Medo de peixe (ictiofobia)

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Tem gente que não consegue entrar no mar porque não para de pensar no que está nadando lá embaixo, mesmo com a água na cintura. Outras pessoas dão a volta no supermercado para não passar pela peixaria, ou se levantam da mesa quando chega um peixe inteiro, com cabeça e olhos, no almoço de família.

Entendendo esse medo

A ictiofobia é um medo intenso e persistente de peixes, muito maior do que o perigo real que eles representam. É uma fobia específica do tipo animal e uma das menos frequentes desse grupo. Sentir um certo nojo de um peixe escorregadio é bem comum. Na fobia, a angústia aparece só de imaginar um peixe, dura meses ou anos e leva a pessoa a evitar praias, aquários ou refeições com amigos.

Em português, a mesma palavra serve para o peixe vivo e para o peixe que vai ao prato, e o medo pode envolver um, o outro ou os dois. Para algumas pessoas, o centro do medo é um peixe encostar nelas na água ou aparecer de repente. Para outras, são os olhos que não piscam, as escamas, a pele viscosa ou o cheiro do peixe cru, e tem quem só reaja a um peixe inteiro servido à mesa. O nojo costuma pesar tanto quanto o medo.

Gatilhos comuns

  • Sentir um peixe encostar em você na água
  • Ver um peixe inteiro, com olhos e escamas
  • O cheiro de peixe cru
  • A textura viscosa ou escorregadia
  • Um peixe servido com a cabeça
  • Movimentos rápidos dentro de um aquário
  • Peixes grandes em aquários públicos
  • Água turva em que não se vê o fundo
  • Cenas debaixo d’água em filmes e documentários

Onde ele aparece

  • Praias, rios, lagoas e represas
  • Aquários e parques marinhos
  • Peixarias e bancas de peixe na feira
  • A seção de peixes do supermercado
  • Restaurantes de frutos do mar
  • Lagos de parques e jardins
  • Pet shops com aquários
  • Pesqueiros, píeres e passeios de barco
  • Almoços de Semana Santa, com peixe na mesa

Sintomas

No corpo

  • Coração disparado ao ver ou imaginar um peixe
  • Suor e tremores
  • Respiração acelerada
  • Enjoo ou ânsia de vômito, principalmente com o cheiro
  • Tontura
  • Aperto no peito
  • Urgência de sair da água na mesma hora

Na mente

  • Medo de que um peixe toque ou morda você
  • Nojo intenso dos olhos, das escamas ou da pele viscosa
  • Sensação de estar encurralado dentro da água
  • Imaginar peixes escondidos onde não se vê o fundo
  • Angústia dias antes de uma viagem à praia ou de um almoço fora
  • Vergonha de sentir tanto medo de algo que os outros acham inofensivo

O que a pessoa costuma fazer

  • Não entrar no mar, em rios ou em lagoas
  • Evitar peixarias e a seção de peixes
  • Desviar o olhar de aquários e lagos
  • Pedir a outra pessoa para preparar ou limpar o peixe
  • Sair da mesa quando servem peixe
  • Inventar desculpas para não ir à praia ou ao aquário

O que causa esse medo

Como em outras fobias específicas, costuma haver uma mistura de experiências, aprendizado e uma reação de alarme do corpo. Um susto, como um peixinho que belisca o pé na beira da praia ou um peixe que se debate nas mãos durante uma pescaria, pode ser o ponto de partida. Muitas fobias de animais começam na infância, e uma criança pode aprender o medo ao ver um familiar reagir com força diante de um peixe. Ter histórico de ansiedade na família também pode influenciar. Nesse medo, o nojo da textura, do cheiro ou do olhar fixo do peixe costuma se somar à ansiedade. Cada vez que a pessoa evita um peixe, sente alívio, e esse alívio acaba mantendo o medo.

Como pode afetar a sua vida

A ictiofobia pode tornar difíceis coisas que para os outros são um prazer, como as férias na praia, um fim de semana na represa ou um passeio ao aquário. Tem quem pare de nadar no mar e em rios e quem passe os almoços de família tenso quando há peixe na mesa. As crianças com esse medo podem perder passeios da escola ou tardes na água com os amigos. Se a aversão se estende ao peixe como alimento e você começa a deixar vários alimentos de lado ou a comer menos, converse com um médico.

O que pode ajudar no dia a dia

  • Se aproximar do tema aos poucos, com desenhos de peixes primeiro e fotos depois, no seu ritmo
  • Assistir por alguns minutos a um vídeo tranquilo de aquário, prestando atenção na respiração
  • Praticar uma respiração lenta, soltando o ar mais devagar do que puxa, ao passar perto de uma peixaria
  • Nadar só em lugares seguros, com guarda-vidas, e nunca sozinho
  • Contar à família e aos amigos que você está trabalhando esse medo, para que as refeições fiquem menos tensas

Quando procurar ajuda

Vale buscar ajuda se o medo impede você de nadar, viajar, comer fora ou participar das atividades da família, ou se só de pensar em um peixe surgem crises de pânico. Se você está deixando de comer vários alimentos por causa do medo, comendo menos do que o normal ou perdeu peso, procure um médico. Se a ansiedade está atrapalhando o dia a dia, converse com um médico, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima ou busque um psicólogo ou psiquiatra.

Como a hipnoterapia pode ajudar

A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de peixe, ela costuma ser usada primeiro para identificar que parte do medo pesa mais: os peixes vivos na água, a aparência de um peixe inteiro ou o cheiro e a textura. Depois, trabalha-se a experiência que pode ter dado origem ao medo e ensaiam-se na imaginação situações como nadar no mar ou passar diante de uma peixaria, até que fiquem mais leves. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.

Fale com uma especialista

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.

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Perguntas frequentes

O que é ictiofobia?

É um medo intenso e persistente de peixes, que pode incluir ver, tocar, sentir o cheiro ou comer peixe. É uma fobia específica do tipo animal. Sentir um pouco de aversão é comum; quando o medo leva você a evitar o mar, os aquários ou certas refeições, vale levar a sério.

Por que os olhos dos peixes assustam tanto?

A maioria dos peixes não tem pálpebras, então os olhos não piscam nem mostram expressões como os de outros animais. Muita gente acha esse olhar fixo inquietante, e na ictiofobia essa sensação pode ficar muito intensa.

Medo de peixe é o mesmo que medo de tubarão?

Não. O medo de tubarão se chama galeofobia e envolve um animal que pode ser perigoso. A ictiofobia costuma incluir peixes comuns e inofensivos, até os pequenos de um aquário em casa. Algumas pessoas têm os dois medos ao mesmo tempo.

O medo de peixe pode impedir alguém de nadar no mar?

Sim, muitas pessoas com esse medo evitam o mar, os rios e as lagoas pela ideia de que um peixe vai encostar nelas. Com a ajuda certa é possível voltar a aproveitar a água, sempre em lugares seguros e com guarda-vidas.

Ter medo de peixe vivo é o mesmo que ter nojo de comer peixe?

Depende de cada pessoa. Algumas só reagem a peixes vivos que se mexem por perto, e outras não suportam ver ou tocar peixe na cozinha ou no prato. Saber qual é o seu caso ajuda a entender o que precisa ser trabalhado.

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Clínica Universidad de Navarra, Diccionario médico: Ictiofobia · Mayo Clinic: Fobias específicas, síntomas y causas · Psych Central: Ichthyophobia, overview, symptoms, causes, and more