Medo de ser enterrado vivo (tafofobia)

In English: read about this fear on Phobia Guru.

Para algumas pessoas, um velório desperta algo além da tristeza: uma ideia que volta sem parar, a de ser dada como morta por engano e ficar presa sem que ninguém perceba. Elas sabem que isso é muito improvável, mas a imagem aparece à noite, em um lugar fechado ou quando alguém comenta como quer que seja o próprio enterro.

Entendendo esse medo

A tafofobia é um medo intenso e persistente de ser enterrado vivo, muitas vezes ligado à preocupação de que alguém declare a pessoa morta por engano. Hoje é uma fobia pouco comum. No fim do século XIX, o psiquiatra italiano Enrico Morselli a descreveu como uma forma extrema de claustrofobia, em uma época em que a chamada morte aparente preocupava tanto que chegaram a ser inventados caixões de segurança.

Pensar na morte de vez em quando ou sentir inquietação em um enterro é muito humano. Na fobia, a ideia fica insistente e difícil de afastar, causa uma angústia real e passa a decidir o que a pessoa faz ou evita. Ela costuma se misturar com o medo de lugares fechados, de ficar sem ar ou da própria morte. Muita gente reconhece que o medo é exagerado, mas saber disso não basta para acalmá-lo.

Gatilhos comuns

  • Ir a um velório ou a um enterro
  • Ver um caixão
  • Filmes, séries ou histórias sobre pessoas enterradas vivas
  • Pensar na própria morte
  • Conversas sobre plano funerário
  • Lugares escuros e fechados
  • Dormir com o lençol ou o cobertor sobre o rosto
  • Notícias de desabamentos ou de pessoas presas em escombros
  • Exames médicos em aparelhos fechados
  • A ideia de uma anestesia geral

Onde ele aparece

  • Velórios e enterros
  • Cemitérios, inclusive no Dia de Finados
  • Quartos escuros ou muito pequenos
  • Elevadores e lugares sem janela
  • A cama, na hora de dormir
  • Hospitais e salas de exame
  • Conversas de família sobre a morte
  • Filmes, séries e livros de terror

Sintomas

No corpo

  • Aperto no peito
  • Sensação de falta de ar
  • Coração disparado
  • Suor e tremores
  • Tontura
  • Dificuldade para pegar no sono
  • Um nó no estômago

Na mente

  • A pergunta repetida sobre ser dado como morto por engano
  • Imagens que voltam sem a pessoa querer
  • Sensação de estar preso ou sem saída
  • Angústia quando o assunto é velório ou enterro
  • Saber que o medo é exagerado sem conseguir frear
  • Preocupação constante com a própria morte

O que a pessoa costuma fazer

  • Evitar velórios e cemitérios
  • Dormir com a luz acesa ou a porta aberta
  • Deixar instruções muito detalhadas sobre o que fazer após a sua morte
  • Procurar sempre onde fica a saída
  • Evitar filmes e conversas sobre a morte
  • Adiar exames médicos em aparelhos fechados

O que causa esse medo

Não existe uma causa única, e a origem exata desse medo não é bem conhecida. Às vezes ele começa com um filme, uma história ou uma notícia que impressionou muito, principalmente na infância ou na adolescência. Em outras pessoas, cresce a partir de um medo anterior de lugares fechados ou de ficar sem ar, o que combina com a antiga descrição da tafofobia como uma claustrofobia extrema. Um luto, um velório vivido com muita angústia ou uma fase de preocupação com a saúde podem reforçá-lo. Um histórico pessoal ou familiar de ansiedade também pesa, e o medo pode ser aprendido ao ver alguém próximo se angustiar com esses assuntos. Evitar tudo o que lembra a morte traz alívio na hora, mas mantém o medo.

Como pode afetar a sua vida

Esse medo pode tornar muito difícil ir a um velório ou acompanhar a família em uma despedida, e isso às vezes deixa culpa ou atritos com pessoas queridas. Também pode atrapalhar o sono, principalmente em quartos escuros, e fazer com que um exame em um aparelho fechado seja vivido com muita angústia. Algumas pessoas fogem de qualquer conversa sobre a morte, mesmo quando a família precisa falar de desejos ou decisões importantes. Quando o medo se junta à tristeza ou ao isolamento, o humor pode sofrer. Se você estiver muito para baixo, o CVV atende pelo 188, a qualquer hora.

O que pode ajudar no dia a dia

  • Perceber quando surge a pergunta e se, e lembrar que é um pensamento de medo, não um fato
  • Treinar uma respiração lenta, soltando o ar mais devagar do que puxa, quando vier o aperto no peito
  • Antes de um velório, escolher um lugar perto da saída e saber que pode sair um pouco se precisar
  • Falar do medo com alguém de confiança e, se a dúvida for como a morte é confirmada, perguntar a um médico em vez de buscar histórias na internet
  • Dar um tempo nos filmes e nas histórias de terror que alimentam as imagens

Quando procurar ajuda

Vale buscar ajuda se o medo impede você de ir a velórios ou de se despedir de quem ama, se tira o seu sono ou se ocupa boa parte dos seus pensamentos. Se você precisa fazer um exame em um aparelho fechado ou uma cirurgia, não adie: conte sobre o medo para a equipe de saúde, que pode explicar cada etapa e ajudar você a ficar mais tranquilo. Se a ansiedade ou as preocupações com a morte estão atrapalhando a sua rotina, converse com um médico, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima ou um psicólogo ou psiquiatra.

Como a hipnoterapia pode ajudar

A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de ser enterrado vivo, ela costuma ser usada para entender de onde vem a imagem que se repete e para acalmar a reação de alarme que dispara em lugares fechados, em um velório ou na hora de dormir. Também é comum ensaiar na imaginação situações como ir a uma despedida com mais calma. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.

Fale com uma especialista

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.

Marcar conversa gratuita pelo Zoom

Conversa de 30 minutos, sem compromisso.

Perguntas frequentes

O que é tafofobia?

É o medo intenso e persistente de ser enterrado vivo, muitas vezes ligado à ideia de ser declarado morto por engano. É considerada uma fobia específica pouco comum e costuma andar junto com o medo de lugares fechados ou da morte.

Hoje em dia alguém pode ser enterrado vivo?

Essa preocupação era muito comum no século XIX, quando se falava muito em morte aparente e a medicina tinha menos recursos. Hoje, a morte é confirmada por um médico, seguindo procedimentos estabelecidos. Se essa dúvida angustia você, pergunte a um médico como isso é feito; uma explicação clara costuma tranquilizar mais do que ler histórias na internet.

A tafofobia tem relação com a claustrofobia?

Muitas vezes, sim. Já em 1891 ela foi descrita como uma forma extrema de claustrofobia, e é comum que quem tem esse medo também sinta angústia em lugares fechados, escuros ou abafados. Trabalhar o medo de lugares fechados costuma ajudar com este também.

Como ir a um velório tendo esse medo?

Pode ajudar conversar antes com alguém de confiança, ficar perto da saída e se permitir sair um pouco para respirar. Dá para acompanhar a família sem participar de tudo; cada pessoa e cada tradição vive a despedida do seu jeito.

Tafofobia é o mesmo que medo de morrer?

Não exatamente. O medo de morrer, ou tanatofobia, gira em torno de morrer ou de deixar de existir. Na tafofobia, o foco é ser dado como morto por engano e ficar preso, embora os dois medos muitas vezes apareçam juntos.

Leia mais

Cascella M., History of Psychiatry (2016): Taphophobia and life preserving coffins in the nineteenth century · Mayo Clinic: Fobias específicas, síntomas y causas · Manual MSD Versão Saúde para a Família: Fobias específicas