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Tem gente que sente um aperto no peito só de pensar em sair na rua e cruzar com outras pessoas, mesmo que ninguém vá falar com ela. Outras organizam o dia para ver o menor número possível de pessoas: vão ao mercado na hora em que está vazio, não atendem o interfone e deixam o celular tocar.
Entendendo esse medo
A antropofobia, ou medo de pessoas, é um medo intenso e persistente de estar perto de outras pessoas ou de lidar com elas, sejam desconhecidas ou conhecidas. Ela não aparece com nome próprio nos manuais diagnósticos usados pelos profissionais, como o DSM-5. Dependendo do caso, um profissional pode avaliá-la como uma fobia específica ou como parte de outro quadro, como o transtorno de ansiedade social ou o transtorno de estresse pós-traumático.
Ela se parece muito com a ansiedade social, mas não é exatamente a mesma coisa. Na ansiedade social, o medo se concentra principalmente em ser julgado ou passar vergonha. Na antropofobia, o mal-estar pode surgir com a simples presença de outras pessoas, mesmo em um lugar onde ninguém está prestando atenção em você. Para algumas pessoas, o centro do medo é ser machucado ou traído. Para outras, é a preocupação de incomodar ou ofender os outros, algo que também descreve o taijin kyofusho, um quadro conhecido no Japão e na Coreia. Só um profissional pode avaliar o que acontece em cada caso.
Gatilhos comuns
- Alguém puxar conversa de repente
- Olhar alguém nos olhos
- O interfone ou a campainha tocar
- Pedir algo em uma loja, padaria ou restaurante
- Encontrar um vizinho no elevador
- Ligações de números desconhecidos
- Reuniões de trabalho
- Visitas inesperadas
- Sentar ao lado de um desconhecido no ônibus
- Convites para eventos sociais
Onde ele aparece
- A rua, o ônibus e o metrô
- Supermercados, lojas, bancos e lotéricas
- O trabalho, a escola ou a faculdade
- Encontros de família
- Salas de espera
- O prédio, o condomínio ou o bairro onde você mora
- Festas, casamentos e comemorações
- Chamadas de vídeo e ligações
Sintomas
No corpo
- Coração disparado ao ver alguém se aproximar
- Suor, tremores ou rosto vermelho
- Boca seca
- Tensão nos ombros e na mandíbula
- Aperto no estômago ou enjoo
- Dor de cabeça e sono ruim antes de um encontro
- Crises de pânico em alguns casos
Na mente
- Sensação de perigo perto de outras pessoas
- Desconfiança das intenções dos outros
- Medo de ser julgado, observado ou rejeitado
- Preocupação em incomodar ou ofender
- Sentir-se inferior ou deslocado
- Repassar cada conversa várias vezes
O que a pessoa costuma fazer
- Evitar contato visual
- Sair nos horários com pouca gente
- Não atender ligações nem abrir a porta
- Pedir para outras pessoas resolverem as suas coisas
- Recusar trabalhos ou cursos que envolvam lidar com gente
- Passar cada vez mais tempo sem sair de casa
O que causa esse medo
Muitas vezes o medo está ligado a experiências dolorosas com outras pessoas, como gozações, bullying na escola, rejeição ou a traição de alguém próximo. Pode ser um único acontecimento muito forte ou uma soma de experiências ruins. O temperamento também pesa, já que pessoas muito reservadas podem ser mais propensas, assim como o histórico de ansiedade na família. Crescer com pais muito ansiosos ou superprotetores pode ensinar que o mundo é um lugar perigoso. Em alguns casos, não há uma causa clara. Evitar as pessoas acalma a angústia no momento, mas deixa menos chances de perceber que a maioria dos encontros acontece sem problema, e assim o medo se mantém.
Como pode afetar a sua vida
A antropofobia pode limitar quase todas as áreas da vida, porque quase tudo envolve lidar com alguém. Tem quem largue um emprego ou um curso para não precisar ver gente, quem adie consultas médicas ou resolver documentos importantes, e quem se afaste aos poucos dos amigos e da família. O isolamento costuma trazer solidão, baixa autoestima e desânimo, e algumas pessoas recorrem ao álcool para aguentar os encontros. Com o tempo, o mundo da pessoa pode ficar reduzido a poucos lugares e poucos rostos.
O que pode ajudar no dia a dia
- Propor a você mesmo encontros pequenos e curtos, como cumprimentar o porteiro ou comprar pão em uma padaria tranquila, e repetir até ficar mais fácil
- Praticar uma respiração lenta, soltando o ar mais devagar do que puxa
- Anotar o que você temia antes de uma situação e o que aconteceu de fato, para comparar
- Manter contato com uma ou duas pessoas de confiança, nem que seja por mensagem, para não se isolar de vez
- Cuidar do sono e diminuir o café e o álcool, que podem aumentar a ansiedade
Quando procurar ajuda
Vale buscar ajuda se o medo de pessoas impede você de trabalhar, estudar, resolver documentos ou ver quem você ama, ou se você passa cada vez mais tempo sem sair de casa. Converse com um médico, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima ou busque um psicólogo ou psiquiatra. Esse medo pode fazer parte de quadros reconhecidos, como o transtorno de ansiedade social ou o estresse pós-traumático, e um profissional pode avaliar o que acontece no seu caso. A terapia cognitivo-comportamental com exposição gradual é muito usada, e se for preciso algum remédio, ele deve ser indicado por um médico. Se o isolamento ou o desânimo estiverem pesando, o CVV atende pelo 188, a qualquer hora.
Como a hipnoterapia pode ajudar
A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de pessoas, ela costuma ser usada para explorar de onde vem a sensação de perigo perto dos outros e para ensaiar na imaginação encontros do dia a dia, como cumprimentar alguém ou fazer uma compra, até que pareçam possíveis. Também é comum usá-la para acalmar a reação automática de alarme. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico nem psicológico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.
Fale com uma especialista

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta
Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.
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Perguntas frequentes
O que é antropofobia?
É um medo intenso e persistente de pessoas ou de estar perto delas. Quem sente pode ficar muito nervoso com a simples presença dos outros, conhecidos ou desconhecidos, e tende a evitar o contato. Não é um diagnóstico com nome próprio, mas quando limita a vida merece atenção.
Qual a diferença entre antropofobia e fobia social?
Elas são muito parecidas e às vezes aparecem juntas. A fobia social, ou transtorno de ansiedade social, gira principalmente em torno do medo de ser julgado ou passar vergonha. Na antropofobia, o mal-estar pode surgir com a presença das pessoas em si, mesmo quando ninguém está prestando atenção. Um profissional pode avaliar qual descreve melhor o que você sente.
É a mesma coisa que ser tímido ou introvertido?
Não. Timidez e introversão são jeitos de ser: uma pessoa introvertida pode preferir sossego e ainda assim lidar com gente sem angústia. Na antropofobia, o medo é intenso, dura meses e leva a evitar situações comuns, mesmo que isso tenha um custo.
Por que tenho medo de gente?
Muitas vezes o medo nasce de experiências dolorosas com outras pessoas, como gozações, rejeição ou traições, e o temperamento e a ansiedade na família também pesam. Às vezes não há uma causa clara. Entender de onde ele vem ajuda, mas não é preciso saber tudo para começar a melhorar.
Antropofobia tem cura?
Ela costuma responder bem à ajuda certa. A terapia cognitivo-comportamental com exposição gradual é uma das abordagens mais usadas, junto com técnicas de relaxamento. Ir passo a passo, começando por encontros pequenos, permite recuperar espaço sem se forçar de uma vez.
Leia mais
Manual MSD Versão Saúde para a Família: Transtorno de ansiedade social · La Mente es Maravillosa: Antropofobia, síntomas, causas y tratamiento · Healthline: Anthropophobia (fear of people)
