Ansiedade social (fobia social)

In English: read about this fear on Phobia Guru.

Tem gente que ensaia uma ligação três vezes antes de discar, ou que passa a festa inteira perto da porta sem saber o que fazer com as mãos. Depois, repassa cada frase por horas, com a certeza de que disse algo ridículo, mesmo que ninguém tenha notado.

Entendendo esse medo

A ansiedade social, também chamada de fobia social ou transtorno de ansiedade social, é um medo intenso e persistente de ser observado, julgado ou de passar vergonha na frente de outras pessoas. Ficar nervoso antes de uma entrevista é normal. No transtorno, situações do dia a dia, como falar com um desconhecido ou comer na frente dos outros, causam tanta angústia que a pessoa as evita ou passa por elas com muito sofrimento, e isso afeta o trabalho, os estudos ou as relações.

Não é a mesma coisa que timidez. Uma pessoa tímida pode se sentir sem graça e mesmo assim participar, enquanto na ansiedade social o medo passa a decidir o que se faz e o que não se faz. Costuma aparecer na adolescência, mas também pode começar na infância ou na vida adulta. Algumas pessoas sentem a ansiedade em quase qualquer situação social, e outras só ao falar ou se apresentar em público. Só um profissional pode avaliar se é um transtorno de ansiedade social.

Gatilhos comuns

  • Conhecer gente nova
  • Falar em uma reunião ou na sala de aula
  • Fazer ou atender ligações
  • Comer ou beber na frente dos outros
  • Sentir que alguém observa enquanto você trabalha
  • Entrar em uma sala onde todos já estão sentados
  • Ser o centro das atenções, como na hora do parabéns
  • Assinar um documento na frente de outras pessoas
  • Receber comentários ou críticas

Onde ele aparece

  • Reuniões e apresentações de trabalho
  • Festas, aniversários e almoços de família
  • A escola, a faculdade e os seminários em grupo
  • Restaurantes, bares e lanchonetes
  • Lojas e filas do caixa
  • Entrevistas de emprego e dinâmicas de grupo
  • Academias e banheiros públicos
  • Ligações, chamadas de vídeo e áudios em grupos de mensagens

Sintomas

No corpo

  • Ficar vermelho
  • Suor
  • Tremor nas mãos ou na voz
  • Coração acelerado
  • Enjoo ou mal-estar no estômago
  • Boca seca ou falta de ar
  • Tensão nos músculos

Na mente

  • Medo de que os outros percebam o nervosismo
  • Certeza de que as pessoas estão julgando
  • Medo de falar algo bobo ou de dar um branco
  • Preocupação por dias ou semanas antes de um evento
  • Repassar conversas em busca de erros
  • Sensação de não estar à altura

O que a pessoa costuma fazer

  • Evitar olhar nos olhos
  • Recusar ou desmarcar convites
  • Ensaiar mentalmente o que vai dizer
  • Ficar em um canto ou perto da porta
  • Deixar as ligações caírem na caixa postal
  • Beber para aguentar os encontros sociais

O que causa esse medo

Costuma ser uma combinação de fatores. A ansiedade tende a se repetir nas famílias, tanto pela herança quanto pelo que se aprende em casa, por exemplo ao crescer com adultos muito ansiosos, críticos ou superprotetores. Provocações, bullying na escola, rejeição ou uma situação humilhante, principalmente na infância, são pontos de partida comuns, e um temperamento mais reservado pode aumentar a tendência. O que mantém o medo costumam ser os hábitos de proteção: não olhar nos olhos, falar pouco, ensaiar ou ir embora cedo trazem alívio na hora, mas impedem a pessoa de perceber que os outros prestam muito menos atenção do que parece.

Como pode afetar a sua vida

A ansiedade social pode atrasar a vida no trabalho ou nos estudos, porque fica difícil participar de reuniões, apresentar um seminário, ir a entrevistas ou pedir uma promoção. Amizades e namoro podem se tornar cansativos, e é comum acabar com poucas pessoas por perto e uma sensação de solidão. Até ligar para marcar uma consulta pode ficar para depois durante dias. Com o tempo, a autoestima e o ânimo podem se desgastar, e há quem recorra à bebida para socializar, o que a longo prazo piora o problema.

O que pode ajudar no dia a dia

  • Anotar o que você temia antes de uma situação e o que de fato aconteceu, para comparar
  • Treinar uma respiração lenta, soltando o ar mais devagar do que puxa, antes e durante os encontros
  • Levar a atenção para a outra pessoa e para a conversa, em vez de vigiar como você está parecendo
  • Dividir uma situação difícil em passos, começando pelo mais simples, como cumprimentar um vizinho no elevador
  • Deixar de lado um hábito de proteção por vez, por exemplo sustentar o olhar um pouco mais

Quando procurar ajuda

Vale buscar ajuda se o medo de ser julgado faz você evitar situações normais, recusar oportunidades de trabalho ou estudo, ou se você se sente cada vez mais sozinho. A ansiedade social é um transtorno reconhecido e tem tratamento: a terapia cognitivo-comportamental, que inclui a exposição gradual, é uma das abordagens com mais respaldo. Converse com um médico, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um psicólogo ou psiquiatra. Se ligar é difícil, muitas vezes dá para marcar a consulta por site ou aplicativo. Se o seu ânimo estiver muito baixo, o CVV atende pelo 188, a qualquer hora.

Como a hipnoterapia pode ajudar

A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. Na ansiedade social, ela costuma ser usada para diminuir a reação de alarme que aparece quando a pessoa se sente observada e para ensaiar na imaginação conversas, reuniões ou apresentações até elas parecerem mais possíveis. Também é comum trabalhar a forma como a pessoa fala consigo mesma antes e depois de um encontro, para afrouxar o hábito de repassar cada erro. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico nem psicológico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.

Fale com uma especialista

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.

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Perguntas frequentes

Qual a diferença entre timidez e fobia social?

A timidez é um traço de personalidade: a pessoa pode se sentir sem graça no começo, mas costuma participar, e o desconforto passa. Na ansiedade social, o medo de ser julgado é intenso, dura meses e leva a evitar situações ou a sofrer muito com elas, a ponto de afetar o trabalho, os estudos ou as relações.

Fobia social e ansiedade social são a mesma coisa?

Sim. Fobia social é o nome mais antigo, e transtorno de ansiedade social é o termo que os profissionais usam hoje, mas os dois falam da mesma coisa: um medo intenso e persistente do olhar e do julgamento dos outros.

Ansiedade social passa sozinha?

Às vezes ela fica mais leve com os anos, mas sem tratamento costuma continuar, porque a evitação impede que o medo diminua. Existem tratamentos eficazes, como a terapia cognitivo-comportamental, e pedir ajuda cedo costuma encurtar o caminho.

Por que fico repassando as conversas depois?

É um dos traços mais típicos da ansiedade social. A mente revisa o que aconteceu procurando erros para proteger você de outro momento constrangedor, mas acaba encontrando falhas que ninguém mais notou. Esse repasse mantém o medo vivo e faz o próximo encontro parecer mais difícil.

Crianças e adolescentes podem ter ansiedade social?

Sim. Ela costuma começar na adolescência, e em crianças pode aparecer como choro, birra, ficar grudado nos pais ou se recusar a falar na frente de outras pessoas. Se esses sinais continuam com o tempo, vale conversar com o pediatra ou com um psicólogo.

Leia mais

Mayo Clinic: Trastorno de ansiedad social (fobia social), síntomas y causas · Manual MSD Versão Saúde para a Família: Transtorno de ansiedade social · MedlinePlus en español: Trastorno de ansiedad social