A piromania é uma atração intensa pelo fogo, ligada a um impulso repetido de provocá-lo e a uma sensação de alívio depois. É um transtorno raro e muito mal compreendido, que costuma ser confundido com qualquer incêndio provocado de propósito.
Quem convive com ela costuma saber que o fogo é perigoso e, mesmo assim, tem dificuldade para resistir ao impulso. É um problema de saúde mental com tratamento, e pedir ajuda cedo protege a pessoa e quem está à sua volta.
O que é essa mania
A piromania é reconhecida como um transtorno do controle dos impulsos, o mesmo grupo em que fica a cleptomania. O que a define é um padrão: tensão ou excitação antes de provocar um fogo, fascínio pelo fogo e por tudo o que o cerca, e prazer ou alívio depois. Não se trata de uma vez só, e sim de algo que se repete.
A maioria dos incêndios provocados de propósito não tem relação com a piromania, e sim com motivos como dinheiro, vingança ou raiva. Também não se fala em piromania quando o fogo acontece durante um episódio de mania, com ideias delirantes ou sob efeito de substâncias. Gostar de uma fogueira de festa junina também não é piromania: a diferença está em não conseguir controlar o impulso. Há poucos estudos sobre esse transtorno, porque ele é raro e poucas pessoas procuram tratamento.
Gatilhos comuns
- Tensão emocional que vai se acumulando
- Estresse, frustração ou tédio
- Sentir solidão ou rejeição
- Desânimo ou tristeza
- Uso de álcool ou outras drogas
- Ver fogo na televisão ou nas redes sociais
- Notícias de incêndio ou sirenes dos bombeiros por perto
Onde ela aparece
- Em momentos de solidão, quando não há mais ninguém por perto
- Depois de conflitos em casa, na escola ou no trabalho
- Em fases de muito estresse ou de grandes mudanças
- Quando há um incêndio na região e a pessoa se sente atraída a ir ver
- Em um interesse fora do comum pelos bombeiros e pelos quartéis
- Na internet, procurando vídeos ou informações sobre incêndios
Sinais
No corpo
- Tensão ou inquietação crescente antes do impulso
- Excitação física ao pensar no fogo
- Sensação de descarga ou alívio depois
- Dificuldade para relaxar ou dormir
Na mente
- Fascínio intenso pelo fogo e por tudo ligado a ele
- Pensamentos repetidos sobre fogo, difíceis de afastar
- Prazer ou satisfação ao ver ou lembrar de um fogo
- Culpa, vergonha ou medo das consequências depois
- Sentir que o impulso manda
O que a pessoa costuma fazer
- Provocar fogo repetidas vezes, não uma só
- Andar sempre com isqueiro ou fósforos sem precisar
- Ir ver incêndios no bairro
- Passar muito tempo buscando informações sobre fogo ou bombeiros
- Esconder o que faz da família ou dos amigos
O que causa essa mania
A causa exata não é conhecida. Acredita-se que fatores genéticos, biológicos e do ambiente atuem juntos, e alguns especialistas sugerem que as áreas do cérebro que lidam com as emoções e as que planejam e freiam os atos não se comunicam bem entre si. Por causa desse ciclo de impulso e alívio, alguns estudos comparam a piromania às dependências de comportamento.
É mais frequente em homens e costuma começar na adolescência ou no início da vida adulta. Muitas vezes aparece junto com outros problemas, como depressão, ansiedade, transtorno bipolar, uso de substâncias ou outros transtornos do controle dos impulsos. Experiências difíceis ou traumáticas na infância e histórico de problemas de saúde mental na família também já foram associados a um risco maior. Nada disso significa que a pessoa seja má: é um problema de saúde que precisa de cuidado.
Como pode afetar a sua vida
O fogo pode causar queimaduras, ferimentos graves e danos a casas, bens e áreas de mata, e coloca em risco outras pessoas e as equipes de emergência. Provocar um incêndio também pode ter consequências legais sérias. Além disso, a pessoa costuma carregar um segredo pesado: medo de ser descoberta, culpa, isolamento e tensão na família. Sem tratamento, o problema tende a continuar e não desaparece com castigos.
O que pode ajudar no dia a dia
- Procurar ajuda profissional e seguir o tratamento combinado
- Contar o que está acontecendo a uma pessoa de confiança que possa apoiar você
- Não deixar à mão isqueiros, fósforos nem materiais que pegam fogo com facilidade
- Anotar quando o impulso aparece e o que estava acontecendo, para reconhecer seus gatilhos
- Treinar outras formas de liberar a tensão, como exercício, respiração lenta ou uma caminhada
- Em casa com crianças, guardar isqueiros e fósforos fora do alcance delas e, se possível, ter detector de fumaça funcionando
- Diante de qualquer fogo fora de controle, afastar-se e ligar para os Bombeiros (193)
Quando procurar ajuda
Vale procurar ajuda assim que você perceber um impulso pelo fogo que não consegue controlar, ou se já provocou algum fogo. Converse com um médico, vá à Unidade Básica de Saúde (UBS) ou procure um psicólogo ou psiquiatra. A terapia cognitivo-comportamental é o tratamento principal e às vezes é combinada com terapia familiar ou com remédios indicados por um médico.
Muitas crianças brincam com fogo por curiosidade, e isso não é piromania, mas é perigoso. Se acontece repetidas vezes, converse com o pediatra ou com um profissional de saúde mental infantil; a UBS pode orientar. Se houver fogo, ligue para os Bombeiros (193). Se alguém estiver ferido ou em perigo, ligue também para o SAMU (192). Se você se sente sobrecarregado ou muito desanimado, o CVV atende pelo 188, a qualquer hora.
Como a hipnoterapia pode ajudar
A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. Na piromania, ela só pode ser considerada junto com o tratamento psicológico ou psiquiátrico, nunca no lugar dele, e com o acordo do profissional que acompanha o caso. Costuma se concentrar em perceber mais cedo a tensão que vem antes do impulso, baixá-la com o relaxamento e ensaiar na imaginação outras respostas, de forma parecida com a reversão de hábitos. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.
Veja também: Todas as manias.
Perguntas frequentes
O que é um piromaníaco?
No dia a dia, chama-se de piromaníaco qualquer pessoa que provoca incêndios, mas em saúde mental a piromania é algo mais específico: um impulso repetido de provocar fogo, com tensão antes e alívio depois, que não se explica por dinheiro, vingança ou outros motivos. É um transtorno raro.
Piromania é doença mental?
Sim. É reconhecida como um transtorno do controle dos impulsos. Tem tratamento, principalmente psicológico, e a pessoa pode aprender a reconhecer e controlar o impulso com ajuda profissional.
É normal criança brincar com fogo?
A curiosidade pelo fogo é comum na infância e quase nunca tem a ver com piromania. Mesmo assim, brincar com fogo é perigoso. Se acontece mais de uma vez, converse com o pediatra ou com um profissional de saúde mental infantil, e guarde fósforos e isqueiros fora do alcance da criança.
Piromania tem cura?
Não existe uma cura simples e, sem tratamento, ela tende a continuar. Com terapia, e às vezes remédios indicados por um médico, muitas pessoas aprendem a controlar o impulso e a reduzir o risco para si mesmas e para os outros.
Piromania é a mesma coisa que provocar um incêndio de propósito?
Nem sempre. A maioria dos incêndios provocados tem outros motivos, como dinheiro, vingança ou raiva, e não tem relação com a piromania. A piromania é definida pelo fascínio pelo fogo e pelo alívio que provocá-lo traz, não pela busca de vantagem.
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Cleveland Clinic: Pyromania · Lecturio: Cleptomania e piromania
