Medo de covid (coronafobia)

In English: read about this fear on Phobia Guru.

Tem gente que, anos depois da fase mais dura da pandemia, ainda não consegue entrar em um supermercado cheio, mede a temperatura várias vezes por dia ou sente o peito apertar toda vez que alguém tosse por perto. Muitas dessas pessoas sabem que a reação é mais forte do que a situação pede, mas não conseguem desligá-la.

Entendendo esse medo

A coronafobia é um medo intenso e persistente de pegar covid-19 ou do que a doença possa causar a você ou às pessoas que você ama. O termo surgiu em 2020 e não é um diagnóstico próprio nos manuais de saúde mental, embora se pareça com uma fobia específica e com a ansiedade ligada à saúde. Ter cuidado diante de uma doença contagiosa é razoável. A diferença é que o medo ocupa boa parte do dia, continua igual mesmo quando as circunstâncias mudam e passa a decidir aonde você vai e quem você encontra.

O medo nem sempre tem o mesmo foco. Para algumas pessoas, o centro é ficar gravemente doente. Para outras, é passar a doença para um parente idoso ou com problemas de saúde, e a culpa antecipada pesa mais do que o medo por si mesmas. Há quem viva atento a cada sensação do corpo, e quem sinta sobretudo que não aguenta a incerteza. Muitas vezes ele aparece junto com o medo de germes.

Gatilhos comuns

  • Uma tosse ou um espirro por perto
  • Dor de garganta ou um pouco de febre
  • Notícias sobre novas variantes ou surtos
  • Saber que um conhecido pegou covid
  • Lugares fechados e cheios de gente
  • Ônibus, metrô ou trem lotado
  • Tocar em superfícies compartilhadas
  • Convites para encontros ou festas
  • Visitas a hospitais ou casas de repouso

Onde ele aparece

  • Supermercados, shoppings e lojas cheias
  • Ônibus, metrô e outros transportes públicos
  • O escritório e outros locais de trabalho
  • Escolas e faculdades
  • Consultórios, clínicas e hospitais
  • Shows, jogos de futebol e grandes eventos
  • Encontros de família com pessoas idosas
  • Em casa, ao ler notícias ou redes sociais

Sintomas

No corpo

  • Coração acelerado com uma tosse por perto
  • Aperto no peito
  • Sensação de falta de ar
  • Tontura ou tremores
  • Enjoo ou mal-estar no estômago
  • Dificuldade para dormir

Na mente

  • Achar que qualquer tosse é covid
  • Imaginar o pior diante de cada sintoma
  • Culpa antecipada por poder passar a doença a alguém
  • Dificuldade de lidar com a incerteza
  • Sensação de perigo ao sair de casa
  • Saber que o medo é exagerado sem conseguir freá-lo

O que a pessoa costuma fazer

  • Medir a temperatura ou fazer exame de covid várias vezes
  • Conferir notícias e números várias vezes por dia
  • Pesquisar sintomas na internet
  • Pedir para outras pessoas confirmarem que está tudo bem
  • Limpar a casa ou lavar as mãos muito mais do que o necessário
  • Evitar encontros, viagens ou sair de casa

O que causa esse medo

A pandemia reuniu muitas condições que favorecem o medo: uma doença nova, muita incerteza, notícias o tempo todo, perdas próximas e longos períodos de isolamento. Mesmo assim, nem todo mundo desenvolve coronafobia. Pesam características de cada pessoa, como a tendência à ansiedade, a dificuldade de lidar com a incerteza ou a sensação de ser especialmente vulnerável a doenças. Ter tido covid grave, ter perdido alguém para a doença ou ter trabalhado na saúde durante a pandemia também pode deixar marcas. Conferir, pedir confirmação e evitar trazem alívio na hora, mas reforçam a ideia de que o perigo está sempre perto, e assim o medo se mantém.

Como pode afetar a sua vida

A coronafobia pode fazer o mundo ficar cada vez menor. Há quem deixe de ir a encontros de família, recuse trabalhos fora de casa ou crie em casa regras que o resto da família não segue, o que gera tensão. Conferir e limpar pode ocupar horas. O isolamento pode afetar o humor e trazer solidão, e esse medo já foi associado à depressão e a outros problemas de ansiedade. Algumas pessoas chegam a adiar consultas ou exames de rotina por medo de se contaminar em uma clínica, e isso traz os seus próprios riscos para a saúde.

O que pode ajudar no dia a dia

  • Escolher um ou dois momentos do dia para se informar, com limite de tempo e em fontes de saúde confiáveis
  • Anotar quantas vezes você confere, limpa ou pede confirmação, e diminuir aos poucos
  • Seguir as orientações do seu médico e do Ministério da Saúde, e não regras próprias que crescem junto com o medo
  • Retomar o contato com uma pessoa ou um lugar de cada vez, no seu ritmo
  • Treinar uma respiração lenta, soltando o ar mais devagar do que puxa, quando o alarme aparecer

Quando procurar ajuda

Vale buscar ajuda se o medo ocupa boa parte do seu dia, se impede você de trabalhar, ver a família ou sair de casa, ou se os rituais de limpeza e de conferência parecem fora de controle. Converse com um médico, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um psicólogo ou psiquiatra. Se tiver sintomas de alguma doença, peça para um médico avaliar em vez de pesquisar na internet, e continue com os exames de rotina, as vacinas e os tratamentos que foram indicados para você. Em caso de dor repentina no peito ou dificuldade para respirar, ligue na hora para o SAMU (192). Se o isolamento ou o desânimo estiverem pesando, o CVV atende pelo 188, a qualquer hora.

Como a hipnoterapia pode ajudar

A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de covid, ela costuma ser usada para acalmar a reação automática de alarme que dispara diante de uma tosse, de uma notícia ou de um lugar cheio, e para ensaiar na imaginação situações do dia a dia, como voltar a um almoço de família, até que pareçam possíveis. Também é usada para trabalhar a necessidade de conferir e pedir confirmação, e para lidar melhor com a incerteza. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.

Fale com uma especialista

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.

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Perguntas frequentes

O que é coronafobia?

É um medo intenso e persistente de pegar covid-19 ou das consequências da doença. O termo começou a ser usado em 2020. Ter cuidado é razoável; fala-se em coronafobia quando o medo ocupa boa parte do dia e limita a vida muito mais do que a situação exige.

Como saber se é covid ou ansiedade?

A ansiedade pode causar sensações parecidas com as de uma doença, como aperto no peito, falta de ar ou tontura, e por isso é fácil confundir. Pesquisar na internet costuma aumentar a preocupação. Se tiver sintomas ou dúvidas, procure um médico, e em caso de dor repentina no peito ou dificuldade para respirar, ligue para o SAMU (192).

É normal continuar com medo de covid?

Algum cuidado é compreensível, principalmente se você mora com alguém idoso ou com problemas de saúde. Passa a ser um problema quando a preocupação é constante, impede você de fazer coisas importantes ou não muda mesmo quando as circunstâncias e as orientações de saúde mudam.

Lavar muito as mãos faz parte da coronafobia?

Lavar as mãos é um hábito de higiene saudável. Pode virar parte do problema quando acontece muito mais vezes do que o necessário, é difícil parar ou não lavar causa muita angústia. Nesses casos, vale conversar com um médico ou com um profissional de saúde mental.

Como perder o medo de covid?

Costuma ajudar se informar em fontes confiáveis com limite de tempo, diminuir aos poucos as conferências e retomar as atividades passo a passo. Abordagens como a terapia cognitivo-comportamental, muito usada para fobias e ansiedade, trabalham a preocupação e os comportamentos de conferência, e um profissional de saúde mental pode acompanhar você nesse processo.

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