Medo do infinito (apeirofobia)

In English: read about this fear on Phobia Guru.

Para muita gente, olhar o céu estrelado em uma noite no sítio ou ver um documentário sobre o universo é fascinante. Para outras pessoas, a ideia de algo que nunca termina provoca uma vertigem difícil de explicar, que chega de repente na hora de deitar e não deixa dormir.

Entendendo esse medo

A apeirofobia é um medo intenso e persistente do infinito, ou seja, do que não tem fim: a imensidão do universo, a eternidade ou uma sequência de números que nunca acaba. Diferente de outros medos, ela não aponta para algo que se possa ver ou tocar, e sim para uma ideia. É normal sentir certa inquietação diante desses pensamentos. Na apeirofobia, o pensamento fica preso, a angústia cresce e pode chegar a uma crise de pânico.

Há pouca pesquisa sobre esse medo especificamente, e ele não aparece como diagnóstico próprio, mas costuma ser entendido como uma forma rara de fobia específica. Para algumas pessoas, o centro é o tamanho do universo e a sensação de ser minúsculo. Para outras, é a ideia de uma existência sem fim, e há quem descreva a sensação de estar preso no tempo. Algumas pessoas encontram calma nas suas crenças religiosas ou espirituais sobre a eternidade, e para outras essas mesmas ideias trazem angústia; as duas experiências são comuns. Muitas vezes aparece junto com o medo da morte.

Gatilhos comuns

  • Pensar no tamanho do universo
  • Olhar um céu cheio de estrelas
  • Documentários sobre o espaço ou buracos negros
  • A ideia da eternidade ou de uma vida sem fim
  • Perguntas sobre o que vem depois da morte
  • Números que não acabam, como as casas decimais do pi
  • Espelhos frente a frente, como os de alguns elevadores, que repetem a imagem sem fim
  • Conversas filosóficas ou religiosas sobre o tempo
  • O silêncio da noite na hora de deitar

Onde ele aparece

  • Na cama, antes de dormir
  • Momentos de silêncio e pouca atividade
  • Planetários e museus de ciência
  • Ao ar livre em uma noite limpa, longe das luzes da cidade
  • Aulas de matemática, física ou filosofia
  • Velórios, missas, cultos e outras cerimônias religiosas
  • Filmes, séries e vídeos de ficção científica ou sobre o espaço

Sintomas

No corpo

  • Coração acelerado ao pensar em algo sem fim
  • Sensação de vertigem ou de cair no vazio
  • Respiração curta ou sensação de falta de ar
  • Suor e mãos frias
  • Enjoo ou nó no estômago
  • Dificuldade para dormir
  • Crises de pânico

Na mente

  • Um pavor difícil de colocar em palavras
  • Sentir-se minúsculo ou sem importância
  • Pensamentos que giram sem conseguir parar
  • Sensação de irrealidade ou de estar desligado
  • Sentir-se preso no tempo
  • Medo de não conseguir parar de pensar nisso

O que a pessoa costuma fazer

  • Evitar documentários, livros ou aulas sobre o espaço
  • Mudar de assunto quando alguém fala do universo ou da eternidade
  • Dormir com música ou a televisão ligada para não pensar
  • Ficar ocupada o tempo todo para se distrair
  • Passar horas procurando respostas na internet
  • Pedir aos outros que garantam que está tudo bem

O que causa esse medo

Como foi pouco estudado, costumam ser usadas as explicações conhecidas para outras fobias. Uma noite de angústia pensando no universo, ou uma conversa que marcou na infância, pode ficar ligada à ideia de infinito. O medo também é aprendido ao ver pais ou pessoas próximas com receios parecidos, e um histórico de ansiedade na família ou um jeito mais sensível podem influenciar. Ele costuma estar ligado ao medo da morte e a perguntas sobre o sentido da existência. O infinito não pode ser visto nem conferido, e a mente, sem encontrar um limite, tende a preencher esse vazio com alarme. Evitar o assunto acalma por um tempo, mas mantém viva a sensação de perigo.

Como pode afetar a sua vida

Como o gatilho é um pensamento, não dá para fugir dele por completo, e isso cansa. As noites podem ficar difíceis, e o sono ruim afeta a concentração e o ânimo no dia seguinte. Algumas pessoas deixam de curtir assuntos que antes interessavam, como astronomia, ciência ou filosofia. Outras se sentem estranhas ou incompreendidas, porque quem está em volta tem dificuldade de entender que uma ideia abstrata possa causar tanto mal-estar, e isso leva a guardar o assunto para si e a se isolar.

O que pode ajudar no dia a dia

  • Quando a vertigem vier, voltar ao presente pelos sentidos, dizendo o que você vê, ouve e toca ao seu redor
  • Treinar uma respiração lenta, soltando o ar mais devagar do que puxa
  • Criar uma rotina tranquila antes de dormir, com luz baixa e algo sereno para ler ou ouvir
  • Deixar o pensamento passar sem brigar com ele nem exigir uma resposta definitiva
  • Conversar sobre o assunto com alguém de confiança em vez de carregar isso sozinho

Quando procurar ajuda

Vale buscar ajuda se esses pensamentos tiram o seu sono com frequência, provocam crises de pânico ou fazem você evitar atividades de que gosta. Também se o medo da morte ou a sensação de que nada faz sentido ficam constantes. Se a ansiedade ou a insônia duram semanas, converse com um médico, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima ou um psicólogo ou psiquiatra. Se o desânimo pesar muito, o CVV atende pelo 188, a qualquer hora.

Como a hipnoterapia pode ajudar

A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo do infinito, ela costuma ser usada para acalmar a reação de alarme que dispara ao pensar no universo ou na eternidade e para treinar, a partir da calma, como deixar esses pensamentos passarem sem ficar preso neles. Também é comum construir uma sensação de segurança ancorada no presente, útil principalmente na hora de dormir. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.

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Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.

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Perguntas frequentes

O que é apeirofobia?

É um medo intenso e persistente do infinito ou do que não tem fim, como a eternidade ou a imensidão do universo. Não é um diagnóstico próprio, mas costuma ser entendida como uma forma rara de fobia específica e pode causar angústia, insônia e crises de pânico.

Por que tenho medo de pensar no infinito?

A mente procura limites para se sentir segura, e o infinito não tem limites. Para algumas pessoas, essa falta de um fim é vivida como ameaça, principalmente se elas já têm tendência à ansiedade ou passam por uma fase de estresse. Sentir vertigem diante dessas ideias é mais comum do que parece.

A apeirofobia tem relação com o medo da morte?

Muitas vezes, sim. Muitas pessoas com medo do infinito também sentem angústia diante da morte ou do que pode vir depois dela, e nos dois casos o pensamento gira em torno de algo que não se pode controlar nem conhecer por completo.

Como parar de pensar no infinito à noite?

Costuma ajudar mais deixar o pensamento passar do que tentar resolvê-lo. Uma rotina tranquila antes de dormir, a respiração lenta e prestar atenção em sensações do presente, como o peso do corpo sobre a cama, podem baixar o alarme. Se a insônia se repete por semanas, vale procurar um médico.

Apeirofobia tem tratamento?

Sim. Como qualquer fobia, ela pode ser trabalhada com ajuda profissional, e o tratamento ajuda a maioria das pessoas com fobias. Como não dá para enfrentar o infinito na vida real, a exposição costuma ser feita na imaginação, junto com técnicas de relaxamento e de revisão de pensamentos, próprias da terapia cognitivo-comportamental.

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