In English: read about this fear on Phobia Guru.
Tem gente que curte os primeiros encontros até a outra pessoa começar a importar de verdade, e aí bate a vontade de sumir. Outras passam anos sem deixar ninguém chegar perto, mesmo desejando companhia, e não sabem explicar por que procuram uma saída sempre que algo começa a dar certo.
Entendendo esse medo
A filofobia é um medo intenso e persistente de amar, de se apaixonar ou de que um relacionamento fique sério. A palavra vem do grego: filo quer dizer amor, e fobia, medo. Ela não aparece com nome próprio nos manuais de diagnóstico usados pelos profissionais, mas, quando o medo é forte, dura meses e limita a vida, um profissional pode avaliá-lo como uma fobia específica.
Sentir um frio na barriga no começo de uma relação é muito humano. Na filofobia, a proximidade emocional é vivida como ameaça. Muitas pessoas querem, sim, amar e ser amadas, mas quando os sentimentos aparecem chega a ansiedade e elas se afastam. Para algumas, o centro do medo é ser abandonada ou traída. Para outras, é perder a independência, se mostrar vulnerável ou sofrer de novo como em um término anterior. O medo pode aparecer junto com o medo de compromisso, o medo de rejeição, a ansiedade generalizada ou o ânimo baixo.
Gatilhos comuns
- Perceber que está gostando de alguém de verdade
- Um encontro que sai melhor do que o esperado
- Uma declaração de amor
- Conversas sobre planos para o futuro
- Conhecer a família ou os amigos de alguém
- Um pedido de namoro
- Aniversários de namoro e datas especiais
- Contar algo muito pessoal
- Lembranças de um término ou de uma traição
- Ver a outra pessoa empolgada com a relação
Onde ele aparece
- Aplicativos e sites de relacionamento
- Primeiros encontros e saídas a dois
- Conversas por mensagem que ficam mais íntimas
- Almoços de família em que perguntam sobre namoro
- Casamentos e o Dia dos Namorados
- Filmes, novelas e músicas românticas
- Amizades que começam a virar algo a mais
- Momentos tranquilos de proximidade emocional
Sintomas
No corpo
- Coração acelerado quando alguém demonstra interesse
- Aperto no peito
- Suor e boca seca
- Enjoo ou mal-estar no estômago
- Respiração rápida ou sensação de falta de ar
- Tremores ou tontura
- Inquietação e sono ruim depois de um encontro
Na mente
- Certeza de que a relação vai terminar mal
- Medo de ser abandonado ou traído
- Sensação de perder a liberdade ou de ficar preso
- Dificuldade para confiar na outra pessoa
- Achar que não merece ser amado
- Preocupação constante com o futuro da relação
O que a pessoa costuma fazer
- Terminar a relação ao primeiro sinal de compromisso
- Parar de responder mensagens sem explicação
- Ficar com alguém sem nunca assumir um namoro
- Prestar atenção só nos defeitos da outra pessoa
- Manter distância emocional mesmo havendo carinho
- Evitar encontros e datas românticas
O que causa esse medo
Muitas vezes o medo nasce de experiências dolorosas: um término repentino, uma traição, rejeições repetidas ou um relacionamento com controle ou maus-tratos. O que foi vivido na infância também pesa, como a separação dos pais ou a perda de um deles, a sensação de abandono ou crescer vendo relações infelizes em casa. Algumas pessoas aprendem muito cedo que gostar de alguém dói, e a mente passa a proteger essa ferida mantendo os outros à distância. Histórico de ansiedade ou de outras fobias na família pode influenciar, assim como certas pressões culturais ou familiares sobre namoro e casamento. Às vezes não há um motivo claro. Cada vez que a pessoa se afasta, sente alívio, e esse alívio reforça a ideia de que se aproximar é perigoso.
Como pode afetar a sua vida
A filofobia pode levar a uma vida com muitos começos e poucos vínculos duradouros, ou a evitar relacionamentos de vez. Há quem se sinta sozinho mesmo rodeado de gente, e quem carregue culpa por ter magoado pessoas importantes ao ir embora de repente. A ansiedade também pode afetar o sono, o humor e a autoconfiança. Com o tempo, algumas pessoas passam a acreditar que o amor não é para elas, mesmo que no fundo continuem desejando.
O que pode ajudar no dia a dia
- Observar os seus padrões com curiosidade e sem se culpar: em que momento o medo aparece e o que você faz quando ele chega
- Escrever o que exatamente assusta você em gostar de alguém, para enxergar com mais clareza
- Questionar a voz interna que prevê que tudo vai dar errado e se perguntar que provas reais existem
- Avançar no seu ritmo, com passos pequenos, como aceitar um segundo encontro ou contar algo pessoal
- Praticar uma respiração lenta quando bater a vontade de fugir, e esperar alguns minutos antes de decidir
Quando procurar ajuda
Vale buscar ajuda se o medo impede você de ter relacionamentos há muito tempo, se você termina as relações uma após a outra mesmo sem querer, ou se a ideia de se apaixonar provoca crises de pânico. Converse com um médico, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um psicólogo, principalmente se a ansiedade afeta o seu sono ou a sua rotina. Conte também se você está se sentindo para baixo há semanas ou se tem usado álcool ou outras substâncias para aguentar. Se precisar conversar com alguém, o CVV atende pelo 188, a qualquer hora.
Como a hipnoterapia pode ajudar
A hipnoterapia trabalha com um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de amar, ela costuma ser usada para identificar quais experiências ensinaram à mente que o amor é perigoso e para separar essas feridas antigas dos relacionamentos do presente. Também é usada para ensaiar na imaginação momentos de proximidade e compromisso enquanto o corpo se mantém calmo. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico nem psicológico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.
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Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta
Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.
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Perguntas frequentes
O que é filofobia?
É um medo intenso e persistente de amar ou de que um relacionamento fique sério, muito mais forte do que o nervosismo normal no começo de algo novo. Não aparece com nome próprio nos manuais de diagnóstico, mas, quando limita a vida por meses, um profissional pode avaliá-lo como uma fobia específica.
Como saber se tenho medo de amar?
Alguns sinais são se afastar justamente quando alguém começa a importar, sentir uma ansiedade forte diante de compromisso, desconfiar mesmo sem motivo ou manter tudo no casual para não arriscar. Só um profissional pode avaliar o seu caso, mas reconhecer o padrão já é um primeiro passo.
Por que tenho medo de me apaixonar?
Muitas vezes o medo vem de experiências dolorosas, como um término difícil, uma traição ou perdas na infância, que levam a mente a proteger essa ferida. Em outros casos não há um motivo claro. Entender de onde vem o seu medo ajuda a ver o que precisa mudar.
Filofobia é a mesma coisa que medo de compromisso?
Estão muito ligados e costumam aparecer juntos. O medo de compromisso se concentra em assumir uma relação estável, enquanto a filofobia tem a ver com o próprio ato de se apaixonar e de sentir proximidade emocional. Uma pessoa pode ter um sem ter o outro.
Como superar o medo de amar?
Costuma ajudar ir aos poucos, entender o medo sem se julgar e se dar permissão para avançar no seu ritmo. A terapia psicológica, como a cognitivo-comportamental, trabalha os pensamentos e os comportamentos que mantêm o medo, às vezes com exposição gradual. Com apoio, muitas pessoas conseguem viver os relacionamentos com mais calma.
Leia mais
Cleveland Clinic: Philophobia (fear of falling in love) · Unobravo: Filofobia, el miedo a enamorarse · El Comercio (Perú): Miedo a enamorarse, cuando se convierte en un bloqueo emocional
