No dia a dia, megalomania é uma palavra usada para descrever alguém que se acha muito importante ou que tem planos exagerados, quase sempre como crítica. Muita gente também fala em mania de grandeza. Na saúde mental, o que existe são os delírios de grandeza: crenças falsas e firmes de ter um poder, um talento ou uma identidade especial.
Esta página explica a diferença entre as duas coisas, em que condições a grandiosidade aparece e quando procurar ajuda, sem colocar rótulo em ninguém. Ser uma pessoa confiante ou ambiciosa não é problema nenhum.
O que é essa mania
O dicionário define megalomania tanto como um transtorno de quem tem uma imagem exageradamente valorizada de si e das próprias capacidades quanto como um gosto exagerado por riqueza, luxo e status, a chamada mania das grandezas. Hoje os profissionais de saúde mental preferem falar em grandiosidade ou delírios de grandeza. Um delírio é uma crença falsa que a pessoa mantém com total convicção, mesmo quando as provas dizem o contrário, como ter certeza de ser uma figura histórica, ter uma missão especial ou ter feito uma descoberta extraordinária.
A grandiosidade não é um diagnóstico em si, e sim um sinal que pode aparecer em várias condições. Durante um episódio de mania do transtorno bipolar, a confiança pode ficar desmedida e, nos casos graves, chegar a ideias delirantes. Ela também aparece na esquizofrenia e em outras psicoses, e no transtorno delirante do tipo grandioso. É diferente do transtorno de personalidade narcisista, em que há um senso de superioridade desproporcional e uma grande necessidade de admiração, mas não um delírio. Chamar alguém de megalomaníaco é um julgamento do dia a dia, não um diagnóstico, e só um profissional pode avaliar o que acontece em cada caso.
Gatilhos comuns
- Um episódio de mania no transtorno bipolar
- Várias noites seguidas dormindo muito pouco
- O uso de álcool ou de algumas drogas
- Alguns remédios, algo que só o médico pode avaliar
- Uma recaída da esquizofrenia ou de outra psicose
- Períodos de estresse intenso
- Em casos raros, as semanas depois do parto
Onde ela aparece
- No trabalho, com planos ou promessas impossíveis de cumprir
- Nas finanças, com investimentos ou gastos exagerados, muitas vezes no cartão
- Na internet, com mensagens a famosos ou autoridades sobre uma missão especial
- Na família, quando a pessoa se apresenta como alguém que não é
- Depois de semanas de pouco sono ou muito estresse
- Na linguagem do dia a dia, como crítica a chefes ou figuras públicas
Sinais
No corpo
- Muita energia e pouca necessidade de dormir, quando há mania
- Falar muito rápido ou sem parar
- Inquietação e muita atividade
- Esgotamento quando o episódio termina
Na mente
- Convicção de ter poderes, talentos ou uma identidade especial
- Sensação de ter uma missão única
- Ideias que mudam muito depressa
- Dificuldade de aceitar que a crença pode não ser verdade
- Raiva ou desconfiança quando os outros duvidam dela
O que a pessoa costuma fazer
- Anunciar grandes projetos ou descobertas
- Gastar ou investir muito dinheiro de uma vez
- Procurar pessoas importantes ou a imprensa para ficar conhecida
- Largar o emprego ou os estudos por planos pouco realistas
- Descuidar do sono, da alimentação ou do cuidado pessoal
O que causa essa mania
Não existe uma causa única, porque a grandiosidade depende da condição em que aparece. Na mania e nas psicoses, a herança genética e a química do cérebro têm peso, e a falta de sono, o estresse ou o uso de substâncias podem desencadear um episódio. No transtorno de personalidade narcisista, acredita-se que entram em jogo a genética, o funcionamento do cérebro e experiências da infância, como excesso de admiração ou de críticas. Por trás de uma imagem de superioridade, muitas vezes há uma autoestima frágil. Em nenhum caso se trata de um defeito moral ou de algo que a pessoa escolhe.
Como pode afetar a sua vida
Quem passa por um episódio de grandiosidade costuma se sentir muito bem e não vê problema. As consequências costumam ser notadas antes pela família e pelos amigos: dívidas, decisões arriscadas no trabalho, brigas por não aceitar opiniões diferentes ou promessas que não podem ser cumpridas. Quando o episódio passa, podem vir a vergonha, a tristeza ou o esgotamento. Com traços narcisistas, as dificuldades aparecem principalmente nos relacionamentos e no trabalho, e é comum a pessoa buscar ajuda por depressão, ansiedade ou uso de substâncias, e não pela grandiosidade em si.
O que pode ajudar no dia a dia
- Se já existe tratamento, ir a todas as consultas, mesmo se sentindo bem
- Tomar os remédios do jeito que foram receitados, sem parar nem mudar por conta própria
- Manter horários regulares de sono
- Evitar álcool e drogas
- Combinar um plano de crise com a equipe de saúde e uma pessoa de confiança
- Adiar grandes decisões de dinheiro ou de trabalho até conversar com alguém de confiança
- Para a família: não discutir nem zombar da crença, falar com calma sobre o que observa e incentivar uma consulta
Quando procurar ajuda
Vale procurar um médico ou um psiquiatra se alguém mostra ideias de grandeza que não combinam com a realidade, principalmente se elas vêm junto com menos sono, muita energia, mudanças bruscas de humor ou decisões arriscadas. Se traços de superioridade prejudicam os relacionamentos ou vêm com tristeza, um psicólogo ou psiquiatra pode ajudar. Muitas vezes é a família que dá o primeiro passo, procurando a Unidade Básica de Saúde (UBS) para saber como se aproximar. Quando necessário, a UBS pode encaminhar para um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS).
Ligue para o SAMU (192) se alguém passa dias sem dormir, se coloca em perigo, parece perder o contato com a realidade ou fala em se machucar ou machucar outras pessoas. Se o ânimo estiver muito baixo, o CVV atende pelo 188, a qualquer hora.
E a hipnoterapia?
A hipnoterapia não é um tratamento para os delírios de grandeza nem para as condições em que eles aparecem, e não é indicada durante um episódio nem quando há crenças delirantes. A ajuda adequada é um psiquiatra ou uma equipe de saúde mental. Mais adiante, e só se o profissional responsável pelo tratamento concordar, algum trabalho de relaxamento pode ser considerado como apoio.
Veja também: Todas as manias.
Perguntas frequentes
O que significa ser megalomaníaco?
No dia a dia, a palavra descreve alguém que se acha muito importante ou tem ambições exageradas. É um jeito de falar, não um diagnóstico. Na saúde mental, a grandiosidade só é vista como sintoma quando chega a crenças falsas e firmes ou quando faz parte de uma condição avaliada por um profissional.
Megalomania é a mesma coisa que narcisismo?
Não exatamente. No transtorno de personalidade narcisista há um senso de superioridade desproporcional e necessidade de admiração, muitas vezes com uma autoestima frágil, mas a pessoa não perde o contato com a realidade. Os delírios de grandeza são crenças falsas mantidas apesar de todas as provas, e aparecem mais na mania ou nas psicoses.
O que é delírio de grandeza?
São crenças firmes e falsas de ter um poder, um talento, uma riqueza ou uma identidade especial, como achar que é uma pessoa famosa. A pessoa costuma estar totalmente convencida e não reconhece que a ideia não é real. Pode aparecer na mania do transtorno bipolar, na esquizofrenia e no transtorno delirante.
Como conversar com alguém que tem delírios de grandeza?
Discutir a crença ou zombar dela costuma aumentar a tensão. Ajuda mais falar com calma sobre o que você observa, como o pouco sono ou os gastos, mostrar preocupação e incentivar uma consulta médica. Se houver risco para a pessoa ou para outros, ligue para o SAMU (192).
Megalomania tem tratamento?
Depende da causa. Quando a grandiosidade faz parte da mania ou de uma psicose, o psiquiatra costuma indicar remédios e acompanhamento. No transtorno de personalidade narcisista, o tratamento principal é a psicoterapia. Em todos os casos, quem avalia é um profissional.
Leia mais
Dicionário Priberam da Língua Portuguesa: megalomania · Manual MSD versión para el público general: Trastorno delirante · Mayo Clinic: Trastorno de la personalidad narcisista, síntomas y causas · NHS: Psychosis, symptoms
