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Para algumas pessoas, olhar dentro de um poço, chegar perto da beira de um cânion ou nadar onde os pés já não alcançam o fundo provoca um medo que vai muito além da prudência. O corpo trava, a respiração acelera e a única ideia é sair dali o quanto antes.
Entendendo esse medo
A batofobia é um medo intenso e persistente de profundidade. Ele pode aparecer diante de um lugar muito fundo, como um poço, uma gruta, um cânion ou uma lagoa de água escura, e também diante da simples ideia de não saber o que existe lá embaixo nem onde aquilo termina. Ter respeito por um precipício ou por água funda é uma reação sensata. Na fobia, a angústia é muito maior do que o perigo real, aparece mesmo quando a pessoa está em segurança e faz com que ela evite lugares e passeios.
Há pouca pesquisa sobre esse medo especificamente, por isso ele é entendido como uma fobia específica, um tipo de transtorno de ansiedade. Ele se parece com outros medos e às vezes aparece junto com eles, como o medo de altura, que gira em torno da queda, o medo do mar aberto, conhecido como talassofobia, ou o medo do escuro. Na batofobia, o centro costuma ser a profundidade em si e a sensação de que não há um fundo à vista.
Gatilhos comuns
- Olhar dentro de um poço ou de um buraco fundo
- Nadar onde os pés não tocam o fundo
- Água escura em que não se enxerga nada
- Mirantes sobre cânions, serras ou falésias
- Descer a uma gruta, caverna ou subsolo muito fundo
- Imagens ou vídeos do fundo do mar
- Vãos de escada que deixam ver vários andares para baixo
Onde ele aparece
- Praias, lagoas, rios e represas
- Piscinas com parte funda
- Cachoeiras e poços naturais
- Trilhas em cânions e serras
- Passeios de barco, lancha ou escuna
- Grutas e cavernas
- Túneis e garagens subterrâneas
- Documentários e filmes sobre o oceano
Sintomas
No corpo
- Coração disparado ao olhar para baixo
- Mãos suadas
- Pernas tremendo ou fracas
- Respiração curta ou sensação de falta de ar
- Tontura ou enjoo
- Vontade urgente de se afastar da beirada ou de sair da água
Na mente
- Sensação de que algo pode puxar você para baixo
- Medo do que não se vê no fundo
- Imaginar que não vai conseguir voltar para a margem
- Preocupação dias antes de uma viagem para a praia ou para a serra
- Saber que o medo é exagerado e não conseguir freá-lo
O que a pessoa costuma fazer
- Ficar sempre na parte rasa
- Evitar mirantes, pontes ou grutas
- Não olhar para baixo nem chegar perto do guarda-corpo
- Recusar programas de praia, cachoeira ou trilha
- Fechar os olhos ou mudar de canal diante de imagens do oceano
O que causa esse medo
Como em outras fobias específicas, não costuma haver uma causa única. Um susto na água, como afundar por alguns segundos ou perder o pé em um rio, ou uma queda na infância, pode deixar uma marca forte. Também pesa ver ou ouvir experiências ruins de outras pessoas, na vida real, em filmes ou no noticiário. Ter pais ou parentes com ansiedade ou fobias pode deixar alguém mais propenso, por uma mistura de herança e do que se aprende em casa. O desconhecido tem muito peso nesse medo, porque a mente tende a encher de perigos aquilo que não consegue ver. Com o tempo, evitar a profundidade reforça a ideia de que ela é perigosa, e o medo se mantém.
Como pode afetar a sua vida
Esse medo pode encurtar as férias, os passeios em família e as atividades ao ar livre. Tem gente que não entra na água enquanto os filhos ou os amigos nadam, que recusa viagens para o litoral ou para a serra e que evita certas pontes, mirantes e passeios de barco. Às vezes a pessoa sente vergonha e prefere não explicar o motivo, o que pode gerar mal-entendidos ou fazer com que ela fique de fora de muitos programas. Quando o medo cresce, ele também pode limitar opções de trabalho.
O que pode ajudar no dia a dia
- Nadar só em áreas com guarda-vidas e com alguém por perto, como se recomenda a qualquer pessoa
- Se você não nada com segurança, aprender com um instrutor em um lugar supervisionado
- Treinar uma respiração lenta, soltando o ar mais devagar do que puxa
- Fixar o olhar em um ponto estável, como o horizonte ou a margem, quando sentir o medo subir
- Avançar em passos pequenos e no seu ritmo, por exemplo olhando primeiro fotos tranquilas de lagos ou paisagens
Quando procurar ajuda
Vale buscar ajuda se o medo impede você de aproveitar as férias, acompanhar a família ou fazer o seu trabalho, ou se provoca crises de pânico. Converse com um médico, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima ou um psicólogo ou psiquiatra. Se o que você sente ao olhar para baixo é principalmente tontura, sensação de que tudo gira ou perda de equilíbrio, comente com um médico, porque isso pode ter outras causas que merecem avaliação. As fobias específicas costumam responder bem ao tratamento.
Como a hipnoterapia pode ajudar
A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de profundidade, ela costuma ser usada para explorar de onde vem o medo e para ensaiar na imaginação situações como olhar de um mirante ou ficar perto da água, com calma e em um ritmo confortável. Também é usada para diminuir a reação automática de alarme que dispara ao olhar para baixo. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.
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Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta
Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.
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Perguntas frequentes
O que é batofobia?
É uma fobia específica: um medo intenso e persistente de profundidade, como poços, cânions, grutas ou água funda. Ela se diferencia da prudência normal porque aparece mesmo sem perigo real e leva a pessoa a evitar lugares ou atividades.
Batofobia é a mesma coisa que talassofobia?
Não exatamente. A talassofobia é o medo do mar ou de grandes massas de água. A batofobia se concentra na profundidade, seja na água, seja em terra firme. As duas podem aparecer juntas e, na prática, às vezes se misturam.
Qual a diferença entre medo de profundidade e medo de altura?
No medo de altura, o centro costuma ser a queda. Na batofobia, o foco está no que é fundo e em não ver o fundo, mesmo quando a pessoa não está em um lugar alto, por exemplo ao nadar em uma lagoa de água escura.
Por que tenho medo de água funda se sei nadar?
Saber nadar nem sempre desliga a reação de alarme. O medo costuma estar ligado ao que não se vê e à sensação de não ter apoio embaixo dos pés, mais do que à habilidade. Por isso ele pode aparecer em quem nada bem.
Como perder o medo de profundidade?
As fobias específicas costumam responder bem à ajuda psicológica, principalmente à exposição gradual, feita passo a passo e com um profissional. Muitas pessoas passam a sentir bem menos ansiedade, mesmo mantendo algum respeito pelo que é fundo. Entrar em água funda por conta própria para testar o medo não é recomendado.
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Clínica Universidad de Navarra, Diccionario médico: Batofobia · Mayo Clinic: Fobias específicas, síntomas y causas · Manual MSD Versão Saúde para a Família: Fobias específicas
