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Uma espinha nova na testa, uma mancha que antes não estava ali ou uma coceira no braço não tiram o sono da maioria das pessoas. Para algumas, porém, bastam para passar muito tempo diante do espelho, procurar fotos na internet e comparar cada detalhe da pele com o que aparece na tela do celular.
Entendendo esse medo
A dermatofobia é um medo intenso e persistente de ter ou pegar uma doença de pele. Há pouca pesquisa sobre esse medo especificamente, por isso ele costuma ser entendido como uma fobia específica: um temor desproporcional ao risco real, que a pessoa muitas vezes reconhece como exagerado, mas não consegue controlar. Prestar atenção a uma pinta que muda é sensato. Na dermatofobia, a preocupação não desliga e a pessoa examina a pele várias vezes por dia.
O medo pode girar em torno do câncer de pele, de uma infecção contagiosa ou de um problema visível, ou pular de uma ideia para outra. Ele se parece com o que os profissionais chamam de transtorno de ansiedade por doença, antes chamado de hipocondria, em que a preocupação continua mesmo quando os exames vêm normais. Só um profissional pode avaliar se é o caso.
Gatilhos comuns
- Uma espinha, uma mancha ou uma pinta nova
- Coceira, ardência ou vermelhidão sem motivo claro
- Se olhar no espelho com luz forte
- Fotos de doenças de pele na internet
- Toalhas, roupas ou superfícies compartilhadas
- Ver alguém com uma alergia ou irritação na pele
- Campanhas sobre sol e câncer de pele
- Um problema de pele na família
- Comentários sobre a aparência da pele
Onde ele aparece
- Diante do espelho do banheiro
- Buscadores, fóruns e redes sociais
- Piscinas, academias e vestiários
- A praia e os dias de sol forte
- Consultórios e salas de espera
- Provadores de lojas de roupa
- À noite, antes de dormir
Sintomas
No corpo
- Coração acelerado ao notar uma mancha
- Calor ou suor no rosto e nas mãos
- Coceira que aumenta quando a atenção vai para ela
- Tensão no pescoço e nos ombros
- Nó no estômago
- Dificuldade para dormir
Na mente
- Ver qualquer espinha como sinal de algo grave
- Comparar a pele com fotos da internet
- Duvidar do que o médico disse
- Pensar em contágio depois de tocar em algo
- Vergonha da aparência da pele
- Dificuldade para se concentrar em outras coisas
O que a pessoa costuma fazer
- Examinar a pele várias vezes por dia
- Fotografar uma mancha para comparar dia após dia
- Lavar ou esfregar a pele além da conta
- Pedir para outras pessoas olharem uma marca
- Evitar piscina, academia ou contato físico
- Marcar consultas com muita frequência, ou nunca ir por medo
O que causa esse medo
Em geral, não há uma causa única. O que se sabe sobre as fobias específicas aponta para uma experiência difícil, como um problema de pele que trouxe apelidos e brincadeiras maldosas ou ver um familiar doente, para ter crescido numa casa muito atenta à saúde e para histórico de ansiedade na família. A pele está sempre à vista e muda com frequência, com espinhas ou manchas que aparecem e somem, então oferece muitas ocasiões para alarme. Examinar-se ou pedir que alguém confirme que está tudo bem traz alívio por um tempo, mas mantém o medo vivo.
Como pode afetar a sua vida
Os exames no espelho e as buscas podem ocupar horas por semana, e esfregar demais pode irritar a pele e produzir justamente a vermelhidão que preocupa. Há quem deixe de ir à praia ou de fazer esporte, use roupas que cobrem tudo mesmo no calor ou evite abraços por medo de contágio, embora muitos problemas de pele não passem de uma pessoa para outra. A família pode se cansar de tranquilizar. No outro extremo, algumas pessoas evitam o médico e adiam a consulta quando ela é realmente necessária.
O que pode ajudar no dia a dia
- Anotar quantas vezes por dia você examina a pele ou procura fotos, e reduzir aos poucos
- Se o médico pediu para acompanhar uma pinta, fazer isso quando ele indicou, e não a cada dúvida
- Diante da vontade de pesquisar na internet, esperar um pouco e ocupar as mãos
- Limitar o tempo no espelho e não ampliar fotos da pele
- Respirar devagar quando vier a urgência de se examinar
Quando procurar ajuda
Se você notar uma mudança real na pele, como uma pinta que muda de tamanho, formato ou cor, uma ferida que não cicatriza ou uma irritação que se espalha, procure um médico ou a Unidade Básica de Saúde (UBS), que pode encaminhar ao dermatologista quando necessário. Esta página não tem como dizer o que você tem. Se o rosto inchar de repente ou faltar o ar, ligue para o SAMU (192). Vale buscar ajuda para o medo em si se os exames no espelho tomam muito tempo, se a preocupação continua mesmo depois de o médico dizer que está tudo bem ou se ela afasta você das pessoas. Um psicólogo ou psiquiatra pode ajudar. Se você também se sente desanimado na maior parte do tempo, o CVV atende pelo 188, a qualquer hora.
Como a hipnoterapia pode ajudar
A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de doenças de pele, ela costuma ser usada para baixar o nível geral de alerta, de modo que uma mancha ou uma coceira deixem de ser vividas como uma emergência, e para reduzir a vontade de se examinar. Também é comum trabalhar experiências passadas que deram forma ao medo. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico nem a avaliação da pele por um médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.
Fale com uma especialista

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta
Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.
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Perguntas frequentes
O que é dermatofobia?
É um medo intenso e persistente de ter ou pegar uma doença de pele. Prestar atenção a uma mudança na pele é razoável. Fala-se em fobia quando o medo leva a se examinar muitas vezes por dia, não passa com a avaliação do médico ou faz você evitar lugares, pessoas ou atividades.
Dermatofobia é o mesmo que hipocondria?
Elas se parecem. Hoje os profissionais falam em transtorno de ansiedade por doença, antes chamado de hipocondria, quando a preocupação em ter ou pegar uma doença grave dura meses, mesmo com exames normais. A dermatofobia seria um medo centrado na pele. Só um profissional pode fazer um diagnóstico.
Por que a coceira aumenta quando penso na pele?
Muitas pessoas percebem que, ao prestar atenção a uma parte do corpo, as sensações ficam mais fortes, e a ansiedade também pode provocar calor, suor ou formigamento. Mesmo assim, não dá para presumir que é só isso: se a coceira não passa ou aparece uma irritação, um médico deve avaliar.
Quando procurar o médico por causa de uma pinta ou mancha?
Vale procurar se uma pinta ou mancha muda de tamanho, formato ou cor, parece irregular ou cresce, ou se uma ferida não cicatriza. É o médico quem avalia se é preciso algo mais. Pedir essa avaliação é diferente de se examinar sozinho várias vezes.
Como parar de examinar a pele o tempo todo?
Costuma ajudar ir passo a passo: anotar quantas vezes você se examina, reduzir aos poucos e esperar um pouco antes de pesquisar na internet. Se for difícil sozinho, a terapia cognitivo-comportamental trabalha justamente esse ciclo de examinar e buscar confirmação.
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