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Em um aniversário ou em um churrasco de domingo, alguém levanta o copo para um brinde e, para quase todo mundo, é um gesto sem importância. Para algumas pessoas, esse momento traz um aperto no estômago, o coração disparado e vontade de ir embora. Não é só uma questão de preferência: o álcool dá medo.
Entendendo esse medo
A dipsofobia, também chamada de metifobia, é um medo intenso e persistente de beber álcool ou de perder o controle ao beber. Há pouca pesquisa sobre esse medo especificamente, e ele é entendido como uma fobia específica pouco comum. Em alguns dicionários médicos, o termo também aparece para o medo de beber qualquer líquido; esta página trata do medo do álcool.
Não beber é uma escolha válida: muita gente não toma bebida alcoólica por saúde, por religião, porque está em recuperação ou simplesmente porque não gosta. Fala-se em fobia quando o que pesa é o medo: angústia forte só de pensar em beber, pânico depois de provar um gole sem querer ou uma preocupação que faz a pessoa fugir de festas e encontros. Para algumas pessoas, o medo está no gosto ou no cheiro; para outras, no que pode acontecer depois, como falar demais, passar mal ou não conseguir parar.
Gatilhos comuns
- Um brinde em uma comemoração
- Alguém insistindo para servir mais um copo
- O cheiro de cerveja, vinho ou cachaça
- Não saber se uma bebida tem álcool
- Doces ou molhos feitos com bebida alcoólica
- Ver alguém bêbado
- Lembranças de alguém próximo que bebia demais
- Convites para festas ou happy hour do trabalho
- Ler no rótulo que um produto contém álcool
Onde ele aparece
- Casamentos, aniversários e festas de família
- Bares, botecos, restaurantes e baladas
- Confraternizações e happy hours do trabalho
- Réveillon, Carnaval e festas juninas
- Churrascos na casa de amigos
- Festas da faculdade
- O corredor de bebidas do supermercado
Sintomas
No corpo
- Coração disparado quando as bebidas são servidas
- Suor e mãos trêmulas
- Enjoo com o cheiro do álcool
- Respiração curta
- Tensão no corpo todo
- Dormir mal antes de um evento
Na mente
- Medo de perder o controle ou passar vergonha
- Certeza de que um gole vai trazer algo terrível
- Lembranças dolorosas de alguém que bebia
- Preocupação com o que os outros vão pensar
- Imaginar o pior dias antes de uma festa
- Alerta constante enquanto os outros bebem
O que a pessoa costuma fazer
- Recusar convites para encontros
- Ir embora antes do brinde
- Perguntar várias vezes o que tem em um prato ou bebida
- Ficar longe de quem está bebendo
- Inventar desculpas para não explicar o motivo
- Hesitar em tomar um remédio por medo de que tenha álcool
O que causa esse medo
Normalmente não existe uma causa única, e esse medo foi pouco estudado. Ele pode começar após crescer perto de um familiar com problemas com o álcool, depois de uma experiência ruim, como uma noite em que a pessoa passou muito mal ou levou um susto, ou depois de ter tido dificuldades com a bebida. Nesse último caso, ficar longe do álcool é um cuidado saudável, e o medo pode se misturar com essa decisão. Como em outras fobias específicas, também pesam o histórico de ansiedade na família, uma necessidade forte de manter o controle e a ansiedade social. Evitar cada situação com álcool traz alívio, mas mantém o alarme ligado.
Como pode afetar a sua vida
No Brasil, muitos aniversários, casamentos, churrascos e confraternizações giram em torno da cerveja e do brinde, então o medo pode ir deixando a pessoa de fora de momentos importantes. Tem quem se canse de se explicar e acabe se isolando. Quando o medo está ligado a lembranças da família, cada festa pode reabrir feridas. E se ele leva a duvidar de um remédio receitado pelo médico, pode afetar a saúde.
O que pode ajudar no dia a dia
- Lembrar que não beber é uma opção válida e que superar o medo não significa começar a beber
- Ter uma resposta curta e gentil pronta para quando oferecerem bebida
- Ir aos encontros com uma bebida sem álcool na mão e com alguém de confiança
- Se tiver dúvida se um remédio contém álcool, perguntar ao médico ou ao farmacêutico em vez de parar de tomar
- Respirar devagar antes e durante o evento
Quando procurar ajuda
Vale buscar ajuda se o medo está afastando você da família, dos amigos ou do trabalho, se provoca crises de pânico ou se faz você duvidar de um tratamento médico. Converse com um médico, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um psicólogo ou psiquiatra. Se o medo está ligado aos problemas com álcool de alguém próximo, existem grupos de apoio para familiares em muitas cidades. Se você se preocupa com a sua própria relação com o álcool, continuar sem beber pode ser o mais saudável, e a UBS pode indicar o atendimento do SUS, como o CAPS AD (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas). Se você estiver se sentindo para baixo, o CVV atende pelo 188, a qualquer hora.
Como a hipnoterapia pode ajudar
A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de beber álcool, ela costuma ser usada para acalmar a reação de alarme que aparece em encontros com bebida e para ensaiar na imaginação uma comemoração vivida com calma e sem beber. Também é comum trabalhar lembranças que alimentam o medo, como experiências difíceis na família. O objetivo não é que a pessoa beba, mas que possa decidir com liberdade e estar presente nesses momentos. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico nem a ajuda especializada para problemas com o álcool, e os resultados variam de pessoa para pessoa.
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Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta
Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.
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Perguntas frequentes
O que é dipsofobia?
É um medo intenso e persistente de beber álcool ou de perder o controle ao beber. É uma fobia específica pouco comum. Em alguns dicionários médicos, o termo também aparece para o medo de beber qualquer líquido, mas costuma ser usado para o álcool.
Não querer beber é fobia?
Não. Escolher não beber, por saúde, religião, recuperação ou gosto, é uma decisão válida e não tem nada de errado. Fala-se em fobia quando há angústia intensa diante do álcool, pânico ao provar um gole sem querer ou uma fuga das situações que limita a sua vida social, familiar ou profissional.
Preciso começar a beber para superar esse medo?
Não. Trabalhar o medo busca que você consiga ir a um casamento ou a um churrasco com tranquilidade, não que você beba. Se você já teve problemas com o álcool, ou se há motivos de saúde para não beber, continuar sem álcool segue sendo o indicado, e vale conversar sobre isso com um médico.
Por que tenho medo de álcool se alguém da família bebia demais?
Crescer perto de alguém com problemas com o álcool pode deixar lembranças e uma sensação de perigo ligadas ao cheiro da bebida, aos brindes ou a ver outras pessoas bebendo. É uma reação compreensível. Um psicólogo ou outro profissional de saúde mental pode ajudar com o medo e com essas experiências.
O que fazer se um remédio tem álcool?
Pergunte ao médico ou ao farmacêutico. Eles podem explicar o que o remédio contém e se existem alternativas. Não pare um tratamento por conta própria por causa do medo, porque isso pode prejudicar a sua saúde.
Leia mais
Clínica Universidad de Navarra, Diccionario médico: Dipsofobia · Mayo Clinic: Fobias específicas, síntomas y causas · Manual MSD Versão Saúde para a Família: Fobias específicas · MedlinePlus en español: Alcohol
