In English: read about this fear on Phobia Guru.
Colocar o cinto, olhar para os dois lados antes de atravessar ou tomar cuidado na cozinha é sensato. Para algumas pessoas, porém, a ideia de que algo pode dar errado está presente quase o tempo todo, e a precaução ocupa tanto espaço que elas deixam de viajar, de praticar esporte ou até de fazer tarefas simples em casa.
Entendendo esse medo
A distiquifobia é um medo intenso e persistente de sofrer um acidente. É um nome pouco usado e há pouca pesquisa sobre esse medo especificamente, então ele é entendido a partir do que se sabe sobre as fobias específicas, em que a reação é desproporcional ao perigo real. Acidentes e ferimentos aparecem entre os gatilhos descritos para esse tipo de fobia.
O que separa esse medo da prudência é a intensidade e o espaço que ele ocupa na vida. A pessoa toma precauções que vão muito além do razoável, imagina tragédias em situações de baixo risco e abre mão de atividades inteiras para se sentir segura. Às vezes ele aparece depois de viver ou presenciar um acidente, e às vezes sem um motivo claro. Se a preocupação se espalha por muitos assuntos ao mesmo tempo e não fica só nos acidentes, pode ser outro tipo de ansiedade, e um profissional pode ajudar a diferenciar.
Gatilhos comuns
- Viajar de carro ou de ônibus pela estrada
- Andar de moto ou de bicicleta
- Notícias sobre batidas ou tragédias
- O som de uma sirene
- Cozinhar no fogão ou usar facas
- Subir em uma escada de abrir
- Praticar um esporte
- Um familiar sair de viagem
- Passar perto do lugar de um acidente anterior
Onde ele aparece
- Na rua e ao atravessar
- Em estradas e rodovias
- Na cozinha e no banheiro de casa
- No trabalho, principalmente com máquinas ou em altura
- Em quadras, academias e piscinas
- Em viagens e férias
- Em parquinhos e brinquedos com os filhos
Sintomas
No corpo
- Coração disparado diante de um risco pequeno
- Tensão muscular constante
- Sobressaltos com barulhos altos
- Respiração curta
- Aperto no estômago
- Dormir mal antes de uma viagem ou atividade
Na mente
- Imaginar acidentes de novo e de novo
- Pensar sempre no pior que pode acontecer
- Sentir que nenhuma precaução é suficiente
- Preocupação intensa quando alguém querido sai
- Dificuldade de aproveitar por estar sempre em alerta
- Saber que o medo é exagerado e não conseguir frear
O que a pessoa costuma fazer
- Recusar viagens, passeios ou esportes
- Conferir várias vezes o gás, as tomadas ou as fechaduras
- Pedir que os outros mandem mensagem ao chegar
- Deixar que outras pessoas cozinhem ou subam na escada
- Procurar sem parar informações sobre riscos
- Proibir os filhos de atividades normais para a idade
O que causa esse medo
Viver um acidente, presenciar um ou saber de um que atingiu alguém próximo é um ponto de partida frequente. Também influenciam ver muitas notícias ou imagens fortes, ter crescido com adultos muito medrosos e ter histórico de ansiedade na família ou um temperamento mais sensível a ela. O cérebro aprende a ver perigo em situações comuns, e cada vez que a pessoa evita algo e sente alívio, o medo se reforça. Quando o medo surge depois de um acidente de verdade e vem com lembranças que voltam sem querer, pesadelos ou sobressaltos, pode ser um transtorno de estresse pós-traumático, que tem tratamento próprio.
Como pode afetar a sua vida
Esse medo pode ir reduzindo a vida ao que parece seguro. Há quem largue o esporte, recuse férias ou empregos que exigem viajar, e quem perca encontros de família para não pegar a estrada. Ele também pode afetar a família, principalmente quando a preocupação passa para os filhos. Viver em alerta cansa, e com o tempo podem surgir irritação, problemas de sono, desânimo ou isolamento.
O que pode ajudar no dia a dia
- Tomar os cuidados de sempre, como o cinto ou o capacete, e depois lembrar que você já fez o razoável
- Limitar o tempo com notícias ou vídeos de acidentes
- Treinar uma respiração lenta, soltando o ar mais devagar do que puxa, quando o alarme aparecer
- Retomar aos poucos alguma atividade que você deixou, começando pela versão mais simples e segura
- Anotar o que você temia antes de uma atividade e o que de fato aconteceu, para comparar com calma
Quando procurar ajuda
Vale buscar ajuda se o medo faz você evitar viagens, trabalho, esportes ou tarefas do dia a dia, se você passa muito tempo imaginando acidentes ou se a preocupação com as pessoas queridas tira a sua tranquilidade. Se você viveu ou presenciou um acidente e desde então tem pesadelos, lembranças que voltam sem querer ou se assusta com facilidade, conte isso a um profissional, mesmo que já tenha passado tempo. Converse com um médico, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um psicólogo ou psiquiatra. Se você estiver se sentindo para baixo ou muito sozinho, o CVV atende pelo 188, a qualquer hora.
Como a hipnoterapia pode ajudar
A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de acidentes, ela costuma ser usada para baixar o estado de alerta constante e para ensaiar na imaginação atividades que a pessoa evita, como uma viagem ou um esporte, enquanto o corpo continua tranquilo. Se o medo começou depois de um acidente real, o indicado é combiná-la com o tratamento orientado por um profissional de saúde mental. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.
Fale com uma especialista

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta
Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.
Marcar conversa gratuita pelo Zoom
Conversa de 30 minutos, sem compromisso.
Perguntas frequentes
O que é distiquifobia?
É um medo intenso e persistente de sofrer um acidente, que leva a evitar viagens, esportes ou tarefas por excesso de precaução. É um nome pouco conhecido e quase não há estudos sobre ele, por isso é entendido como uma fobia específica. O que diferencia esse medo da prudência é o quanto ele causa sofrimento e limita a vida.
É normal ter medo depois de um acidente?
Sim. Depois de um acidente, é comum sentir medo, ficar nervoso ou dormir mal por um tempo, e a maioria das pessoas se recupera aos poucos. Se os pesadelos, as lembranças que voltam ou os sobressaltos duram mais de um mês ou impedem você de levar a vida, vale procurar um psicólogo ou psiquiatra.
Qual a diferença entre ser prudente e ter fobia de acidentes?
A prudência leva você a tomar cuidados razoáveis e seguir com o seu dia. Na fobia, o medo aparece até em situações de pouco risco, nenhuma precaução parece suficiente e a pessoa deixa de fazer coisas importantes para ela. Se você percebe que o medo está decidindo por você, vale pedir ajuda.
Como perder o medo de sofrer um acidente?
As fobias específicas costumam responder bem à ajuda certa. A terapia de exposição, um tipo de terapia cognitivo-comportamental, ajuda a retomar aos poucos o que foi deixado de lado, enquanto a pessoa aprende técnicas de relaxamento e respiração. Se o medo vem de um acidente real, um profissional de saúde mental pode avaliar se é preciso um tratamento específico.
Leia mais
Mayo Clinic: Fobias específicas, síntomas y causas · Manual MSD Versão Saúde para a Família: Fobias específicas · MedlinePlus en español: Trastorno de estrés postraumático
