Medo de dentista (odontofobia)

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Tem gente que adia a ida ao dentista há anos e só aparece no consultório quando a dor fica insuportável. Outras pessoas até vão, mas passam a semana anterior dormindo mal e sentem o coração disparar só de ouvir o barulho do motorzinho na sala de espera.

Entendendo esse medo

A odontofobia, também chamada de dentofobia, é um medo intenso e persistente de ir ao dentista. Ficar um pouco tenso antes de uma consulta é muito comum e costuma passar quando o atendimento começa. Na fobia, o medo é desproporcional à situação. A angústia pode começar dias antes, e muitas pessoas desmarcam consultas ou passam anos sem ir, mesmo com dor ou com um dente quebrado.

Raramente o medo é de uma coisa só. Para alguns, o centro é a dor ou a agulha da anestesia. Para outros, é o barulho do motorzinho, o cheiro do consultório, a sensação de engasgar ou ficar deitado de boca aberta sem poder falar. Há também quem sinta vergonha do estado dos dentes e tenha medo de ser julgado. O nervosismo leve é bem comum, enquanto uma parte menor das pessoas sente um medo tão forte que evita o dentista por completo, a não ser em uma emergência.

Gatilhos comuns

  • Marcar a consulta
  • A mensagem lembrando da consulta
  • O cheiro do consultório
  • O barulho do motorzinho
  • Deitar na cadeira com a luz no rosto
  • A agulha da anestesia
  • Ver os instrumentos na bandeja
  • Sensação de engasgar ou ânsia
  • Ficar de boca aberta sem conseguir falar
  • Comentários sobre o estado dos dentes

Onde ele aparece

  • Clínicas e consultórios odontológicos
  • Sala de espera
  • Consultas de rotina e limpeza
  • Atendimento de urgência por dor de dente
  • Atendimento de saúde bucal na UBS
  • Tratamento com aparelho ortodôntico
  • Levar os filhos ao dentista
  • Conversas e vídeos sobre tratamento dentário

Sintomas

No corpo

  • Coração disparado na sala de espera
  • Mãos suadas e frias
  • Tremores
  • Enjoo ou frio na barriga
  • Respiração curta ou sensação de falta de ar
  • Tontura ao sentar na cadeira
  • Noites mal dormidas antes da consulta

Na mente

  • Certeza de que vai doer muito
  • Medo de que a anestesia não funcione
  • Sensação de estar preso, sem poder se mexer ou falar
  • Vergonha dos próprios dentes
  • Medo de perder o controle ou chorar na frente do dentista
  • Imaginar o pior durante dias antes da consulta

O que a pessoa costuma fazer

  • Desmarcar consultas em cima da hora
  • Só procurar o dentista quando a dor fica insuportável
  • Adiar tratamentos que já foram indicados
  • Evitar sorrir ou abrir a boca na frente dos outros
  • Só ir ao consultório com uma pessoa específica
  • Evitar até passar em frente a uma clínica

O que causa esse medo

Uma experiência dolorosa ou assustadora no dentista, muitas vezes na infância, é um ponto de partida comum. O medo também pode ser aprendido, ao ouvir histórias de parentes ou ver alguém da família com pavor de dentista, e quem tem casos de ansiedade na família pode ter mais tendência a desenvolvê-lo. Ficar deitado de boca aberta, sem poder falar e sem ver o que está acontecendo, traz uma sensação forte de falta de controle. Para algumas pessoas, o medo também se liga a vivências difíceis em que se sentiram sem voz ou sem poder reagir. Evitar o dentista, ou ir só no limite da dor, acaba mantendo essa ligação forte.

Como pode afetar a sua vida

Quem evita o dentista por muito tempo costuma deixar pequenos problemas crescerem. Quando a pessoa finalmente procura atendimento por causa da dor, o tratamento tende a ser mais longo e mais difícil, o que reforça o medo e alimenta um ciclo de evitação. Isso pode afetar a alimentação, a fala e a vontade de sorrir. Há quem evite fotos, encontros ou entrevistas de emprego por vergonha dos dentes, e quem carregue culpa por não conseguir cuidar da própria saúde. Em alguns casos, o medo também acaba passando para os filhos, que crescem ouvindo que dentista é sinônimo de sofrimento.

O que pode ajudar no dia a dia

  • Contar sobre o medo já na hora de marcar, para que a equipe vá com mais calma e explique cada passo
  • Combinar com o dentista um sinal com a mão para pedir uma pausa a qualquer momento
  • Pedir uma primeira consulta só de conversa, sem nenhum procedimento
  • Treinar uma respiração lenta, soltando o ar mais devagar do que puxa, nos dias antes da consulta e não só na cadeira
  • Levar fones de ouvido com músicas ou áudios calmantes e, se ajudar, ir com alguém de confiança

Quando procurar ajuda

Vale buscar ajuda se o medo está fazendo você adiar consultas por meses ou anos, abandonar tratamentos ou só procurar atendimento em caso de urgência. Se tiver dor, inchaço ou um dente quebrado, procure atendimento sem esperar o problema crescer. No Brasil, o SUS oferece atendimento odontológico gratuito pelo programa Brasil Sorridente, com equipes de saúde bucal em muitas Unidades Básicas de Saúde (UBS), e você pode contar à equipe que tem medo. Se a ansiedade está atrapalhando o dia a dia, converse também com um médico ou procure a UBS mais próxima.

Como a hipnoterapia pode ajudar

A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de dentista, ela costuma ser usada para entender de onde o medo vem, ensaiar a consulta inteira na imaginação, da sala de espera até a cadeira, até ela parecer possível e acalmar a reação automática de alarme que dispara com o barulho, o cheiro ou a agulha. Muitas pessoas também saem das sessões com uma gravação para ouvir antes da consulta. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico nem o odontológico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.

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Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se o medo de dentista está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.

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Perguntas frequentes

É normal ter medo de dentista?

Sim. Ficar nervoso antes de uma consulta é muito comum, e uma parte menor das pessoas tem um medo tão forte que passa anos sem ir ao dentista. Quando o medo faz você evitar o atendimento, ele deixa de ser só nervosismo e merece atenção.

Como perder o medo de dentista?

Costuma ajudar ir aos poucos: contar ao dentista sobre o medo, começar com uma consulta só de conversa e combinar um sinal para pausar. A respiração lenta e o relaxamento ajudam no momento, e abordagens como a terapia cognitivo-comportamental e a hipnoterapia trabalham o medo em si.

O que fazer com o medo de anestesia no dentista?

O medo da agulha é um dos mais comuns entre quem tem medo de dentista. Vale contar isso antes de começar, para que o dentista explique o que vai fazer, vá no seu ritmo e responda às suas dúvidas. Só o dentista pode avaliar quais opções fazem sentido no seu caso.

Por que o barulho e o cheiro do dentista dão tanto medo?

Quando uma experiência ruim fica marcada, o cérebro passa a associar os sons e os cheiros do consultório ao perigo. Por isso o motorzinho ou o cheiro de clínica podem disparar a ansiedade antes de qualquer procedimento começar. Essa associação pode ser enfraquecida com o tempo.

Dá para ir ao dentista de graça pelo SUS?

Sim. O programa Brasil Sorridente oferece atendimento odontológico gratuito, e a porta de entrada costuma ser a equipe de saúde bucal da Unidade Básica de Saúde (UBS). Se tiver dúvidas sobre o atendimento na sua região, a secretaria de saúde do seu município pode orientar.

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Cleveland Clinic: Dentophobia (fear of dentists) · The Conversation: Fear of the dentist, what is dental phobia and dental anxiety · Ministério da Saúde: Brasil Sorridente