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Tem gente que evita olhar para o céu à noite porque a quantidade de estrelas dá uma espécie de vertigem. Outras pessoas sentem uma angústia difícil de explicar ao ver um documentário sobre o universo, uma notícia sobre um asteroide ou a foto de uma galáxia distante.
Entendendo esse medo
A astrofobia, também chamada de cosmicofobia, é um medo intenso das estrelas, do céu noturno ou da imensidão do universo e dos seus fenômenos. Há pouca pesquisa sobre esse medo especificamente, por isso ele é entendido como uma fobia específica: um medo duradouro, bem maior do que o perigo real, que leva a pessoa a evitar o que o provoca. Sentir espanto ou um pouco de vertigem diante do universo é muito humano. Na fobia, essa sensação vira angústia e passa a limitar o dia a dia.
Para algumas pessoas, o que assusta é a imensidão, a escuridão e o silêncio do espaço, ou a sensação de ser muito pequeno. Para outras, são fenômenos específicos, como eclipses, cometas ou a ideia de um asteroide atingir a Terra. Esse medo pode aparecer junto com o medo do escuro ou do infinito, e não tem relação com o medo de trovões e relâmpagos, apesar de os nomes serem parecidos.
Gatilhos comuns
- Olhar para o céu em uma noite limpa
- Fotos e vídeos de galáxias ou planetas
- Documentários sobre o universo
- Notícias sobre asteroides ou meteoros
- Eclipses e chuvas de meteoros
- Conversas sobre buracos negros ou o fim do universo
- Filmes de ficção científica passados no espaço
Onde ele aparece
- Ao ar livre, à noite
- No sítio, na praia ou na serra, longe das luzes da cidade
- Em aulas de ciências ou de astronomia
- Em planetários e museus de ciência
- Diante da TV, do celular ou das redes sociais
- Em acampamentos e passeios noturnos
Sintomas
No corpo
- Coração disparado ao olhar para o céu
- Vertigem ou sensação de perder o equilíbrio
- Respiração rápida ou falta de ar
- Suor ou tremores
- Enjoo ou frio na barriga
- Dificuldade para dormir depois de ver notícias sobre o espaço
Na mente
- Sensação de ser minúsculo e insignificante
- Pensamentos repetidos sobre a imensidão ou o infinito
- Medo de que algo vindo do espaço cause uma catástrofe
- Sensação de irrealidade ou de estar desligado de tudo
- Imaginar o pior a cada notícia sobre astronomia
O que a pessoa costuma fazer
- Evitar sair à noite ou olhar para cima
- Fechar as cortinas para não ver o céu
- Mudar de canal quando aparecem documentários ou filmes sobre o espaço
- Procurar notícias sobre asteroides várias vezes
- Evitar planetários, passeios noturnos ou acampamentos
O que causa esse medo
Como em outras fobias específicas, o medo pode começar depois de algo que assustou muito, como um filme visto na infância ou notícias alarmantes sobre asteroides ou o fim do mundo. Já em 1960, um psiquiatra britânico descreveu casos de pacientes com medo do espaço sideral e os relacionou às mudanças na forma como as pessoas entendiam o universo no início da exploração espacial. A tendência à ansiedade na família e um temperamento mais sensível também pesam. Como o espaço é imenso e difícil de imaginar, a mente tem dificuldade de colocar limites nele, e isso alimenta a sensação de ameaça. Evitar o céu ou procurar notícias sem parar alivia por um tempo, mas mantém o medo.
Como pode afetar a sua vida
Pode parecer um medo distante, mas há quem deixe de sair à noite, recuse acampamentos ou viagens para o interior, ou evite certas aulas. Nas crianças, ele pode atrapalhar atividades da escola e passeios em família, como um acampamento da escola ou uma visita ao planetário. Quando o medo gira em torno de catástrofes, cada notícia sobre o espaço pode trazer dias de preocupação e sono ruim. Algumas pessoas também sentem um vazio ao pensar na imensidão do universo, e isso pode mexer com o ânimo.
O que pode ajudar no dia a dia
- Buscar informação em fontes oficiais, como as agências espaciais, e não em manchetes alarmistas
- Limitar notícias e vídeos sobre o espaço, principalmente antes de dormir
- Treinar uma respiração lenta, soltando o ar mais devagar do que puxa
- Quando a vertigem vier, voltar para o que está perto, sentindo os pés no chão e dizendo o nome do que você vê
- Conversar sobre o medo com alguém de confiança, em vez de carregar tudo sozinho
Quando procurar ajuda
Vale buscar ajuda se o medo impede você de sair à noite, viajar ou aproveitar atividades de que gostava, ou se pensar no universo provoca crises de pânico. Também se você se sente desligado da realidade com frequência ou se a sensação de vazio não passa. Converse com um médico, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima ou um psicólogo ou psiquiatra. Se o seu ânimo anda muito baixo, o CVV atende pelo 188, a qualquer hora. No caso das crianças, o pediatra é um bom primeiro passo.
Como a hipnoterapia pode ajudar
A hipnoterapia trabalha com um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo do espaço sideral, ela costuma ser usada para entender qual parte do medo pesa mais, como a imensidão, a escuridão ou a ideia de uma catástrofe, e para acalmar a reação de alarme que dispara ao olhar para o céu. Também é usada para ensaiar na imaginação uma noite ao ar livre vivida com mais calma. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.
Fale com uma especialista

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta
Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.
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Perguntas frequentes
O que é astrofobia?
É o nome dado ao medo intenso e persistente das estrelas, do céu noturno ou do espaço sideral. Não é um diagnóstico à parte, e sim uma forma de fobia específica, e merece atenção quando começa a limitar o que você faz.
Astrofobia e astrafobia são a mesma coisa?
Não. As palavras são muito parecidas, mas astrafobia é o medo de trovões e relâmpagos, ligado às tempestades. A astrofobia tem a ver com as estrelas, o céu noturno e o espaço sideral.
Devo me preocupar com um asteroide atingindo a Terra?
As agências espaciais vigiam o céu o tempo todo para encontrar objetos que passam perto da Terra. Segundo a NASA, não se conhece nenhum objeto grande que vá atingir o planeta nos próximos 100 anos. Se uma notícia deixar você inquieto, confira a fonte oficial antes de acreditar na manchete.
Por que sinto vertigem ao pensar no tamanho do universo?
O cérebro tem dificuldade de imaginar distâncias e tamanhos tão grandes, e essa falta de limites pode ser vivida como uma ameaça. Sentir um pouco de inquietação diante do universo é muito humano. Se a sensação aparece com frequência, vem com pânico ou faz você evitar atividades, vale conversar com um profissional de saúde mental.
Leia mais
Mayo Clinic: Fobias específicas, síntomas y causas · NASA Ciencia: Defensa planetaria · Kerry RJ. Phobia of Outer Space. Journal of Mental Science, 1960
