Lavar as mãos é um hábito saudável. Para algumas pessoas, porém, uma vez nunca basta. Elas lavam de novo, e de novo, tomam vários banhos por dia ou esfregam a pele até arder, e mesmo assim não conseguem se sentir limpas.
Esta página explica o que existe por trás dessa necessidade, por que é tão difícil frear e que tipo de ajuda existe, sem julgamentos. Muita gente vive isso em segredo e com vergonha, e não precisa ser assim.
O que é essa mania
Ablutomania é um nome antigo, pouco usado pelos médicos, para a necessidade de lavar as mãos ou tomar banho de forma repetida e exagerada. Não aparece como diagnóstico próprio nas classificações atuais. Hoje se fala em compulsões de lavagem, que muitas vezes fazem parte do transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), um transtorno reconhecido em que medos ou pensamentos indesejados levam a pessoa a repetir rituais.
Por trás da lavagem costuma haver medo de sujeira, de germes, de ficar doente ou de passar alguma doença para outras pessoas. Lavar traz um alívio curto, e a dúvida volta logo. Parece com o medo de germes, a misofobia, mas na misofobia o centro é o medo e a vontade de evitar, enquanto aqui o foco está no ato repetido de se lavar. Lavar muito as mãos, por si só, não quer dizer que a pessoa tem TOC.
Gatilhos comuns
- Encostar em maçanetas, corrimãos ou botões de elevador
- Apertar a mão ou cumprimentar com beijo no rosto
- Usar um banheiro público
- Pegar em dinheiro ou na maquininha de cartão
- Chegar em casa depois de sair
- Mexer em lixo, carne crua ou produtos de limpeza
- Ficar perto de alguém que tosse ou espirra
- Notícias sobre vírus, dengue ou surtos de doença
- Uma mancha ou um cheiro que parece não sair
Onde ela aparece
- No banheiro de casa, principalmente ao chegar ou antes de dormir
- Em banhos muito longos de manhã ou à noite
- No trabalho, na escola ou na faculdade
- Em banheiros públicos, no ônibus e no metrô
- Em hospitais, postos de saúde e lugares cheios
- Na cozinha, ao preparar comida
- Em fases de estresse ou de grandes mudanças
- Em épocas de gripe ou de surtos de doença
Sinais
No corpo
- Pele seca, rachada ou vermelha nas mãos e nos braços
- Ardor, coceira ou pequenas feridas causadas pela água e pelo sabonete
- Tensão e nervosismo quando não há onde se lavar
- Cansaço por causa de rituais longos no banheiro
- Alívio curto logo depois de se lavar
Na mente
- Sensação constante de estar sujo ou contaminado
- Medo de ficar doente ou de contaminar a família
- Dúvida se a lavagem foi suficiente
- Saber que é exagero e não conseguir parar
- Vergonha ou vontade de esconder
O que a pessoa costuma fazer
- Lavar-se seguindo uma ordem fixa ou um número de vezes
- Recomeçar do zero se algo interrompe o ritual
- Gastar muito sabonete, álcool em gel ou desinfetante
- Evitar tocar certos objetos, pessoas ou lugares
- Pedir que os outros se lavem ou não toquem em certas coisas
- Perguntar várias vezes se algo está limpo ou seguro
O que causa essa mania
Não existe uma causa única. No TOC, são estudados fatores biológicos, uma possível parte hereditária e o que se aprende em família. Ter parentes com TOC e passar por fases estressantes ou traumáticas pode aumentar o risco. Costuma começar na adolescência ou no início da vida adulta e tende a piorar com o estresse.
O ciclo se alimenta sozinho. A lavagem acalma a angústia por um momento, a mente aprende que lavar era necessário e a próxima dúvida pede uma lavagem mais longa. Evitar o que parece sujo funciona do mesmo jeito, porque impede a pessoa de perceber que o perigo era menor do que parecia.
Como pode afetar a sua vida
Os rituais podem tomar muito tempo, fazer a pessoa chegar atrasada ao trabalho ou à aula e deixar de sair. A pele também sofre: lavar com muita frequência pode causar dermatite, rachaduras e feridas. Em casa, podem surgir conflitos quando a família precisa seguir regras de limpeza ou responder às mesmas perguntas várias vezes. Muita gente vive isso em silêncio por vergonha, e isso aumenta o isolamento e o desânimo. Se você estiver muito para baixo, conversar com alguém de confiança pode ser um primeiro passo, e o CVV atende pelo 188, a qualquer hora.
O que pode ajudar no dia a dia
- Anotar quando a vontade aparece e o que a dispara
- Cuidar da pele com um hidratante suave e procurar um médico se houver rachaduras, feridas ou sinais de infecção
- Tentar adiar a lavagem por alguns minutos e notar que a angústia também baixa sozinha, se isso for possível para você
- Pedir à família que apoie sem participar dos rituais nem ficar confirmando que está tudo limpo
- Cuidar do sono, porque o estresse costuma aumentar os sintomas
- Continuar lavando as mãos nos momentos normais de higiene, como antes de comer e depois de ir ao banheiro
Quando procurar ajuda
Vale buscar ajuda se lavar-se toma muito tempo do seu dia, se a pele está machucada ou se o medo de sujeira decide aonde você vai e quem você encontra. Converse com um médico, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um psicólogo ou psiquiatra. As compulsões de lavagem costumam responder bem ao tratamento, principalmente a um tipo de terapia cognitivo-comportamental chamado exposição com prevenção de resposta, às vezes junto com medicação indicada por um médico. Se em algum momento surgirem pensamentos de se machucar, ligue para o SAMU (192).
Como a hipnoterapia pode ajudar
A hipnoterapia trabalha com um estado de relaxamento e atenção focada. Em hábitos como lavar-se em excesso, ela costuma ser usada para perceber mais cedo a chegada da vontade, diminuir a tensão que empurra para a lavagem e ensaiar na imaginação como tolerar a sensação de não estar totalmente limpo. Também se usam sugestões que ajudam a mudar a resposta automática, na linha das técnicas de reversão de hábito. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico nem o tratamento psicológico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.
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Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta
Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se essa mania está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.
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Veja também: Medo de germes (misofobia) e Todas as manias.
Perguntas frequentes
Lavar muito as mãos é TOC?
Nem sempre. Muita gente lava as mãos com frequência por causa do trabalho, porque cuida de alguém ou durante uma época de doenças. Fala-se em TOC quando os pensamentos e os rituais não podem ser controlados, mesmo que a pessoa saiba que são exagerados, tomam muito tempo do dia, trazem só um alívio curto e atrapalham a vida. Só um profissional pode avaliar.
Qual a diferença entre ablutomania e misofobia?
A misofobia é o medo intenso de germes e de sujeira, que leva principalmente a evitar coisas e lugares. A ablutomania descreve a necessidade repetida de se lavar. Muitas vezes as duas andam juntas, porque o medo de germes empurra para a lavagem e a lavagem mantém o medo vivo.
Ablutomania tem cura?
O TOC costuma ser de longa duração, com fases melhores e piores, mas a maioria das pessoas melhora com tratamento. A exposição com prevenção de resposta, uma forma de terapia cognitivo-comportamental, é a abordagem mais usada, às vezes junto com medicação indicada por um médico.
O que fazer com as mãos irritadas de tanto lavar?
Procure um médico ou a UBS, principalmente se houver rachaduras, sangramento ou sinais de infecção. Cuidar da pele ajuda, mas não tira a vontade de se lavar, então vale cuidar das duas coisas ao mesmo tempo.
Como ajudar um familiar que se lava o tempo todo?
Escute sem julgar e sem fazer piada, porque muitas pessoas sentem vergonha. Incentive a busca por ajuda profissional e respeite o ritmo dela. Participar dos rituais ou repetir que está tudo limpo costuma manter o problema, mesmo quando é feito com carinho, e um profissional pode orientar a família sobre como apoiar.
Leia mais
Manual MSD Versão Saúde para a Família: Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) · Mayo Clinic: Trastorno obsesivo compulsivo (TOC), síntomas y causas · International OCD Foundation: Miedos a la contaminación obsesivo-compulsivos
