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Tem gente que só compra roupa com zíper ou botão de pressão e sente um arrepio quando alguém de camisa social chega perto para dar um abraço. Muitas dessas pessoas nunca contam para ninguém, porque têm medo de virar piada por algo que os outros acham bobo.
Entendendo esse medo
A koumpounofobia é um medo intenso e persistente de botões, principalmente os de roupa. Em muitas pessoas, a reação principal não é tanto medo, e sim nojo, uma aversão física que pode trazer enjoo ou um arrepio na pele. Algumas pessoas toleram botões de metal e não suportam os de plástico; outras reagem a todos. O mal-estar pode aparecer ao ver, ao tocar ou só ao imaginar um botão.
É considerado um medo pouco comum, e talvez por isso se fale pouco dele. Quem tem koumpounofobia costuma saber que botões não são perigosos e, mesmo assim, não consegue evitar a reação. Um botão solto pendurado por um fio ou um pote cheio de botões costumam ser o mais difícil. Como os botões estão em camisas, casacos, uniformes e até brinquedos, o medo aparece em lugares muito comuns do dia a dia.
Gatilhos comuns
- Botões soltos ou pendurados por um fio
- Montes ou potes cheios de botões
- Botões de plástico em camisas e casacos
- Fotos de botões de perto
- Um botão que cai e rola pelo chão
- Tocar a roupa abotoada de outra pessoa
- Caixas de costura
- Bonecos ou personagens com botões no lugar dos olhos
- Ver alguém mordiscar ou ficar mexendo em um botão
- Abraços em pessoas de camisa
Onde ele aparece
- Lojas de roupa e provadores
- O guarda-roupa e as roupas da casa
- Na hora de lavar, estender e dobrar a roupa
- Uniformes da escola e do trabalho
- Armarinhos e lojas de artesanato
- Brechós
- Eventos formais em que se usa camisa social
- Cumprimentos e abraços com parentes ou colegas
Sintomas
No corpo
- Arrepio ou sensação de pele arrepiada
- Enjoo ou ânsia de vômito
- Puxar a mão ou o corpo de repente
- Coração disparado
- Calor repentino ou suor
- Vontade urgente de lavar as mãos depois de tocar um botão
Na mente
- Achar que botões são nojentos ou sujos
- Preocupação de que um botão encoste na pele
- Vergonha de ter um medo que os outros não entendem
- Imagens de botões que voltam sem querer
- Mal-estar que dura um bom tempo depois de vê-los
- Saber que não são perigosos e não conseguir frear a reação
O que a pessoa costuma fazer
- Comprar só roupa com zíper, botão de pressão ou sem fecho
- Pedir a outra pessoa que abotoe ou desabotoe a roupa
- Evitar abraços ou se afastar quando alguém se aproxima
- Desviar o olhar da roupa dos outros
- Evitar armarinhos, caixas de costura e lojas de artesanato
- Inventar outros motivos para esconder o medo
O que causa esse medo
Não se conhece uma causa única. Algumas pessoas lembram de um momento específico da infância, como colocar um botão na boca ou se sentir humilhadas quando um monte de botões caiu em cima delas na frente dos outros; um caso clínico publicado descreve um menino cujo medo começou exatamente assim, em uma aula de artes. Outras não lembram como começou. O nojo é uma reação de proteção que normalmente afasta a pessoa do que pode estar sujo, e nessa fobia ele parece ter grudado nos botões. Um histórico de ansiedade na família também pode influenciar. Cada vez que a pessoa evita os botões, essa aversão não tem chance de diminuir, e o medo se mantém.
Como pode afetar a sua vida
Algo tão comum quanto se vestir pode ficar complicado. Há quem não encontre roupa social para uma entrevista de emprego ou um casamento, ou quem sofra com um uniforme de botões. Recusar abraços pode ser confundido com frieza e criar tensão com o parceiro ou a parceira, os filhos ou os amigos. Muitas pessoas preferem não explicar o motivo por medo de virar piada e ficam sozinhas com o mal-estar. Nas crianças, o medo pode complicar a rotina da manhã e o uso do uniforme da escola.
O que pode ajudar no dia a dia
- Perceber se o que pesa mais é o medo ou o nojo, porque isso muda o que pode ajudar você
- Por enquanto, escolher roupas com zíper ou botão de pressão para que o medo não impeça você de sair
- Olhar por alguns instantes para um botão que incomode pouco, respirando devagar até a sensação diminuir
- Explicar o medo às pessoas próximas, para que entendam por que você evita certas roupas ou abraços
- Se o seu filho tem esse medo, conversar com calma e sem brincadeiras, e ver com a escola as opções de uniforme
Quando procurar ajuda
Vale buscar ajuda se o medo impede você de se vestir para trabalhar ou estudar, se afasta você do contato físico com a família ou se causa um mal-estar real que já dura meses. Se a ansiedade está atrapalhando o seu dia a dia, converse com um médico, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima ou busque um psicólogo ou psiquiatra. Nas crianças, se o medo atrapalha a escola ou a rotina, vale conversar com o pediatra. Quando o nojo pesa muito, às vezes a exposição gradual é combinada com técnicas da terapia cognitivo-comportamental que trabalham a forma de pensar sobre os botões.
Como a hipnoterapia pode ajudar
A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de botões, ela costuma ser usada para trabalhar tanto o nojo quanto o medo, que muitas vezes pedem abordagens diferentes, e para identificar a primeira lembrança ou imagem que acendeu a reação, mesmo que pareça pequena. Também é comum reduzir a aversão ligada a essa imagem e ensaiar na imaginação ver e tocar botões com o corpo tranquilo. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.
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Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta
Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.
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Perguntas frequentes
O que é koumpounofobia?
É o medo intenso e persistente de botões, principalmente os de roupa. O nome vem do grego. Muitas pessoas sentem esse medo mais como nojo do que como medo, e ele pode levar a evitar certas roupas, lojas ou abraços.
Fobia de botão existe mesmo?
Sim. Embora seja pouco comum e às vezes vire motivo de brincadeira, há casos descritos em revistas científicas. Ela é entendida como uma fobia específica quando o mal-estar é intenso, dura bastante tempo e atrapalha a vida diária.
Por que tenho nojo de botão?
O nojo é uma reação de proteção que pode se ligar a objetos inofensivos, muitas vezes depois de uma experiência desagradável na infância ou sem um motivo de que a pessoa se lembre. Por isso você pode saber que botões não fazem mal e, mesmo assim, sentir uma aversão muito forte.
Dá para superar o medo de botões?
Sim. Como outras fobias específicas, ele costuma responder bem à ajuda certa. A exposição gradual, sozinha ou combinada com técnicas que trabalham o nojo e a forma de pensar sobre os botões, e a hipnoterapia são abordagens usadas. Avançar no seu ritmo, sem se forçar, faz parte do processo.
O que fazer quando uma criança tem medo de botão?
Vale levar o medo a sério, sem brincadeiras e sem obrigar a criança a tocar em botões. Conversar com a escola sobre o uniforme pode aliviar a rotina e, se o medo durar meses ou atrapalhar o dia a dia, o pediatra ou um profissional de saúde mental podem orientar.
Leia mais
Mayo Clinic: Fobias específicas, síntomas y causas · Simply Psychology: Saavedra and Silverman (2002), case study of button phobia · University of Denver: Case study of early attention, fear, disgust and avoidance in specific phobia for buttons (McRae and colleagues, 2022)
