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Tem gente que acorda de madrugada com o coração acelerado e a cabeça cheia de perguntas sobre a morte, a própria ou a de quem ama. Outras pessoas evitam velórios, hospitais ou qualquer conversa sobre o assunto, e mesmo assim o medo aparece nos momentos mais tranquilos.
Entendendo esse medo
A tanatofobia é um medo intenso e persistente da morte ou do processo de morrer, e também é chamada de ansiedade de morte. Pensar na morte de vez em quando e sentir alguma inquietação faz parte da vida. Fala-se em fobia quando o medo aparece quase toda vez que o assunto surge, dura meses e começa a tirar espaço do descanso, da rotina ou dos relacionamentos.
Ela não é um diagnóstico próprio nos manuais clínicos; costuma ser entendida como uma forma de ansiedade ou como uma fobia específica. O foco muda de pessoa para pessoa. Algumas temem deixar de existir ou o desconhecido, outras a dor ou a perda de controle no fim da vida, e muitas sentem principalmente medo de perder quem amam ou de deixar essas pessoas sozinhas. Às vezes ele está por trás de outros medos, como o medo de avião ou de ficar doente.
Gatilhos comuns
- Uma perda recente ou o aniversário de um falecimento
- Notícias de uma morte repentina ou de uma tragédia
- Um susto de saúde ou um sintoma novo
- Aniversários e idades que marcam uma fase
- Velórios e enterros
- O Dia de Finados
- Ficar acordado no escuro
- Pais ou parentes idosos ou doentes
- Visitar alguém no hospital
- Filmes, livros ou conversas sobre o que acontece depois da morte
Onde ele aparece
- Na cama, à noite
- Hospitais e clínicas
- Velórios e cemitérios
- Viagens longas e voos
- Momentos de silêncio a sós
- Diante do noticiário
- Encontros de família em que falta alguém
- A espera pelo resultado de exames
Sintomas
No corpo
- Coração acelerado ou palpitações
- Suor, calafrios ou tremores
- Tontura
- Enjoo ou mal-estar no estômago
- Sensação de falta de ar
- Dificuldade para dormir
- Crises de pânico
Na mente
- Medo de deixar de existir
- Preocupação constante com a saúde de quem você ama
- Pensamentos que giram em torno do que acontece depois da morte
- Sensação de que a vida está passando rápido demais
- Angústia que aparece até nos bons momentos
- Tristeza ou desânimo quando o assunto não vai embora
O que a pessoa costuma fazer
- Evitar velórios, hospitais ou conversas sobre a morte
- Examinar o corpo várias vezes em busca de sinais de doença
- Pesquisar sintomas e doenças na internet
- Pedir aos outros que tranquilizem, de novo e de novo
- Ficar ocupado o tempo todo para não pensar
- Evitar viagens ou atividades que parecem arriscadas
O que causa esse medo
Perder alguém próximo, receber um diagnóstico assustador ou presenciar uma morte são pontos de partida comuns, embora às vezes o medo apareça sem um motivo claro. Ter problemas de saúde, cuidar de pais idosos ou doentes, trabalhar em contato com a doença e ter tendência à ansiedade também podem pesar, assim como sentir que conta com pouco apoio. Alguns estudos sugerem que pessoas mais jovens temem mais a morte em si, e as mais velhas, o processo de morrer. A morte é uma pergunta sem resposta comprovável, e a mente ansiosa tenta resolvê-la de novo e de novo. Evitar o assunto ou buscar que alguém tranquilize você traz alívio na hora, mas mantém o medo vivo.
Como pode afetar a sua vida
O medo de morrer pode tirar o gosto dos bons momentos, porque um aniversário, uma festa de fim de ano ou umas férias viram um lembrete de que tudo termina. Dormir mal afeta o humor, a concentração e o trabalho. Há quem deixe de viajar, evite hospitais ou consultas, ou vá para o extremo oposto e confira a própria saúde sem descanso. Os relacionamentos também sentem quando a pessoa precisa ser tranquilizada o tempo todo ou se afasta dos amigos e da família.
O que pode ajudar no dia a dia
- Reservar todo dia um momento curto e fixo para as preocupações e, no fim, voltar com calma ao que estava fazendo
- Praticar uma respiração lenta ou ouvir um áudio de relaxamento quando os pensamentos aparecem à noite
- Falar do que sente com alguém de confiança em vez de guardar tudo para si
- Pôr a atenção no que importa hoje, como o tempo com a família ou um pequeno plano que anime você
- Limitar o noticiário e as pesquisas sobre doenças antes de dormir, e reduzir o café e o álcool
Quando procurar ajuda
Vale buscar ajuda se os pensamentos sobre a morte são frequentes, assustam você, tiram o seu sono ou não deixam você aproveitar a vida, ou se você tem crises de pânico. Converse com um médico, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima ou um psicólogo ou psiquiatra; a terapia cognitivo-comportamental e outras formas de psicoterapia costumam ajudar. Se notar um sintoma físico que preocupa, deixe um médico avaliar em vez de pesquisar na internet. Se o medo vier junto com tristeza profunda ou falta de esperança, procure apoio logo. O CVV atende pelo 188, a qualquer hora.
Como a hipnoterapia pode ajudar
A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de morrer, ela costuma ser usada para baixar a reação de alarme que dispara com certos pensamentos, principalmente à noite, e para ajudar a pessoa a voltar ao presente com mais calma. Ela não busca mudar as crenças de ninguém sobre a morte, e sim reduzir a angústia que vem junto. Muitas pessoas recebem ainda uma gravação para ouvir antes de dormir. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico nem psicológico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.
Fale com uma especialista

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta
Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.
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Perguntas frequentes
É normal ter medo de morrer?
Sim. Quase todo mundo sente alguma inquietação ao pensar na morte em algum momento. Vira um problema quando o medo aparece com muita frequência, dura meses e impede você de dormir, aproveitar a vida ou seguir a rotina normalmente.
Por que o medo da morte piora à noite?
À noite há menos distrações, e o cansaço faz as preocupações ocuparem mais espaço. Uma rotina tranquila antes de dormir, sem noticiário nem pesquisas na internet, e uma respiração lenta ou um áudio de relaxamento podem ajudar esses pensamentos a perder força.
Perder alguém querido pode causar medo de morrer?
Sim. Depois de uma perda, o luto e o medo da morte costumam se misturar, e isso é compreensível. Se o medo não diminui com o tempo ou fica difícil seguir com o dia a dia, um médico ou um profissional de saúde mental pode acompanhar você nesse processo.
Qual a diferença entre tanatofobia e necrofobia?
A tanatofobia é o medo da própria morte ou do processo de morrer. A necrofobia costuma ser descrita como o medo de cadáveres ou do que cerca a morte, como cemitérios, embora algumas fontes usem os dois termos de forma parecida.
Como perder o medo de morrer?
O objetivo realista é que o medo deixe de comandar a sua vida, mesmo que o assunto ainda apareça de vez em quando. A terapia cognitivo-comportamental e outras formas de psicoterapia costumam dar bons resultados, e conversar com pessoas de confiança, cuidar do sono e voltar ao presente ajudam no dia a dia.
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