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Sentir sede numa tarde de calor, levantar à noite para ir ao banheiro ou ficar cansado depois do trabalho acontece com qualquer pessoa. Para algumas, porém, cada um desses sinais traz a mesma pergunta, e se for diabetes?, e a dúvida volta mesmo quando os exames vieram normais.
Entendendo esse medo
A diabetofobia é um medo intenso e persistente de desenvolver diabetes. Há pouca pesquisa sobre esse medo especificamente, então ele costuma ser entendido como uma fobia específica, próxima da ansiedade com a saúde: um temor desproporcional ao risco real, que não se acalma com informação nem com resultados normais. Querer cuidar da saúde e fazer os exames que o médico indica é sensato. Na diabetofobia, a preocupação toma boa parte do dia e leva a examinar o corpo, pedir exames de sangue sem parar ou controlar a comida de um jeito cada vez mais rígido.
Pode aparecer, por exemplo, em quem viu a diabetes de perto na família. Quem já vive com diabetes também pode sentir muita angústia com as complicações, uma preocupação diferente, que vale conversar com a equipe de saúde que acompanha o tratamento.
Gatilhos comuns
- Sentir sede ou boca seca
- Ir ao banheiro mais vezes do que o normal
- Cansaço ou vista um pouco embaçada
- O diagnóstico de um familiar ou amigo
- Esperar o resultado de um exame de sangue
- Notícias e campanhas sobre diabetes
- Doces em festas e aniversários
- Chegar à idade em que um familiar adoeceu
Onde ele aparece
- Em casa, ao notar uma sensação nova no corpo
- Buscadores, fóruns e redes sociais
- Laboratórios e consultórios
- Almoços de família, churrascos e festas
- Supermercados, padarias e lojas de comida
- À noite, ao acordar com sede
Sintomas
No corpo
- Coração acelerado ao pensar em diabetes
- Boca seca ou tremor, que também passam a ser lidos como sinais
- Nó no estômago
- Tensão no pescoço e nos ombros
- Suor
- Dificuldade para dormir
Na mente
- Ver a sede ou o cansaço como prova de diabetes
- Duvidar dos resultados normais
- Imaginar complicações graves
- Culpa ou ansiedade depois de comer
- Um alívio que dura pouco depois de um exame
- Dificuldade para se concentrar em outras coisas
O que a pessoa costuma fazer
- Pedir exames de sangue com muita frequência
- Pesquisar sintomas de diabetes na internet por horas
- Pedir para outras pessoas confirmarem que está tudo bem
- Cortar alimentos de forma muito rígida
- Evitar refeições em grupo ou comemorações
- Evitar o médico por medo do resultado
O que causa esse medo
Em geral, não há uma causa única. Ter acompanhado um familiar com diabetes, sobretudo se ele teve complicações, pode deixar uma marca forte, e saber que o histórico familiar aumenta o risco pode transformar a preocupação em alarme constante. Como em outras fobias específicas, contam o histórico de ansiedade na família e um temperamento mais sensível à incerteza. Alguns sinais da diabetes, como sede ou cansaço, também aparecem com estresse, calor ou noites mal dormidas, então dão muitas ocasiões para alarme. Examinar-se, pesquisar na internet ou pedir outro exame acalma por um tempo, mas ensina a mente que ela precisa conferir.
Como pode afetar a sua vida
A preocupação pode ocupar horas, entre pesquisas, exames e revisões do que foi comido. Comer deixa de ser um momento tranquilo e os encontros com comida viram fonte de tensão, por isso há quem se isole. O parceiro ou a família podem se cansar de tranquilizar. Quando o medo leva a comer cada vez menos, o corpo pode sentir. E algumas pessoas, com medo de confirmar o que temem, evitam justamente os exames que o médico recomendou.
O que pode ajudar no dia a dia
- Pedir ao médico que diga quais exames você precisa e com que frequência, e seguir esse plano em vez da dúvida do momento
- Anotar quantas vezes por dia você pesquisa sintomas ou pede para ser tranquilizado, e reduzir aos poucos
- Diante da vontade de pesquisar na internet, esperar um pouco e fazer outra coisa, como uma caminhada
- Escrever o pensamento que assusta e, ao lado, uma explicação mais equilibrada
- Respirar devagar, soltando o ar mais lentamente do que puxa, quando a ansiedade subir
Quando procurar ajuda
Se você tem sintomas como muita sede, vontade de urinar muitas vezes, cansaço que não passa, vista embaçada, feridas que demoram a cicatrizar ou perda de peso sem motivo, procure um médico ou a Unidade Básica de Saúde (UBS): só os exames que o médico pedir podem esclarecer o que está acontecendo, e esta página não tem como dizer. Se o medo leva você a comer muito pouco, pular refeições, perder peso ou pensar o tempo todo no que come, o primeiro passo é um médico ou um psicólogo ou psiquiatra. Vale buscar ajuda para o medo em si se ele toma boa parte do dia ou continua apesar dos resultados normais. Se o seu ânimo também está baixo, o CVV atende pelo 188, a qualquer hora.
Como a hipnoterapia pode ajudar
A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de diabetes, ela costuma ser usada para baixar o nível geral de alerta, de modo que a sede ou o cansaço deixem de ser vividos como ameaça, e para tolerar melhor a incerteza sem pedir mais um exame. Também é comum trabalhar lembranças que alimentam o medo, como a doença de um familiar. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, os exames que o médico indicar nem a ajuda especializada se houver problemas com a alimentação, e os resultados variam de pessoa para pessoa.
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Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta
Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.
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Perguntas frequentes
O que é diabetofobia?
É um medo intenso e persistente de desenvolver diabetes. Cuidar da saúde e fazer os exames que o médico indica é razoável. Fala-se em fobia quando o medo ocupa boa parte do dia, não passa com resultados normais ou muda o seu jeito de comer e de conviver com as pessoas.
Quais sintomas de diabetes devem levar ao médico?
Entre os sinais descritos estão sede constante, fome frequente, vontade de urinar muitas vezes, cansaço ou fraqueza, vista embaçada, formigamento nos pés e nas mãos, feridas que demoram a cicatrizar e perda de peso sem motivo. Vários deles também aparecem com o estresse, por isso não adianta adivinhar: é o médico quem decide quais exames são necessários.
Quem tem pai ou mãe com diabetes vai ter diabetes também?
Ter parentes próximos com diabetes aumenta o risco, mas não significa que você vai ter a doença. O mais útil é contar isso ao médico, para que ele indique quais exames fazem sentido e com que frequência, em vez de se examinar por conta própria cada vez que a dúvida aparece.
Por que continuo preocupado mesmo com exames normais?
Isso é muito comum na ansiedade com a saúde. Um resultado normal traz alívio por um tempo, mas a mente costuma encontrar uma nova dúvida, e assim se forma um ciclo. Por isso ajuda trabalhar o medo em si, por exemplo com terapia cognitivo-comportamental, em vez de buscar mais confirmações.
Já tenho diabetes e vivo com medo das complicações. Isso é normal?
Muitas pessoas com diabetes contam que se preocupam com as complicações, e esse sofrimento emocional faz parte da doença tanto quanto o controle do açúcar no sangue. Converse sobre isso com o seu médico ou com a equipe que acompanha você, que podem ajudar ou encaminhar a um psicólogo.
Leia mais
Ministério da Saúde: Diabetes (diabetes mellitus) · Mayo Clinic: Fobias específicas, síntomas y causas · Quirónsalud Córdoba: El 36% de las personas con diabetes sufre ansiedad relacionada con la enfermedad
