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Tem gente que faz um caminho bem mais longo só para não passar na frente de um cemitério, ou que fica do lado de fora durante um enterro porque não consegue dar mais um passo. Para outras pessoas, basta ver um túmulo em uma novela ou em um filme para o coração disparar.
Entendendo esse medo
A coimetrofobia é um medo intenso e persistente de cemitério: de ver, de visitar ou até de passar perto. Há pouca pesquisa sobre esse medo especificamente, por isso ele é entendido como uma fobia específica, a partir do que se sabe sobre esses medos em geral. Sentir alguma inquietação ou tristeza em um cemitério é muito humano, porque são lugares ligados à perda. Na fobia, a reação é muito maior do que qualquer perigo real e leva a pessoa a evitar esses lugares mesmo quando isso tem um custo pessoal.
O medo costuma estar ligado a outros temores. Em muitas pessoas, ele aparece junto com o medo da morte (tanatofobia) ou com o medo de cadáveres e dos lugares onde eles ficam (necrofobia). Em outras, o que pesa são histórias, lendas ou crenças sobre espíritos e almas, que variam muito entre famílias e tradições, sejam católicas, evangélicas, espíritas, de matriz africana ou outras. Todas essas formas de viver o medo merecem respeito, quaisquer que sejam as crenças de cada pessoa.
Gatilhos comuns
- Ver o portão ou o muro de um cemitério
- Passar perto a pé, de ônibus ou de carro
- Túmulos, cruzes, jazigos e capelas
- Um enterro ou uma visita a um túmulo
- O Dia de Finados e outras datas de lembrança dos mortos
- Cenas de cemitério em filmes, novelas ou séries
- Histórias de assombração e lendas da cidade
Onde ele aparece
- Cemitérios municipais e particulares
- Jazigos, gavetas e mausoléus
- Funerárias, velórios e capelas mortuárias
- Ruas e avenidas que passam ao lado de um cemitério
- Cidades pequenas onde o cemitério fica à vista
- Visitas da família no Dia de Finados
- Idas ao túmulo de alguém querido
- Filmes, séries e jogos de terror
Sintomas
No corpo
- Coração disparado ao chegar perto
- Suor
- Tremores
- Calafrios
- Enjoo ou um nó no estômago
- Respiração curta
- Tontura
Na mente
- Pensamentos insistentes sobre a morte
- Sensação de ameaça difícil de explicar
- Lembranças de uma perda ou de um enterro
- Medo de ter uma crise na frente da família
- Culpa por não conseguir acompanhar os outros
O que a pessoa costuma fazer
- Fazer desvios para não passar na frente de um cemitério
- Não ir a enterros e despedidas
- Ficar do lado de fora enquanto a família entra
- Desviar o olhar ao passar perto
- Evitar conversas sobre a morte
O que causa esse medo
Não existe uma causa única. Uma experiência difícil, como um enterro muito doloroso na infância ou a perda repentina de alguém querido, pode deixar o cemitério associado ao medo e à tristeza. O medo também pode ser aprendido ao ouvir histórias de assombração, lendas ou comentários de parentes que tinham medo desses lugares. Um histórico de ansiedade na família, outras fobias ou um temperamento mais ansioso podem aumentar a chance. Em muitos casos, o medo de fundo é a morte, a própria ou a de quem se ama, e o cemitério vira o lugar que lembra disso. Evitar esses lugares repetidas vezes mantém essa associação intacta.
Como pode afetar a sua vida
A consequência mais dolorosa costuma ser não conseguir se despedir. Tem quem perca o enterro de um parente ou de um amigo, ou nunca visite o túmulo de alguém querido, e isso pode trazer culpa, tristeza e atritos com a família, que nem sempre entende o que está acontecendo. O medo também pode mudar os trajetos do dia a dia, a escolha de onde morar ou a decisão sobre um trabalho que exige passar por esses lugares. O Dia de Finados, que para muitas famílias é um dia de lembrança, pode ser vivido com angústia.
O que pode ajudar no dia a dia
- Falar do medo com alguém de confiança, principalmente antes de um enterro ou de uma data marcante
- Praticar uma respiração lenta, soltando o ar mais devagar do que puxa
- Se por enquanto não der para ir ao cemitério, lembrar de quem se foi de outras formas, como escrever uma carta ou reunir a família
- Se for acompanhar alguém, combinar antes que você pode sair um pouco quando precisar
- Diminuir os filmes de terror se perceber que eles aumentam o medo
Quando procurar ajuda
Vale buscar ajuda se o medo impede você de ir a despedidas importantes, muda os seus trajetos ou provoca crises de pânico. Também se você pensa na morte com tanta frequência que fica difícil se concentrar ou dormir. Converse com um médico, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima ou um psicólogo ou psiquiatra. Se o medo vem junto com um luto, um profissional pode acompanhar você nas duas coisas. Se o humor fica baixo por muito tempo, busque apoio logo; o CVV atende pelo 188, a qualquer hora.
Como a hipnoterapia pode ajudar
A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de cemitério, ela costuma ser usada para entender o que está por trás do medo, seja uma lembrança, uma perda ou uma ideia sobre a morte, e para ensaiar na imaginação a chegada a um cemitério enquanto o corpo se mantém calmo. O trabalho se adapta às crenças de cada pessoa, sem questioná-las. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico nem psicológico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.
Fale com uma especialista

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta
Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.
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Perguntas frequentes
O que é coimetrofobia?
É um medo intenso e persistente de cemitério, que leva a pessoa a evitar ver, visitar ou passar perto desses lugares. Ela é entendida como uma fobia específica: o medo é muito maior do que qualquer perigo real e começa a limitar a vida do dia a dia.
É normal sentir medo em cemitério?
Sentir respeito, tristeza ou alguma inquietação em um cemitério é muito comum, porque são lugares ligados à perda e à morte. Fala-se em fobia quando a ansiedade é tão forte que a pessoa evita esses lugares até em momentos importantes, como o enterro de alguém próximo.
Qual a diferença entre coimetrofobia, necrofobia e tanatofobia?
A coimetrofobia tem como foco o cemitério como lugar. A necrofobia é o medo de cadáveres e do que está ligado a eles, e a tanatofobia é o medo da morte ou do processo de morrer. Muitas vezes elas aparecem juntas, e entender qual pesa mais ajuda a saber o que trabalhar.
O que fazer quando é preciso ir a um enterro e o cemitério dá medo?
Pode ajudar contar a alguém de confiança, ir acompanhado e combinar que você pode se afastar um pouco se precisar. Respirar devagar ajuda a baixar a reação do corpo. Se nesse dia não for possível entrar, se despedir de outro jeito também vale, e mais adiante um profissional pode ajudar com o medo.
Tem como superar o medo de cemitério?
As fobias específicas costumam responder bem à ajuda psicológica. A terapia cognitivo-comportamental e a exposição gradual, sempre no seu ritmo, são os caminhos mais usados, e a hipnoterapia é outra opção. Com apoio, muitas pessoas voltam a conseguir acompanhar a família nesses momentos.
Leia mais
Manual MSD Versão Saúde para a Família: Fobias específicas · Cleveland Clinic: Thanatophobia (fear of death) · Medical News Today: Tanatofobia (ansiedad por la muerte), síntomas y cómo superarla
