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Tem gente que para de ir ao quintal quando começa a época de chuvas, com medo de um sapo pular no meio da grama. Outras pessoas não conseguem dormir quando ouvem o coaxar à noite, ou ficam paralisadas ao ver um sapo no caminho, mesmo com o bicho parado e longe.
Entendendo esse medo
A batracofobia é um medo intenso e persistente de sapos, rãs, pererecas e outros anfíbios, como as salamandras. Quando o medo se limita às rãs, às vezes se fala em ranidafobia, e o medo de sapos é chamado de bufonofobia. É uma fobia específica do tipo animal e não está entre as mais comuns. Muita gente não gosta de dar de cara com um sapo no caminho. Na fobia, a reação é muito maior do que o perigo real, pode aparecer só de ver uma imagem e leva a pessoa a evitar lugares e atividades.
O foco muda de uma pessoa para outra. Algumas temem principalmente o pulo repentino e a ideia de o animal cair em cima delas. Outras reagem à pele úmida e brilhante, ao coaxar no escuro, a uma perereca grudada na parede do banheiro ou à imagem de muitos girinos juntos. O nojo costuma pesar tanto quanto o medo. Tem quem sinta isso diante de qualquer anfíbio e quem só reaja aos sapos ou só às rãs.
Gatilhos comuns
- Um sapo que pula de repente
- O coaxar à noite
- A pele úmida e brilhante
- Pensar em encostar em um sapo ou em uma rã
- Um sapo parado no caminho ou na porta de casa
- Uma perereca no banheiro
- Calçadas molhadas depois da chuva
- Girinos em poças ou lagos
- Desenhos, brinquedos ou enfeites em forma de sapo
- Documentários e aulas sobre anfíbios
Onde ele aparece
- Quintais e jardins
- Banheiros e áreas externas de casas perto do mato
- Lagos, lagoas, rios e brejos
- Parques e áreas verdes
- Caminhadas no mato depois da chuva
- Sítios, chácaras e acampamentos
- Fontes e lagos decorativos
- Atividades de ciências na escola
Sintomas
No corpo
- Pular para trás ou ficar paralisado
- Coração disparado
- Calafrios ou pele arrepiada
- Enjoo ou um nó no estômago
- Tremores e suor
- Respiração rápida e curta
- Tontura
Na mente
- Medo de que um sapo pule em você
- Não suportar a ideia de tocar em um
- Achar que há um sapo escondido em qualquer canto
- Nojo que dura muito tempo depois de ver o animal
- Pesadelos com sapos ou rãs
- Vergonha porque os outros acham o medo exagerado
O que a pessoa costuma fazer
- Evitar o quintal ou o jardim, principalmente na época de chuvas
- Ficar em casa ao anoitecer ou depois da chuva
- Conferir o caminho, o banheiro e os calçados antes de usar
- Pedir a outra pessoa para tirar o animal de perto
- Pular imagens e documentários sobre anfíbios
- Recusar acampamentos e viagens para o sítio
O que causa esse medo
Muitas vezes tudo começa com um susto na infância, como um sapo que pula na mão ou aparece de repente em uma poça onde a criança estava brincando. O medo também pode ser aprendido ao ver um familiar reagir com nojo ou pânico. As histórias e crenças também pesam: em diferentes culturas, sapos e rãs já foram associados a azar, feitiço ou doença, e muita gente cresce ouvindo que pegar em sapo dá verruga. Ter histórico de ansiedade na família também pode influenciar. Às vezes a origem é esquecida, principalmente quando o medo começou na infância. Evitar esses animais traz alívio, e esse alívio reforça a ideia de que eles são perigosos.
Como pode afetar a sua vida
Esse medo costuma ficar mais forte na época de chuvas, quando sapos e pererecas aparecem e se fazem ouvir mais. Tem quem deixe de usar o próprio quintal, não saia para caminhar no fim da tarde ou diga não a acampamentos e fins de semana no sítio. Para mães e pais, pode ser difícil acompanhar os filhos em atividades ao ar livre ou em trabalhos da escola sobre a natureza, e muitos se preocupam em passar o medo adiante. A vergonha faz muita gente não contar a ninguém e viver isso em silêncio.
O que pode ajudar no dia a dia
- Se aproximar do tema aos poucos, com desenhos animados de sapos primeiro e fotos depois, no seu ritmo
- Praticar uma respiração lenta, soltando o ar mais devagar do que puxa, quando algo se mexer na grama
- Perceber o pensamento de que o sapo vai pular em você e lembrar o que costuma acontecer de verdade: o animal se afasta
- Usar calçado fechado e levar uma lanterna ao sair no quintal à noite, para sentir mais controle
- Não tocar nem tentar pegar sapos, rãs ou pererecas, porque isso não é necessário para superar o medo
Quando procurar ajuda
Vale buscar ajuda se o medo leva você a evitar o próprio quintal, os passeios ou as atividades em família, se provoca crises de pânico ou pesadelos, ou se você percebe que ele está afetando os seus filhos. Nas crianças, muitos medos de animais passam com o tempo, mas se o medo é intenso, dura meses e impede a criança de brincar ao ar livre, converse com o pediatra. Se a ansiedade está atrapalhando o dia a dia, converse com um médico, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima ou busque um psicólogo ou psiquiatra.
Como a hipnoterapia pode ajudar
A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de sapo, ela costuma ser usada para encontrar o momento ou a ideia que deu origem ao medo, muitas vezes um susto na infância, e para acalmar a reação automática de alarme e de nojo. Também se ensaiam na imaginação cenas como sair no quintal depois da chuva ou caminhar por um parque no fim da tarde, até que pareçam tranquilas. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.
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Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta
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Perguntas frequentes
O que é batracofobia?
É um medo intenso e persistente de anfíbios, como sapos, rãs, pererecas e salamandras. É uma fobia específica do tipo animal. Não gostar de sapo é comum; quando o medo faz você evitar o quintal, o sítio ou os passeios ao ar livre, vale levar a sério.
Pegar em sapo dá verruga?
Não. As verrugas são causadas por uma infecção pelo papilomavírus humano (HPV), e não pelos sapos. É uma crença muito difundida, mas sem base médica. Mesmo assim, o melhor é não tocar em anfíbios na natureza e lavar as mãos se isso acontecer sem querer.
Qual a diferença entre batracofobia, ranidafobia e bufonofobia?
A batracofobia abrange os anfíbios em geral, a ranidafobia se refere às rãs e a bufonofobia aos sapos. Na prática, muita gente usa esses nomes como sinônimos, e o que importa é saber o que provoca medo em você.
Medo de sapo é o mesmo que medo de répteis?
Não. Sapos, rãs e pererecas são anfíbios, enquanto cobras, lagartos e lagartixas são répteis. Algumas pessoas têm medo dos dois grupos, e nos dois casos costumam ajudar abordagens parecidas.
O que fazer quando uma criança tem medo de sapo?
Manter a calma ajuda, porque as crianças se guiam pela reação dos adultos. Histórias infantis com sapos e conversas tranquilas podem ajudar, sem obrigar a criança a chegar perto de nenhum animal. Se o medo é muito intenso, dura meses ou impede a criança de brincar ao ar livre, converse com o pediatra ou com um profissional de saúde mental.
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