Medo de morcego (quiroptofobia)

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No fim da tarde, tem gente que vê um morcego passar sobre a rua e mal repara. Outras pessoas se abaixam de repente, cobrem a cabeça e voltam para casa antes de escurecer, mesmo que isso signifique perder um jantar com os amigos ou um passeio nas férias.

Entendendo esse medo

A quiroptofobia é um medo intenso e persistente de morcegos, desproporcional ao risco real que eles representam. É uma fobia específica do tipo animal, menos frequente do que o medo de aranha ou de cobra, mas pode ser igualmente forte. Para algumas pessoas, basta ver uma foto, ouvir um bater de asas ou imaginar que há um morcego no quarto para sentir angústia e vontade de fugir.

Poucos animais carregam tantas histórias. Os vampiros, as crendices sobre azar, a noite e as cavernas escuras deram aos morcegos uma fama muito mais assustadora do que o comportamento real deles. Soma-se a isso o jeito como se movem: aparecem de repente ao anoitecer, mudam de direção muito rápido e é difícil saber para onde vão. Algumas pessoas temem principalmente que eles cheguem perto do rosto ou do cabelo. Outras sentem nojo das asas e da aparência do animal, e há quem tema sobretudo pegar uma doença.

Gatilhos comuns

  • O entardecer e as primeiras horas da noite
  • Um bater de asas rápido perto da cabeça
  • Barulhos de arranhões ou guinchos no forro ou no telhado
  • Um morcego entrando em um cômodo da casa
  • Imagens de vampiros e decorações de Dia das Bruxas
  • Morcegos pendurados ou voando em grupo
  • Documentários sobre cavernas
  • Notícias sobre raiva
  • Postes e luzes externas cheios de insetos
  • A ideia de que eles se enrosquem no cabelo

Onde ele aparece

  • Quintais, varandas e praças ao anoitecer
  • Ruas arborizadas e mangueiras ou outras árvores frutíferas
  • Casas antigas, forros e prédios abandonados
  • Cavernas e grutas em passeios
  • Igrejas, galpões e construções rurais
  • Áreas perto de rios e lagos
  • Sítios, chácaras e casas de praia
  • Zoológicos e museus de ciências

Sintomas

No corpo

  • Susto com qualquer movimento no ar
  • Coração acelerado
  • Suor e tremores
  • Respiração rápida ou sensação de falta de ar
  • Calafrios ou pele arrepiada
  • Enjoo ou sensação de desmaio

Na mente

  • Certeza de que o morcego vai bater em você ou atacar
  • Medo de que ele se enrosque no cabelo
  • Certeza de que há um escondido no quarto
  • Associação com a morte, a escuridão ou o azar
  • Medo de pegar uma doença mesmo sem ter havido contato
  • Sensação de não conseguir suportar

O que a pessoa costuma fazer

  • Entrar em casa antes de escurecer
  • Fechar as janelas mesmo no calor
  • Conferir o quarto antes de dormir
  • Cobrir a cabeça com um capuz ou um boné
  • Evitar passeios à noite, acampamentos ou cavernas
  • Sair correndo de um lugar se aparece um morcego

O que causa esse medo

Esse medo costuma começar na infância ou na adolescência, muitas vezes depois de um susto concreto, como um morcego que entrou no quarto ou passou raspando a cabeça. Ele também é aprendido ao ver um familiar entrar em pânico, e os filmes, as lendas e as notícias sobre raiva reforçam a ideia de perigo. Ter familiares com fobias ou ansiedade, ou um temperamento mais sensível à ansiedade, pode aumentar a chance de desenvolvê-lo. Em algumas pessoas, ele está ligado ao medo do escuro. Evitar o anoitecer e vasculhar a casa traz alívio na hora, mas mantém o medo forte.

Como pode afetar a sua vida

O medo de morcego pode encurtar as noites de verão, os jantares na varanda e as férias no sítio ou na praia. Há quem durma com tudo fechado no calor, e quem recuse trabalhos ou programas em casas antigas ou na zona rural. Crianças podem perder acampamentos e passeios da escola. Como muita gente leva na brincadeira, é comum sentir vergonha e esconder o medo. Quando a evitação cresce, a vida social diminui e o ânimo pode sofrer. Se o desânimo pesar, o CVV atende pelo 188, a qualquer hora.

O que pode ajudar no dia a dia

  • Buscar informação séria sobre os morcegos da sua região: a maioria é tímida, se alimenta de insetos ou de frutas e se afasta das pessoas
  • Colocar telas nas janelas para deixar a casa ventilada à noite com mais tranquilidade
  • Se um morcego entrar em casa, não tocar nele nem tentar pegá-lo, manter crianças e animais de estimação longe e pedir orientação ao Centro de Controle de Zoonoses ou à vigilância em saúde da sua cidade
  • Planejar saídas curtas ao entardecer com alguém de confiança
  • Treinar uma respiração lenta, soltando o ar mais devagar do que puxa

Quando procurar ajuda

Vale buscar ajuda se o medo prende você em casa ao anoitecer, tira o seu sono ou provoca crises de pânico. Converse com um médico, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima ou busque um psicólogo ou psiquiatra. Se um morcego morder ou arranhar você, ou se houver contato direto com um, lave bem o local com bastante água e sabão o quanto antes e procure atendimento médico imediatamente, mesmo que o ferimento pareça pequeno.

Como a hipnoterapia pode ajudar

A hipnoterapia trabalha em um estado de relaxamento profundo e atenção focada. No medo de morcego, ela costuma ser usada para identificar o que dispara a reação, revisitar o susto antigo que às vezes está por trás, para que ele seja sentido como uma lembrança e não como uma ameaça atual, e diminuir o sobressalto diante de um movimento repentino no ar. Também é usada para ensaiar na imaginação uma noite ao ar livre com mais calma, sem chegar perto de morcegos reais. A hipnoterapia não substitui o cuidado médico, e os resultados variam de pessoa para pessoa.

Fale com uma especialista

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira, hipnoterapeuta

Fabiana de Siqueira é hipnoterapeuta e atende pelo Zoom pessoas que falam português, no Brasil e em outros países. Se esse medo está pesando na sua vida, você pode marcar uma conversa inicial gratuita com ela para contar o que sente e entender se a hipnoterapia faz sentido para você. Conheça a história da Fabiana.

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Perguntas frequentes

O que é quiroptofobia?

É um medo intenso, persistente e desproporcional de morcegos, considerado uma fobia específica do tipo animal. Sentir algum desconforto quando um passa por perto é comum. Fala-se em fobia quando o medo dura muito tempo e leva você a mudar os seus planos para evitá-los.

Morcego ataca pessoas?

Em geral, não. Os morcegos são animais tímidos que tendem a se afastar das pessoas. Um morcego caído no chão, voando em plena luz do dia, batendo nas paredes ou agindo de forma estranha pode estar doente. Nesse caso, não toque nele e avise o Centro de Controle de Zoonoses ou a vigilância em saúde da sua cidade.

Morcego transmite raiva?

Alguns morcegos podem carregar o vírus da raiva, às vezes por muito tempo e sem sinais aparentes. Casos em pessoas são raros, mas a doença é grave, por isso a regra é simples: nunca tocar em um morcego. Depois de uma mordida, um arranhão ou contato direto, lave bem o local com bastante água e sabão e procure atendimento médico o mais rápido possível.

Por que os morcegos dão tanto medo?

Várias coisas se misturam: eles saem à noite, se movem de forma rápida e imprevisível e há séculos são associados a vampiros, cavernas e maus presságios. As notícias sobre doenças também pesam. Muitas pessoas temem mais essa imagem do que o animal real, que costuma evitar gente.

Como perder o medo de morcego?

Costuma ajudar se informar sobre como eles vivem de verdade, praticar a respiração lenta e retomar aos poucos as saídas ao entardecer acompanhado. Quando o medo é forte, a ajuda profissional, como a terapia cognitivo-comportamental com exposição gradual a imagens e vídeos, costuma dar bons resultados.

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