Medo de coisas viscosas (mixofobia)

In English: read about this fear on Phobia Guru.

Pegar em um pouco de slime, enfiar a mão em algo grudento ou ver um fio de catarro pode fazer quase qualquer pessoa torcer o nariz. Para algumas pessoas, a reação é bem mais forte: enjoo, arrepios, vontade de sair correndo e necessidade de lavar as mãos várias vezes, às vezes sem ter encostado em nada.

Entendendo esse medo

A mixofobia é uma aversão intensa e persistente a coisas viscosas: texturas gosmentas ou grudentas como catarro, saliva, slime de brinquedo, alguns alimentos ou animais de corpo úmido. Há pouca pesquisa sobre esse medo especificamente, por isso ele é entendido como uma fobia específica, ou seja, uma reação desproporcional diante de algo que traz pouco ou nenhum perigo real.

Nessa fobia, o nojo costuma pesar tanto quanto o medo, ou mais. Muitas vezes a pessoa não teme que algo ruim aconteça, mas sente uma repulsa que não consegue controlar. Estudos sobre o nojo mostram que essa emoção participa de várias fobias, como a de alguns animais pequenos ou a de sangue. Sentir desagrado diante do que é viscoso é muito comum; fala-se em fobia quando a reação causa angústia forte ou leva a evitar situações do dia a dia.

Gatilhos comuns

  • Pegar em slime, gelatina ou massa grudenta
  • Ver ou tocar catarro, próprio ou de outra pessoa
  • Saliva ou baba de bebê
  • Alimentos de textura gosmenta, como quiabo, ovo cru ou alguns frutos do mar
  • Lesmas, caracóis ou minhocas
  • Cola nas mãos
  • Lama ou algas escorregadias
  • Vídeos de slime nas redes sociais

Onde ele aparece

  • Em casa, ao cozinhar ou limpar
  • Ao cuidar de bebês ou crianças pequenas
  • Na escola, em trabalhos manuais ou brincadeiras com slime
  • Em almoços de família e restaurantes
  • Ao assoar o nariz ou cuidar de alguém resfriado
  • No quintal, no jardim ou na praia depois da chuva

Sintomas

No corpo

  • Enjoo ou ânsia de vômito
  • Calafrios ou pele arrepiada
  • Puxar a mão de repente
  • Coração acelerado
  • Suor ou calor no rosto
  • Aperto na garganta e no estômago

Na mente

  • Nojo intenso que não dá para controlar
  • Sensação de estar sujo ou contaminado
  • Lembrar da textura muito tempo depois
  • Medo de que algo viscoso encoste na pele
  • Imaginar a sensação só de ver uma imagem
  • Vergonha de reagir assim na frente dos outros

O que a pessoa costuma fazer

  • Lavar as mãos muitas vezes
  • Usar luvas ou papel para tocar certas coisas
  • Recusar alguns alimentos ou pratos inteiros
  • Pedir a outra pessoa para trocar fraldas ou limpar narizes
  • Sair do cômodo quando alguém brinca com slime
  • Evitar lagos, rios ou lugares úmidos e cheios de lama

O que causa esse medo

Pouco se sabe sobre as causas desse medo em particular. O nojo é uma emoção que, em geral, protege do que pode estar estragado ou transmitir doenças, e muitas texturas viscosas lembram secreções, comida estragada ou animais úmidos. Em algumas pessoas, essa reação natural fica muito mais intensa do que o comum. Ela pode começar com uma experiência desagradável, como tocar algo grudento sem esperar ou ter ânsia com um alimento, ou ser aprendida ao ver a reação de outras pessoas. Um histórico de ansiedade na família e um temperamento mais reativo também podem pesar. Reações de nojo são aprendidas com facilidade e custam a desaparecer, e evitar cada textura mantém o alarme ligado.

Como pode afetar a sua vida

O que é viscoso aparece em muitas tarefas comuns, então o medo pode pesar mais do que parece. Cuidar de um bebê, cozinhar ou atender uma criança resfriada pode virar uma luta, e recusar pratos pode criar tensão na família. Há quem evite passeios na natureza e quem passe muito tempo lavando as mãos. Sentir tanto nojo de algo que os outros toleram também pode trazer vergonha e a sensação de que ninguém entende.

O que pode ajudar no dia a dia

  • Lembrar que o nojo é uma emoção normal e que senti-lo com força não significa perigo
  • Dar nome à reação quando ela vier: é nojo, vai subir e depois vai baixar
  • Respirar devagar enquanto a onda passa, soltando o ar mais devagar do que puxa
  • Se aproximar das texturas aos poucos, por exemplo olhando fotos antes de tocar em algo só um pouco grudento
  • Reduzir aos poucos as lavagens de mão extras, sem abrir mão da higiene normal
  • Se a aversão afetar o que você come, conversar com um médico em vez de cortar cada vez mais alimentos

Quando procurar ajuda

Vale buscar ajuda se o medo impede você de cuidar dos filhos, cozinhar ou sair, ou se causa angústia forte todos os dias. Se a aversão a texturas faz você comer pouquíssimos alimentos diferentes, perder peso ou ter problemas constantes nas refeições, converse primeiro com um médico; no caso de crianças, com o pediatra. Se a lavagem das mãos ou a sensação de estar contaminado crescerem e se espalharem para muitas coisas, conte isso a um profissional, que pode avaliar se há algo além de uma fobia. Um médico, a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima ou um profissional de saúde mental podem orientar você. A terapia de exposição gradual, uma forma de terapia cognitivo-comportamental, é o tratamento mais usado para as fobias específicas.

Como a hipnoterapia pode ajudar

A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de coisas viscosas, ela costuma ser usada para baixar a intensidade da reação de nojo e de alarme diante de certas texturas, e para ensaiar na imaginação situações concretas, como trocar uma fralda ou sovar uma massa, até parecerem possíveis. Também pode ajudar a rever lembranças que alimentam a aversão. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.

Fale com uma especialista

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.

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Perguntas frequentes

Qual é o nome do medo de coisas viscosas?

Costuma ser chamado de mixofobia, do grego myxa, que quer dizer muco. Não é um diagnóstico com nome próprio nos manuais clínicos, mas, quando a aversão é intensa, dura muito tempo e leva a evitar situações normais, é entendida como uma fobia específica.

Por que sinto tanto nojo de slime?

Muitas texturas viscosas lembram coisas que o corpo aprende a evitar, como secreções ou comida estragada, e o nojo é a emoção que leva a pessoa a se afastar delas. Na maioria das pessoas, é um desagrado leve. Quando a reação é tão forte que causa enjoo ou faz você evitar lugares e tarefas, pode ser uma fobia.

Medo de coisas viscosas é o mesmo que TOC?

Não. Na fobia, o mal-estar aparece diante de certas texturas e diminui quando a pessoa se afasta delas. Se o medo de se sujar ou se contaminar se espalha para muitas coisas e surgem lavagens ou rituais difíceis de interromper, vale que um profissional de saúde mental avalie.

O que fazer quando uma criança não tolera certas texturas?

Muitas crianças recusam algumas texturas em certas fases, e costuma ajudar não forçar nem transformar a comida ou a brincadeira em briga. Se a recusa for muito forte, limitar muito o que ela come ou atrapalhar a vida na escola, converse com o pediatra.

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