Dermatilomania (cutucar a pele)

Quase todo mundo mexe em uma espinha ou em uma casquinha de vez em quando. Na dermatilomania, esse gesto se repete tanto, e é tão difícil de segurar, que deixa feridas, marcas e muita vergonha. Muitas pessoas escondem a pele com roupa ou maquiagem e não contam para ninguém o que está acontecendo.

É uma condição reconhecida, e existem formas de ajuda que funcionam para muita gente.

O que é essa mania

A dermatilomania, também chamada de transtorno de escoriação, é a necessidade repetida de cutucar, coçar, espremer ou arrancar a pele até machucar. Pode se concentrar em espinhas, casquinhas de feridas, calos, pintas ou áreas de pele saudável, e as áreas mudam com o tempo. A pessoa costuma tentar parar ou diminuir muitas vezes, sem conseguir.

É uma condição de saúde mental reconhecida, ligada ao transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), e faz parte dos comportamentos repetitivos focados no corpo, como a tricotilomania. Não é autolesão: o gesto busca aliviar uma tensão, um incômodo ou a sensação de que algo na pele não está certo. Costuma começar na adolescência, e estima-se que algo entre 2 e 3 em cada 100 pessoas tenham o transtorno em algum momento da vida.

Às vezes acontece no automático, enquanto a cabeça está em outra coisa. Outras vezes é bem consciente e envolve rituais, como procurar uma casquinha específica ou tirá-la de um jeito determinado.

Gatilhos comuns

  • Estresse, ansiedade ou nervosismo
  • Tédio
  • Culpa, vergonha ou outras emoções difíceis
  • Ver ou sentir uma espinha, uma casquinha ou uma parte áspera
  • Olhar a pele de perto no espelho
  • Ter acne, eczema ou outro problema de pele
  • Pele seca ou com coceira
  • Momentos de concentração, como estudar ou trabalhar

Onde ela aparece

  • No banheiro, na frente do espelho e com luz forte
  • Na cama, antes de dormir ou ao acordar
  • Na frente do celular ou do computador
  • Na mesa de estudo ou de trabalho
  • No sofá, vendo televisão
  • Em momentos de solidão
  • Em fases de muito estresse

Sinais

No corpo

  • Feridas, casquinhas ou machucados que não terminam de fechar
  • Cicatrizes ou manchas na pele
  • Áreas vermelhas, inchadas ou que sangram
  • Unhas ou pontas dos dedos machucadas
  • Sinais de infecção, como calor, inchaço, pus ou dor que aumenta

Na mente

  • Tensão ou ansiedade antes de começar
  • Alívio ou satisfação enquanto dura
  • Vergonha ou culpa depois
  • Sensação de que a pele precisa ficar lisa ou perfeita
  • Pensar com frequência nas imperfeições da pele
  • Desânimo por não conseguir parar

O que a pessoa costuma fazer

  • Conferir a pele com os dedos ou no espelho várias vezes
  • Usar as unhas, os dentes ou pinças
  • Seguir um ritual, como procurar uma casquinha específica
  • Cobrir as marcas com roupa, maquiagem ou curativos
  • Evitar praia, piscina, academia ou que os outros vejam a pele
  • Cutucar a pele quando está sozinha
  • Também roer as unhas, morder a parte de dentro da bochecha ou arrancar o cabelo

O que causa essa mania

Não existe uma causa única. Acredita-se que fatores genéticos e do ambiente participem, e é comum que apareça junto com a tricotilomania, o TOC ou a depressão. Para muitas pessoas, cutucar a pele vira uma forma de acalmar o estresse, o tédio ou emoções como a culpa e a vergonha. Uma pele com acne, eczema ou coceira oferece mais pontos para começar. O alívio que vem na hora reforça o hábito, e com o tempo o gesto fica quase automático. Alguns remédios, substâncias ou doenças também podem causar coceira ou vontade de mexer na pele, por isso vale a pena um médico descartar outras causas.

Como pode afetar a sua vida

As marcas na pele costumam trazer muita vergonha. Tem gente que escolhe a roupa pensando em esconder feridas, evita praia, piscina, esportes ou intimidade, ou gasta muito tempo se maquiando antes de sair. Com o calor e as roupas leves do dia a dia, como bermuda, regata e biquíni, esconder a pele pode virar um esforço constante. A autoestima e o humor podem sofrer, principalmente depois de muitas tentativas de parar. Na pele, cutucar repetidamente pode deixar cicatrizes e causar sangramentos ou infecções, e em casos pouco frequentes uma infecção pode ficar grave.

O que pode ajudar no dia a dia

  • Anotar em quais momentos e lugares você mais cutuca a pele, para preparar alternativas
  • Manter algo nas mãos, como uma bolinha macia, ou usar luvas finas nos momentos de risco
  • Manter as unhas curtas
  • Guardar pinças e objetos parecidos longe do alcance
  • Quando vier a vontade, cuidar da pele em vez de mexer nela, por exemplo passando hidratante
  • Manter a pele e as feridas limpas
  • Pedir a alguém de confiança que avise com carinho quando perceber você cutucando

Quando procurar ajuda

Vale buscar ajuda se você não consegue parar, se isso traz sofrimento ou se limita o seu dia a dia. Um médico ou a Unidade Básica de Saúde (UBS) pode examinar a pele, descartar outras causas e encaminhar você para um psicólogo, um psiquiatra ou um dermatologista. Procure um médico se uma ferida não fecha em alguns dias ou se aparecem sinais de infecção, como vermelhidão que se espalha, calor, inchaço, pus, dor que aumenta ou febre. Se tiver febre alta ou se sentir muito mal, procure um pronto-socorro ou uma UPA, ou ligue para o SAMU (192). Se o desânimo estiver forte, o CVV atende pelo 188, a qualquer hora.

Como a hipnoterapia pode ajudar

A hipnoterapia combina relaxamento e atenção focada. Na dermatilomania, ela costuma ser usada para reconhecer mais cedo a vontade e os momentos de risco, e para baixar a tensão que leva a mexer na pele. Também se ensaia na imaginação uma resposta diferente, como levar as mãos para outro lugar, na linha da reversão de hábito. Ela não oferece cura. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.

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Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se essa mania está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.

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Veja também: Todas as manias.

Perguntas frequentes

Dermatilomania tem cura?

Tem tratamento. A terapia de reversão de hábito, uma forma de terapia cognitivo-comportamental, ajuda a perceber quando a vontade começa e a trocar o gesto por outro que não machuque a pele. Muitas pessoas conseguem diminuir bastante, embora o hábito possa voltar em fases de estresse.

Espremer espinha é a mesma coisa que ter dermatilomania?

Não. Mexer em uma espinha de vez em quando é muito comum. Fala-se em dermatilomania quando o gesto se repete muito, machuca a pele, é difícil de segurar mesmo quando a pessoa tenta e causa sofrimento ou problemas no dia a dia.

Dermatilomania é um tipo de TOC?

Ela é ligada ao transtorno obsessivo-compulsivo e fica no mesmo grupo de transtornos, mas não é a mesma coisa. Parece mais com a tricotilomania e com outros comportamentos repetitivos focados no corpo. Uma pessoa pode ter as duas condições.

Como saber se uma ferida na pele infeccionou?

Alguns sinais são vermelhidão que aumenta, calor, inchaço, pus ou dor que piora, e às vezes febre. Diante de qualquer um deles, procure um médico ou a UBS e não tente tratar em casa uma ferida que está piorando.

As cicatrizes podem melhorar?

Muitas marcas clareiam com o tempo quando a pele deixa de ser cutucada. Um médico ou um dermatologista pode avaliar as cicatrizes e explicar quais opções existem em cada caso.

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