Medo de dinheiro (crematofobia)

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Tem gente que deixa boletos e cartas do banco fechados por semanas, ou que sente o coração disparar toda vez que precisa pagar no caixa. Outras pessoas fogem de qualquer conversa sobre dinheiro, até com o parceiro ou a família, mesmo sabendo que isso está trazendo problemas.

Entendendo esse medo

A crematofobia é um medo intenso e persistente de dinheiro: de lidar com ele, tocar, gastar ou falar sobre ele. Há pouca pesquisa sobre esse medo especificamente, e ele não é um diagnóstico oficial, por isso é mais bem entendido como uma fobia específica: um medo desproporcional diante de algo que, em si, não é perigoso. Preocupar-se com as contas é muito comum, principalmente em fases de aperto. Na fobia, a ansiedade aparece mesmo quando a situação está em ordem e leva a evitar tarefas que a vida diária exige.

O medo pode ter focos diferentes. Para algumas pessoas, o mais difícil é gastar, até com coisas necessárias. Para outras, é olhar o saldo, abrir uma fatura ou tomar qualquer decisão que envolva dinheiro. Há quem sinta aversão a tocar em notas e moedas, e quem não consiga falar do assunto sem ficar angustiado. Não é a mesma coisa que ter dívidas ou passar aperto, e pode aparecer também quando não há problemas financeiros reais.

Gatilhos comuns

  • Abrir um boleto, uma fatura ou um extrato
  • Conferir o saldo no aplicativo do banco
  • Pagar no caixa com gente esperando na fila
  • Ter que tocar em notas ou moedas
  • Falar de dinheiro com o parceiro ou a família
  • Pedir aumento ou negociar um preço
  • Uma decisão de compra importante
  • Notícias sobre crise econômica

Onde ele aparece

  • Agências bancárias e caixas eletrônicos
  • Lojas e supermercados
  • A caixa de correio e o e-mail
  • O aplicativo do banco e as notificações de Pix
  • Conversas em casa
  • Reuniões de trabalho sobre salário
  • Festas e datas em que é preciso pagar ou dar presente

Sintomas

No corpo

  • Coração disparado ao pagar ou olhar o saldo
  • Suor
  • Falta de ar
  • Enjoo ou mal-estar no estômago
  • Tensão ou dor muscular
  • Dificuldade para dormir

Na mente

  • Sensação de não ter nenhum controle sobre o dinheiro
  • Pensamentos negativos repetidos sobre ruína ou pobreza
  • Culpa depois de qualquer gasto
  • Medo de errar em uma decisão
  • Travar ao tentar organizar as contas
  • Vergonha de falar do assunto

O que a pessoa costuma fazer

  • Deixar boletos e cartas do banco sem abrir
  • Adiar pagamentos mesmo tendo o dinheiro
  • Cortar gastos básicos de forma extrema
  • Conferir o saldo várias vezes por dia
  • Deixar tudo o que envolve dinheiro com outra pessoa
  • Evitar passeios e programas para não gastar

O que causa esse medo

Como em outras fobias específicas, normalmente não há uma causa única. Uma experiência difícil com dinheiro, como uma crise na família, uma dívida que saiu do controle ou um golpe, pode ser o ponto de partida. O que se aprende em casa também pesa: crescer vendo os adultos brigarem ou se angustiarem por dinheiro deixa marcas, e um histórico de ansiedade na família pode aumentar a vulnerabilidade. Às vezes a pessoa não se lembra de nenhum fato concreto. Evitar o assunto traz alívio na hora, mas deixa as pendências crescerem, e isso confirma a ideia de que o dinheiro é perigoso.

Como pode afetar a sua vida

Evitar o dinheiro raramente faz os problemas sumirem. Boletos esquecidos podem gerar multa e juros, e decisões adiadas acabam sendo tomadas às pressas. O medo também pode criar tensão no casal ou na família, principalmente quando uma pessoa carrega sozinha todas as contas. Algumas pessoas se isolam para não gastar ou sentem vergonha por não conseguir resolver algo que parece simples para os outros. Com o tempo, podem surgir uma ansiedade mais geral, desânimo ou problemas de sono.

O que pode ajudar no dia a dia

  • Lembrar que o que você sente é ansiedade, e não falta de capacidade
  • Praticar uma respiração lenta antes de abrir uma carta ou olhar o saldo, soltando o ar mais devagar do que puxa
  • Escolher um momento tranquilo e curto para ver a correspondência, em vez de deixar acumular
  • Pedir a alguém de confiança que fique por perto enquanto você faz uma tarefa que angustia
  • Ir do mais fácil para o mais difícil, por exemplo um pagamento pequeno antes de uma conversa importante
  • Perceber os pensamentos catastróficos e se perguntar que provas você tem deles

Quando procurar ajuda

Vale buscar ajuda se o medo faz você deixar pagamentos ou tarefas sem fazer, impede você de comprar o necessário ou se pensar em dinheiro provoca crises de pânico. Um médico, a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um psicólogo ou psiquiatra podem ajudar a entender se é uma fobia ou outra forma de ansiedade. A terapia cognitivo-comportamental, com exposição gradual e técnicas para questionar os pensamentos negativos, é a abordagem mais citada para esse tipo de medo. Se o mal-estar deixa você desanimado, o CVV atende pelo 188, a qualquer hora.

Como a hipnoterapia pode ajudar

A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de dinheiro, ela costuma ser usada para explorar as crenças e lembranças que estão por trás da angústia e para ensaiar na imaginação tarefas concretas, como abrir uma carta do banco ou pagar no caixa, até que pareçam possíveis. Também é usada para acalmar a reação automática de alarme que aparece ao pensar em contas ou decisões. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.

Fale com uma especialista

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.

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Perguntas frequentes

O que é crematofobia?

É um medo intenso e persistente de dinheiro, que pode girar em torno de gastar, tocar, conferir ou falar sobre ele. Não é um diagnóstico oficial e há pouca pesquisa sobre ele, mas quando o medo é desproporcional e leva a evitar tarefas do dia a dia, ele se encaixa no que se descreve como fobia específica.

É normal sentir ansiedade ao gastar dinheiro?

Sentir alguma inquietação diante de um gasto grande ou numa fase de aperto é muito comum. Vira um problema quando a ansiedade aparece até com gastos pequenos ou necessários, quando leva você a deixar de comprar o básico ou quando ocupa boa parte dos seus pensamentos.

Por que tenho tanta dificuldade de abrir boletos e cartas do banco?

Quando algo causa ansiedade, a mente busca alívio evitando aquilo. Deixar o envelope fechado acalma na hora, mas a inquietação volta e costuma crescer. Abrir em um momento tranquilo, com uma respiração lenta e, às vezes, com alguém de confiança ao lado, ajuda a quebrar esse ciclo.

Dá para superar o medo de dinheiro?

Sim. As fobias específicas costumam responder bem à terapia cognitivo-comportamental, que combina a exposição gradual, por exemplo começando por um gasto pequeno, com técnicas para questionar os pensamentos negativos sobre dinheiro. Buscar ajuda cedo costuma facilitar o processo.

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