Tem gente que chega em casa e esconde a sacola antes que alguém veja, ou que junta encomendas fechadas e roupas ainda com etiqueta. A hora da compra traz alívio ou empolgação, mas dura pouco. Depois vêm a culpa, a fatura do cartão que não fecha e a promessa de que não vai acontecer de novo.
A compra compulsiva é um problema real, não falta de caráter, e tem tratamento.
O que é essa mania
A oniomania, também chamada de compra compulsiva ou vício em compras, é um impulso de comprar muito difícil de segurar. A diferença está na perda de controle: a pessoa compra mesmo sem precisar, mesmo sem poder pagar e mesmo depois de prometer a si mesma que ia parar. A compra traz um alívio ou uma euforia que passa logo, e depois aparecem a culpa, a vergonha ou o medo de que os outros descubram.
Ela não tem um diagnóstico próprio no DSM-5, o manual usado por muitos psiquiatras. Alguns especialistas a descrevem como um transtorno do controle dos impulsos, e outros como um vício de comportamento, ou seja, uma conduta que se repete apesar do prejuízo que causa. Com frequência aparece junto com ansiedade, depressão ou outros problemas de saúde mental. A pesquisa ainda é limitada, mas já se sabe que há tratamento.
Gatilhos comuns
- Um dia ruim ou uma briga
- Sentir solidão, tristeza ou tédio
- Promoções, liquidações e ofertas por tempo limitado
- Parcelamento no cartão, que faz a compra parecer pequena
- Anúncios nas redes sociais
- Notificações de aplicativos de compras
- Cartão salvo nos aplicativos e compra com um clique
- Receber o salário, o 13º ou um dinheiro extra
- Mudanças de vida, como perder o emprego ou um luto
Onde ela aparece
- Lojas on-line e aplicativos, muitas vezes de madrugada
- Redes sociais com opção de compra
- Shoppings
- Black Friday e outras datas de grandes ofertas
- Em casa, sozinho, quando ninguém está vendo
- Lojas de departamento e de produtos baratos
Sinais
No corpo
- Tensão ou inquietação que cresce antes de comprar
- Coração acelerado e empolgação na hora de pagar
- Alívio imediato depois da compra
- Aperto no estômago ao olhar a fatura ou o extrato
- Sono ruim por causa da preocupação
Na mente
- Pensar em compras boa parte do dia
- Sentir que não consegue parar, mesmo querendo
- Culpa, vergonha ou arrependimento depois
- Usar as compras para fugir de emoções difíceis
- Sensação de vazio quando não está comprando
- Preocupação constante com dinheiro
O que a pessoa costuma fazer
- Comprar coisas de que não precisa ou que já tem
- Guardar objetos sem uso ou ainda com etiqueta
- Esconder encomendas, sacolas ou notas fiscais
- Mentir sobre quanto gastou
- Devolver compras e comprar de novo
- Deixar de lado o trabalho, os estudos ou a família
O que causa essa mania
Não existe uma causa única. Comprar ativa o sistema de recompensa do cérebro, e essa sensação boa passa rápido, o que empurra a pessoa a repetir. Muita gente usa as compras para aliviar o estresse, a tristeza, a solidão ou os conflitos. Também podem influenciar a autoestima baixa, o perfeccionismo, o medo de ficar de fora ou ter vivido fases de muita falta de dinheiro. Pesam ainda o histórico de vícios na família e a presença de ansiedade, depressão ou outros problemas de saúde mental. O ambiente faz a sua parte: compra com um clique, publicidade o tempo todo, parcelas que fazem a compra parecer menor e ofertas que criam pressa. Com o tempo, comprar vira a resposta automática para quase qualquer mal-estar.
Como pode afetar a sua vida
As consequências costumam ir além do dinheiro. Podem surgir dívidas, contas atrasadas e o nome negativado, e com isso muita ansiedade. Esconder as compras desgasta a confiança com o parceiro e a família, e as brigas por dinheiro são comuns. Muitas pessoas sentem que perderam o controle e vivem um ciclo de culpa e novas compras para aliviar essa culpa. Às vezes o humor desaba de verdade, e nesse ponto pedir ajuda é ainda mais importante.
O que pode ajudar no dia a dia
- Dar a si mesmo um tempo de espera, por exemplo um dia, antes de comprar algo que não estava planejado
- Antes de pagar, se perguntar o que está sentindo e do que precisa de verdade
- Apagar os aplicativos de compras e tirar os cartões salvos
- Cancelar os e-mails de ofertas e silenciar os perfis que levam você a comprar
- Ir às compras com uma lista e, se ajudar, com alguém de confiança
- Ter outras atividades para os momentos difíceis, como caminhar ou ligar para alguém
- Se houver dívidas, buscar orientação em um serviço confiável e desconfiar de quem promete soluções rápidas
Quando procurar ajuda
Vale buscar ajuda se você sente que não consegue parar, se esconde compras ou mente sobre elas, se as dívidas estão crescendo ou se o assunto está prejudicando as suas relações ou o seu trabalho. Você pode começar por um médico, pela Unidade Básica de Saúde (UBS) ou por um psicólogo ou psiquiatra. A terapia cognitivo-comportamental é uma das abordagens mais usadas. Se o dinheiro virou um problema sério, um serviço de orientação para quem está endividado, como o Procon da sua cidade, pode ajudar a organizar a situação. Se você se sente sem saída ou com o ânimo muito baixo, o CVV atende pelo 188, a qualquer hora, e se pensar em se machucar, ligue para o SAMU (192).
Como a hipnoterapia pode ajudar
A hipnoterapia às vezes é usada junto com o tratamento psicológico ou médico da compra compulsiva, nunca no lugar dele. Em um estado de relaxamento e atenção focada, ela costuma trabalhar o reconhecimento do impulso antes da ação, a redução da tensão que vem junto e o ensaio, na imaginação, de outra resposta, de forma parecida com as técnicas de reversão de hábitos. Também pode ajudar a lidar com o estresse e as emoções que costumam levar às compras. Não é uma solução rápida nem promete cura. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.
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Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta
Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se essa mania está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.
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Veja também: Todas as manias.
Perguntas frequentes
Oniomania é doença?
Ela não tem um diagnóstico próprio no DSM-5, mas os especialistas a reconhecem como um problema real, que pode causar muito sofrimento. Costuma ser descrita como um transtorno do controle dos impulsos ou como um vício de comportamento, e muitas vezes aparece junto com ansiedade ou depressão.
Como saber se as compras viraram um problema?
Alguns sinais são sentir que não consegue parar, comprar para aliviar emoções, esconder compras ou mentir sobre elas, acumular coisas sem uso e ter problemas de dinheiro ou no relacionamento por causa disso. Se você se reconhece em vários deles, vale conversar com um psicólogo ou psiquiatra.
Compulsão por compras tem cura?
Não existe solução rápida, mas há tratamento. A terapia cognitivo-comportamental é uma das abordagens mais usadas, e às vezes também se tratam a ansiedade ou a depressão que vêm junto. Muitas pessoas recuperam o controle, embora possa haver recaídas em fases difíceis.
Comprar compulsivamente é o mesmo que acumular coisas?
Não exatamente. Na compra compulsiva, o centro é o impulso de comprar. Na acumulação, o centro é a grande dificuldade de se desfazer das coisas. Às vezes as duas aparecem juntas, e um profissional pode ajudar a diferenciar.
Como ajudar alguém que compra compulsivamente?
Converse com calma e sem humilhar, em um momento tranquilo, e não no meio de uma briga. Ouvir sem julgar ajuda a pessoa a contar o que está acontecendo. Você pode incentivá-la a procurar um médico, a UBS ou um profissional de saúde mental, e buscar orientação também para você.
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