Medo de febre (febrifobia)

In English: read about this fear on Phobia Guru.

Uma criança com as bochechas vermelhas no meio da noite, o termômetro marcando um número alto e, de repente, o medo de que algo grave esteja acontecendo. Para a maioria dos pais, é um susto que passa com informação. Para outros, cada febre é vivida como uma emergência: medem a temperatura a cada poucos minutos, passam a noite em claro e não conseguem se acalmar mesmo com a criança brincando.

Entendendo esse medo

A febrifobia é um medo intenso e persistente de febre, a própria ou a dos filhos. Há pouca pesquisa sobre esse medo especificamente como fobia, mas os pediatras conhecem bem a chamada febrefobia, um receio muito comum entre pais e mães que nasce de ideias equivocadas sobre a febre. Quando o medo domina a rotina e não se acalma com informação, pode ser entendido como uma fobia específica.

A febre é uma resposta normal do corpo para se defender de uma infecção, um sinal, e não uma doença em si. O que mais assusta costuma ser a ideia de que ela danifique o cérebro. O MedlinePlus explica que isso é muito improvável, a não ser em temperaturas extremas, que raramente são alcançadas por causa de uma infecção, e que a maioria das convulsões febris termina rápido e não deixa dano duradouro. Em adultos, o medo pode se concentrar na própria febre como sinal de algo grave.

Gatilhos comuns

  • Pôr a mão na testa do filho e sentir que está quente
  • Ver um número alto no termômetro
  • Calafrios ou bochechas vermelhas
  • A febre subir à noite
  • Uma ligação da creche ou da escola
  • A lembrança de uma convulsão febril
  • Sentir-se febril

Onde ele aparece

  • Em casa, principalmente à noite
  • Ao lado da cama da criança
  • Salas de espera de pronto-socorro e consultórios
  • Creches e escolas
  • Grupos de pais no WhatsApp e fóruns na internet

Sintomas

No corpo

  • Coração acelerado ao ver o termômetro
  • Aperto no estômago ou no peito
  • Mãos trêmulas
  • Suor
  • Dormir muito pouco quando alguém em casa está doente

Na mente

  • Achar que a febre vai danificar o cérebro
  • Prestar mais atenção ao número do que ao estado da criança
  • Imaginar o pior a cada décimo de grau a mais
  • Culpa por não ter evitado a doença
  • Sentir que relaxar a vigilância é perigoso

O que a pessoa costuma fazer

  • Medir a temperatura a cada poucos minutos
  • Acordar a criança várias vezes à noite para medir
  • Correr ao pronto-socorro a cada febre, mesmo com a criança bem
  • Dar remédio antes da hora ou com mais frequência do que o indicado
  • Pesquisar sintomas na internet durante horas
  • Pedir aos outros que confirmem que está tudo bem

O que causa esse medo

Muitas vezes o medo nasce de crenças muito difundidas, como a de que febre alta danifica o cérebro ou de que é preciso baixá-la sempre, custe o que custar. Pediatras descrevem a febrefobia como um receio que passa de pais para filhos e chega até a profissionais de saúde. Ter presenciado uma convulsão febril ou a doença grave de uma criança próxima pode deixar uma marca forte. Como em outras fobias específicas, pesam a ansiedade na família, um temperamento mais sensível à incerteza e o cansaço da criação dos filhos. Medir a temperatura de novo e de novo acalma por um momento, mas ensina a mente a precisar conferir.

Como pode afetar a sua vida

As noites com febre ficam longas, e o cansaço se arrasta pelos dias seguintes. Há pais que faltam ao trabalho ou não deixam a criança com ninguém, com medo de que não vigiem bem a temperatura. As idas repetidas ao pronto-socorro somam horas de espera e mais nervosismo, e a criança pode aprender que ficar doente é assustador. No casal, pode surgir tensão quando um encara a febre com calma e o outro com angústia. Em adultos, um simples resfriado pode virar dias de preocupação.

O que pode ajudar no dia a dia

  • Perguntar ao pediatra ou ao médico quais sinais pedem uma consulta, e deixar anotado
  • Observar como a criança está, se brinca, bebe líquidos e responde, além do número do termômetro
  • Combinar com o médico com que frequência faz sentido medir a temperatura
  • Usar remédios só como o médico ou o farmacêutico orientar, com atenção à dose e ao intervalo
  • Evitar banho gelado, gelo e compressas com álcool, que o MedlinePlus desaconselha
  • Respirar devagar, soltando o ar mais lentamente do que puxa, quando o alarme subir

Quando procurar ajuda

Diante da febre, a saúde vem primeiro: se tiver dúvida, procure um médico ou a Unidade Básica de Saúde (UBS). Um bebê com menos de 3 meses com febre deve ser visto por um médico logo, e também vale consultar se a febre dura vários dias, volta de novo e de novo ou vem com outros sintomas. Ligue para o SAMU (192) se a pessoa tiver dificuldade para respirar, lábios ou unhas arroxeados, dor de cabeça forte com pescoço rígido ou uma convulsão, se não acordar com facilidade ou parecer confusa, ou se uma criança chorar sem que nada a acalme. Busque ajuda para o medo em si, com um médico ou um psicólogo ou psiquiatra, se ele ocupa boa parte do seu dia ou não deixa você dormir.

Como a hipnoterapia pode ajudar

A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de febre, ela costuma ser usada para diminuir a reação de alarme que dispara ao ver o termômetro e para tolerar melhor a incerteza de uma noite com um filho doente. Também é usada para trabalhar lembranças que alimentam o medo, como uma convulsão febril vista de perto. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico nem as orientações do pediatra, e os resultados variam de pessoa para pessoa.

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Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.

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Perguntas frequentes

O que é febrefobia?

É o nome que os pediatras usam para o medo exagerado que muitos pais têm da febre dos filhos, baseado em ideias equivocadas sobre os efeitos dela. Fala-se em fobia quando o receio domina a rotina, com medições constantes, noites sem dormir e idas repetidas ao pronto-socorro mesmo com a criança bem.

Febre alta pode afetar o cérebro?

Segundo o MedlinePlus, dano cerebral por febre é muito improvável, a não ser em temperaturas extremas, e a febre causada por uma infecção raramente chega a esse ponto, a não ser que a pessoa esteja agasalhada demais ou em um lugar muito quente. Mesmo assim, se a febre do seu filho preocupa você, procure o médico.

Convulsão febril é perigosa?

Assusta muito quem vê, mas o MedlinePlus explica que a maioria termina rápido, não significa que a criança tenha epilepsia e não deixa dano duradouro. Se uma criança tiver uma convulsão, ligue para o SAMU (192) e depois converse com o pediatra.

Por que fico tão angustiado quando o filho tem febre?

É muito comum. Muitos pais cresceram ouvindo que a febre é perigosa por si só, e o cansaço e o amor por um filho aumentam o alarme. Entender que a febre é uma defesa do corpo e saber quais sinais pedem consulta costuma ajudar; se não for suficiente, a terapia cognitivo-comportamental pode trabalhar o medo.

O que não fazer para baixar a febre?

O MedlinePlus desaconselha banho gelado, gelo e compressas com álcool, porque esfriam a pele, mas provocam calafrios que podem aumentar a temperatura do corpo. Remédios devem ser usados só como o médico ou o farmacêutico orientar: a Sociedade Brasileira de Pediatria alerta que erros de dose ou de intervalo podem causar intoxicação.

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