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Há pessoas que amam o parceiro ou a parceira e querem estar perto, mas sentem o corpo travar sempre que o relacionamento caminha para a intimidade. Muitas vivem isso em silêncio, com vergonha ou culpa, sem saber que esse é um medo conhecido e que existe ajuda.
Entendendo esse medo
A genofobia, também chamada de coitofobia, é um medo intenso e persistente de ter relações sexuais. Ela não aparece como diagnóstico próprio nos manuais médicos e costuma ser entendida como uma fobia específica. Sentir nervosismo diante da intimidade, principalmente no começo de um relacionamento ou na primeira vez, é muito comum. Na fobia, a ansiedade é bem mais forte, aparece mesmo com alguém de confiança e leva a pessoa a evitar a proximidade, mesmo desejando estar perto.
Pode afetar pessoas de qualquer gênero e idade. Para algumas, o medo gira em torno da dor. Para outras, do julgamento sobre o corpo, da perda de controle ou da possibilidade de uma gravidez ou de uma infecção. Às vezes vem junto com outros medos, como o medo de ser tocado ou de ficar sem roupa. Existe também o termo erotofobia, que é mais amplo e se refere ao medo ou à rejeição de tudo o que envolve a sexualidade.
Gatilhos comuns
- O relacionamento caminhar para mais intimidade
- Beijos ou carinhos que podem levar a algo mais
- Conversar sobre sexo com o parceiro ou a parceira
- Tirar a roupa ou ser visto sem roupa
- A ideia de sentir dor
- Preocupação com gravidez ou infecção
- Sentir-se julgado pelo corpo
- Cenas íntimas em filmes, novelas ou séries
- Lembranças de experiências difíceis
Onde ele aparece
- No começo de um relacionamento, quando a proximidade cresce
- Em relacionamentos estáveis, mesmo com confiança
- Em encontros românticos
- Ao planejar uma viagem ou uma noite a dois
- Em conversas sobre ter filhos
- Em consultas no ginecologista ou no urologista
- Em rodas de conversa entre amigos sobre o assunto
Sintomas
No corpo
- Coração disparado
- Tensão muscular ou sensação de ficar rígido
- Enjoo
- Suor ou calor no rosto
- Respiração curta
- Tontura
- Dormir mal antes de ficar a sós com alguém
Na mente
- Medo intenso de sentir dor
- Medo de ser julgado
- Sensação de não estar seguro ou de perder o controle
- Culpa ou vergonha
- Medo de que a outra pessoa se afaste
- Lembranças que surgem sem querer
O que a pessoa costuma fazer
- Evitar encontros ou terminar relacionamentos quando a proximidade cresce
- Inventar desculpas para fugir da intimidade
- Evitar também abraços e carinhos por medo de que levem a algo mais
- Ir dormir em horários diferentes do parceiro ou da parceira
- Se desligar mentalmente em momentos íntimos
- Usar bebida alcoólica para acalmar os nervos
O que causa esse medo
Quase nunca há uma causa só. Uma experiência dolorosa ou assustadora pode deixar o corpo em alerta. Em algumas pessoas há experiências difíceis ou traumáticas por trás, e nesses casos vale contar com um profissional. O que se aprendeu em casa também pesa: se a sexualidade foi vivida com muito silêncio, medo ou vergonha, pode ficar uma culpa difícil de largar. Alguns problemas de saúde causam dor na relação sexual, e o receio de que a dor volte pode criar um ciclo de tensão e mais desconforto. Inseguranças com o próprio corpo, medo de gravidez ou de infecção e ansiedade em geral também podem somar. Às vezes não se encontra uma causa clara. Evitar traz alívio na hora, mas com o tempo mantém o medo.
Como pode afetar a sua vida
Esse medo costuma afetar principalmente a vida a dois. O parceiro ou a parceira pode se sentir rejeitado ou confuso se não entende o que acontece, e quem tem o medo muitas vezes carrega culpa ou receio de ser deixado. Algumas pessoas evitam começar relacionamentos, ou se afastam quando a proximidade cresce, mesmo querendo companhia. O medo também pode pesar nos planos de ter filhos, na autoestima e no humor. Como é difícil falar sobre o assunto, muita gente passa anos se sentindo sozinha com isso.
O que pode ajudar no dia a dia
- Lembrar que você tem o direito de ir no seu ritmo e de dizer não a qualquer momento
- Conversar com quem você ama, em um momento tranquilo, sobre o que sente e do que precisa
- Aproveitar formas de proximidade sem pressão, como conversar ou andar de mãos dadas
- Praticar uma respiração lenta quando notar o corpo ficando tenso
- Buscar informação sobre saúde sexual com um médico ou na UBS, e não em sites pouco confiáveis
Quando procurar ajuda
Vale procurar ajuda se o medo causa muito sofrimento, atrapalha os seus relacionamentos ou faz você evitar qualquer proximidade. Se você sente dor na relação sexual ou tem dúvidas sobre a sua saúde, procure primeiro um médico ou a Unidade Básica de Saúde (UBS), porque algumas causas físicas têm tratamento. Se for possível, você pode pedir atendimento com uma profissional mulher ou um profissional homem, se isso deixar você mais à vontade, e levar alguém de confiança. Um psicólogo ou psiquiatra pode ajudar a trabalhar o medo com calma e no seu ritmo, e alguns são especializados em sexualidade. Se o medo está ligado a experiências difíceis ou traumáticas, procure alguém com experiência em trauma. Se o seu humor estiver para baixo, o CVV atende pelo 188, a qualquer hora.
Como a hipnoterapia pode ajudar
A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de relação sexual, ela costuma ser usada para acalmar a reação automática de alarme do corpo e para trabalhar com delicadeza as crenças e emoções que sustentam o medo, sempre no ritmo da pessoa. Também é comum ensaiar na imaginação momentos de proximidade tranquila, como uma conversa ou um abraço, até eles parecerem mais seguros. Quando há dor física, ela deve ser avaliada antes por um médico. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico nem o psicológico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.
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Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta
Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.
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Perguntas frequentes
O que é genofobia?
É um medo intenso e persistente de ter relações sexuais, também chamado de coitofobia. Vai além do nervosismo normal diante da intimidade: pode aparecer mesmo com alguém de confiança e levar a pessoa a evitar a proximidade. Não tem um diagnóstico próprio e costuma ser entendido como uma fobia específica.
É normal ter medo da primeira vez?
Sim, sentir nervosismo ou dúvida antes da primeira vez é muito comum. Ninguém deve se sentir pressionado: cada pessoa tem o direito de decidir quando está pronta e de mudar de ideia. Se o medo é tão forte que causa angústia por muito tempo, conversar com um médico ou um psicólogo pode ajudar.
O medo de relação sexual pode ter causa física?
Às vezes, sim. Alguns problemas de saúde provocam dor na relação sexual, e o receio de que essa dor se repita pode alimentar o medo. Por isso, se você sente dor ou desconforto, o primeiro passo é procurar um médico ou a UBS, para ver se existe uma causa que tenha tratamento.
Qual a diferença entre genofobia e erotofobia?
A genofobia se refere principalmente ao medo da relação sexual em si. A erotofobia é um termo mais amplo, que descreve o medo ou a rejeição de tudo o que envolve a sexualidade, como falar sobre o assunto ou ficar sem roupa. Na prática, os dois medos podem se misturar.
Tem como superar o medo de relação sexual?
Sim, com a ajuda adequada muitas pessoas conseguem se sentir mais tranquilas com a intimidade. Costuma ajudar começar descartando causas físicas com um médico e depois trabalhar o medo com um psicólogo, por exemplo com terapia cognitivo-comportamental. Ir no seu ritmo e sem pressão faz parte do processo.
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