos do mar sem sofrer.
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