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Tem gente que olha o celular a cada poucos minutos quando uma mensagem fica sem resposta e, pouco depois, já está convencida de que ninguém pensa nela. Outras pessoas sentem um aperto no peito quando a avó troca o seu nome pelo de um primo, ou quando imaginam que um dia ninguém vai lembrar quem elas foram.
Entendendo esse medo
A atazagorafobia é um medo intenso e persistente de ser esquecido pelos outros, que às vezes inclui também o medo de esquecer pessoas ou coisas importantes. Quase todo mundo fica chateado quando ninguém lembra do seu aniversário ou quando fica de fora de um programa. Nesse medo, a angústia é muito maior do que a situação, dura mais e começa a guiar o que a pessoa faz.
Ela não aparece como diagnóstico próprio nos manuais usados pelos profissionais de saúde mental, mas se parece muito com uma fobia específica. Há quem tema que os amigos ou o parceiro deixem de pensar nele, quem sofra ao imaginar um familiar com demência sem reconhecê-lo e quem sinta um vazio diante da ideia de que, com o passar do tempo, ninguém vai lembrar que ele existiu. Costuma andar junto com o medo de abandono, a solidão ou uma autoestima frágil.
Gatilhos comuns
- Uma mensagem visualizada e sem resposta
- Esquecerem o seu aniversário ou uma data importante
- Descobrir um programa para o qual você não foi chamado
- Não ser citado em uma reunião ou em um agradecimento
- Um amigo que se afasta sem explicação
- Um familiar com perda de memória que troca o seu nome
- Mudanças de emprego, de escola ou de cidade
- Fotos de grupo em que você não aparece
- Despedidas e fins de ciclo
- Pensar no tempo passando e no que vai ficar de você
Onde ele aparece
- Grupos de WhatsApp e redes sociais
- O trabalho e as reuniões de equipe
- Almoços de família e comemorações
- Visitas a parentes idosos ou com demência
- Turmas de amigos que mudam com os anos
- Momentos de solidão, sobretudo à noite
- Aniversários, Natal e Ano-Novo
- Depois de mudar de cidade ou de país
Sintomas
No corpo
- Aperto no peito quando ninguém responde
- Coração acelerado
- Tensão no pescoço e nos ombros
- Inquietação que não deixa ficar parado
- Enjoo ou nó no estômago
- Suor ou tontura nos momentos de maior angústia
- Dificuldade para dormir
Na mente
- Achar que ninguém lembra de você quando não está presente
- Ler cada silêncio como sinal de rejeição
- Medo de não ser importante para ninguém
- Pensamentos que giram em torno do tempo passando
- Medo de esquecer pessoas queridas ou lembranças valiosas
- Dificuldade de concentração
O que a pessoa costuma fazer
- Conferir várias vezes se alguém respondeu
- Pedir confirmação constante de que é querida
- Lembrar os outros de datas e detalhes para não ficar de fora
- Se afastar primeiro para não ser esquecida
- Guardar fotos, bilhetes e objetos com medo de perder as lembranças
- Evitar encontros em que poderia se sentir ignorada
O que causa esse medo
Não existe uma causa única. Ter vivido abandonos, perdas ou momentos de ficar sozinho na infância pode deixar uma marca que volta à tona com pequenos esquecimentos da vida adulta. Cuidar de um familiar com doença de Alzheimer ou outra demência, e ver essa pessoa deixar de reconhecer os seus, também pode despertar esse medo, tanto de ser esquecido quanto de esquecer. Ter parentes com ansiedade ou um jeito mais sensível e reservado pode influenciar. Com o tempo, a mente aprende a ler qualquer silêncio como prova de que o medo estava certo. Pedir confirmação acalma por um tempo, mas mantém o ciclo funcionando.
Como pode afetar a sua vida
Esse medo cansa quem vive com ele e também quem está por perto. A necessidade de confirmação constante pode gerar atrito com o parceiro, os amigos ou a família, e se afastar primeiro para não sofrer pode acabar levando ao isolamento que se temia. No trabalho, a sensação de ser invisível tira a concentração e aumenta o estresse. Há quem passe noites relendo conversas ou conferindo o celular. Com o tempo, o ânimo pode cair e a vida social vira um território de alerta em vez de apoio.
O que pode ajudar no dia a dia
- Diante de um silêncio, pensar em outras explicações, como a outra pessoa estar ocupada ou cansada
- Reservar momentos do dia sem olhar o celular nem as redes sociais
- Anotar em um caderno as vezes em que alguém procurou você ou lembrou de você
- Buscar contato pelo prazer de conversar e não para conferir se é querido, por exemplo chamando alguém para um café
- Treinar uma respiração lenta, soltando o ar mais devagar do que puxa
- Lembrar que esquecer de vez em quando um nome ou onde deixou a chave é normal
Quando procurar ajuda
Vale buscar ajuda se o medo de ser esquecido ocupa boa parte do seu dia, faz você conferir mensagens sem parar, prejudica os seus relacionamentos ou leva você a se isolar. Se a ansiedade, a insônia ou o desânimo duram semanas, converse com um médico, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima ou um psicólogo ou psiquiatra. Se a sua memória ou a de um familiar preocupa você, um médico pode avaliar. Se o desânimo pesar muito, o CVV atende pelo 188, a qualquer hora.
Como a hipnoterapia pode ajudar
A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de ser esquecido, ela costuma ser usada para explorar as experiências que deixaram a sensação de não ser importante e para acalmar o alarme que dispara diante de uma mensagem sem resposta. Também é comum trabalhar uma sensação de valor próprio que não dependa da confirmação constante dos outros. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.
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Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta
Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.
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Perguntas frequentes
O que é atazagorafobia?
É um medo intenso e persistente de ser esquecido pelos outros e, às vezes, também de esquecer pessoas ou coisas importantes. Ela não aparece como diagnóstico próprio nos manuais de saúde mental, mas se parece com uma fobia específica e pode ser trabalhada de forma parecida.
É normal ter medo de ser esquecido?
Querer ser lembrado é algo muito humano, e quase todo mundo sofre quando é deixado de lado. Vira um problema quando o medo é tão forte que leva a conferir mensagens sem parar, a pedir confirmação o tempo todo ou a se afastar das pessoas para não sofrer.
Ter medo de esquecer é sinal de Alzheimer?
Se preocupar com a memória não indica, por si só, uma doença, e esquecer de vez em quando um nome ou onde deixou algo é normal. Se você nota mudanças na sua memória ou na de um familiar que deixam você preocupado, o indicado é procurar um médico, que pode avaliar com cuidado.
Qual a relação com o medo de abandono?
Os dois andam muito juntos. Muitas pessoas com medo de ser esquecidas passaram por perdas, separações ou momentos de solidão que deixaram a sensação de não ter importância. Por isso, um silêncio ou um pequeno esquecimento pode parecer um sinal de que vão ficar sozinhas de novo.
Como parar de ter medo de ser esquecido?
Não existe uma fórmula única, mas costuma ajudar rever os pensamentos que transformam cada silêncio em rejeição, diminuir a conferência constante do celular e praticar a respiração lenta ou a atenção plena. A terapia cognitivo-comportamental é uma das abordagens usadas com esse tipo de medo.
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